Portugues ling int vol3 pnld2018 capa al pr indd


exumação:   desenterramento.  reclamar



Baixar 39.74 Mb.
Pdf preview
Página127/273
Encontro07.02.2022
Tamanho39.74 Mb.
#21486
1   ...   123   124   125   126   127   128   129   130   ...   273
Linguagem Interacao 3 MP 0019P18013 PNLD2018
exumação:

 

desenterramento. 



reclamar:

 

reivindicar; pedir; 



exigir.

refestelar-se:

 

entregar-se a 



algo que dá 

prazer. 


 

60

65



70

75

80



85

90

95



100

105


110

115


120

125


130

135


140

145


150

Teresa Berlinc

k/Arqui

v

o da editora



Linguagem_Interacao_LP_V3_PNLD2018_176a212_U3_C5.indd   187

26/05/16   10:16




188

CAPÍTULO 5  RELATOS DE VIDA

Graciliano Ramos

 (1892-1953) nasceu em Quebrangulo, 

Alagoas. Foi revisor de jornal no Rio de Janeiro e prefei-

to no município alagoano de Palmeira dos Índios. Pre-

so em 1936 por motivos políticos, foi enviado para o 

Rio de Janeiro. Dessa permanência na prisão resultou 

uma de suas obras-primas de caráter não ficcional: Me-

mórias do cárcere.

Romances: Caetés (1933), São Bernardo (1934), Angústia 

(1936) e Vidas secas (1938). Contos: Insônia (1947). Crônicas: Linhas tortas e 

Viventes das Alagoas (1962). Memórias: Infância (1945), Memórias do cárcere 

(1953) e Viagem (1954). Literatura infantil: Histórias de Alexandre (1944).

A

rq

u



iv

o

 d



o

 j

o



rn

a

l O



 E

st

ad



o

 d



S

. P


au

lo

/A



g

ên

ci



Es

ta



do

ao sol pálido, em manhã de bruma, a cor das folhas que 

tombavam das árvores, num pátio branco, a forma dos 

montes verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, 

gritos, gemidos. Mas que significa isso? Essas coisas 

verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmo-

receram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco, 

pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, 

conservaram-se, cresceram, associaram-se, e é inevitá-

vel mencioná-las. Afirmarei que sejam absolutamente 

exatas? Leviandade. Em conversa ouvida na rua, a 

ausência de algumas sílabas me levou a conclusão 

falsa — e involuntariamente criei um boato. Estarei 

mentindo? Julgo que não. Enquanto não se reconsti-

tuírem as sílabas perdidas, o meu boato, se não for ab-

surdo, permanece, e é possível que esses sons tenham 

sido eliminados por brigarem com o resto do discurso. 

Quem sabe se eles aí não se encaixaram com intuito de 



logro

? Nesse caso havia conveniência em suprimi-los, 

distinguir além deles uma verdade superior a outra 

verdade convencional e aparente, uma verdade expres-

sa de relance nas fisionomias. Um sentido recusou a 

percepção de outro, substituiu-a. Onde estará o erro? 

Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuça-

mento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. 

Outros devem possuir lembranças diversas. Não as 

contesto, mas espero que não recusem as minhas: 

conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão 

de realidade. Formamos um grupo muito complexo, 

que se desagregou. De repente nos surge a necessi-

dade urgente de recompô-lo. Define-se o ambiente, 

as figuras se delineiam, vacilantes, ganham relevo, a 

ação começa. Com esforço desesperado arrancamos 

de cenas confusas alguns fragmentos. Dúvidas terrí-

veis nos assaltam. De que modo reagiram os caracte-

res em determinadas circunstâncias? O ato que nos 

ocorre, nítido, irrecusável, terá sido realmente pratica-

do? Não será incongruência? Certo a vida é cheia de 

incongruências, mas estaremos seguros de não nos 

havermos enganado? Nessas vacilações dolorosas, às 

vezes necessitamos confirmação, apelamos para remi-

niscências alheias, convencemo-nos de que a minúcia 

discrepante não é ilusão. Difícil é sabermos a causa 

dela, desenterrarmos pacientemente as condições que 

a determinaram. Como isso variava em excesso, era 

natural que variássemos também, apresentássemos 

falhas. Fiz o possível por entender aqueles homens, 

penetrar-lhes na alma, sentir as suas dores, admirar-

-lhes a relativa grandeza, enxergar nos seus defeitos a 

sombra dos meus defeitos. Foram apenas bons propó-

sitos: devo ter-me revelado com frequência egoísta e 

mesquinho. E esse desabrochar de sentimentos maus 

era a pior tortura que nos podiam infligir naquele ano 

terrível. 

Desgosta-me usar a primeira pessoa. Se se tratasse 

de ficção, bem: fala um sujeito mais ou menos imagi-

nário; fora daí é desagradável adotar o pronomezinho 

irritante, embora se façam malabarismos por evitá-lo. 

Desculpo-me alegando que ele me facilita a narração. 

Além disso não desejo ultrapassar o meu tamanho 

ordinário. Esgueirar-me-ei para os cantos obscuros, 

fugirei às discussões, esconder-me-ei prudente por 

detrás dos que merecem patentear-se.

RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 44. ed. 

Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 11-16.



logro:

 fraude, 

engano. 

R

eprodução/Ed. R



ecord

155


160

165


170

175


180

185


190

195


200

205


210

Linguagem_Interacao_LP_V3_PNLD2018_176a212_U3_C5.indd   188

26/05/16   10:16



189

UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

1

  Podemos dividir esse texto em duas grandes partes. Em seu caderno, delimi-



te-as e dê um título a cada uma.

2

  A que principalmente se deve a indecisão do escritor em escrever suas memó-



rias do tempo em que esteve preso?

3

  O narrador critica alguns escritores da época. Que tipo de escritores?



4

  Explique esta passagem fundamental do relato: 

Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sin-

taxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social [...] 

(texto 2, linhas 29-31)

5

  No caderno, explique por que o enunciador afirma em seguida que a gramá-



tica é um fator de coação.

6

  No final do terceiro parágrafo o enunciador deixa claro um princípio de escrita 



literária que o próprio Graciliano Ramos adotou em toda sua produção e pelo 

qual é considerado um mestre: 

[...] acho que é ruim porque está mal escrito. E está mal escrito porque não 

foi emendado, não se cortou pelo menos a terça parte dele. 

(texto 2, linhas 57-60)

Deduza: a partir desse comentário do enunciador, que característica da escrita 

Graciliano Ramos valoriza?

7

  A quem se refere o autor quando comenta “[...] outros espíritos miúdos de-



pendiam de nós [...]”? 

(texto 2, linhas 48-49)

8

  Ao comentar a respeito do trabalho de escrever, do difícil momento diante 



da folha de papel, o enunciador levanta esta questão: 

O pensamento foge da folha meio rabiscada. Que desgraças inominá-

veis e vergonhosas nos chegarão amanhã?

 (texto 2, linhas 79-81)

De onde podem chegar essas “desgraças” de que fala o enunciador? 

9

  Ao relatar que procurou compreender e não julgar as pessoas que se torna-



riam personagens de seu relato, o enunciador comenta:

Ser-me-ia desagradável ofender alguém com esta 




Baixar 39.74 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   123   124   125   126   127   128   129   130   ...   273




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal