Portugues ling int vol3 pnld2018 capa al pr indd



Baixar 39.74 Mb.
Pdf preview
Página120/273
Encontro07.02.2022
Tamanho39.74 Mb.
#21486
1   ...   116   117   118   119   120   121   122   123   ...   273
Linguagem Interacao 3 MP 0019P18013 PNLD2018
literatura do Nordeste.

Essa fase da prosa brasileira foi inaugurada com o romance A bagaceira, de 

José Américo de Almeida, de 1928, seguido de O Quinze (1930), de Raquel de 

Queirós, O país do Carnaval (1931), de Jorge Amado, Menino de engenho (1932), de 

José Lins do Rego, e Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, o mais importante 

romancista do período.

O contexto histórico da época exigia dos intelectuais e artistas uma par-

ticipação política mais vigorosa: a economia do país ia mal, influenciada pela 

quebra da Bolsa de Valores de Nova York (1929); dividida entre comunismo 

e capitalismo, boa parte do mundo envolveu-se na Segunda Guerra Mundial 

(1939-1945); no Brasil, o governo ditatorial de Getúlio Vargas desencadeou a 

Revolução de 1932, e a aprovação da Lei de Segurança Nacional garantia ao 

governo o direito de reprimir qualquer atividade considerada subversiva. O 

auge da tensão no país ocorreu quando se decretou estado de sítio em 1935, 

abrindo as portas ao período extremamente autoritário do Estado Novo, que 

ocorreu de 1937 a 1945. Terminado o período de suspensão de direitos, afirma 

o escritor Graciliano Ramos em Memórias do cárcere: “[...] já podemos enxergar 

luz a distância, emergimos lentamente daquele mundo horrível de treva e morte. 

Na verdade estávamos mortos, vamos ressuscitando”.

Carreta e carro•a no galp‹o, 1955, gravura 

de Carlos Scliar (1920-2001). Artista plástico 

gaúcho, Scliar foi um dos fundadores, em 

1950, do Clube da Gravura de Porto Alegre, 

movimento inspirado pela preocupação 

de refletir sobre as questões sociais do 

brasileiro. O grupo caracterizava-se por 

defender ideias socialistas e pelo uso 

de técnicas de gravura — que permitem 

a reprodução e a divulgação da obra, 

descartando assim a ideia de “obra única”. 

Procurava-se colocar a gravura a serviço das 

causas sociais e da formação do povo.

R

eprodução/Coleção par



ticular

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos, autor que se destacou na segunda fase do Modernismo, 

foi preso em 1936, sob acusação de pertencer ao Partido Comunista. O escritor 

permaneceu na cadeia até 1937. Dessa experiência resultou, anos mais tarde, 

Memórias do cárcere, de onde extraímos o fragmento a seguir. 

Escrito em 1946, dez anos após o escritor ter sido preso, o livro só foi publicado 

em 1953, postumamente. 

No início da narrativa, Graciliano Ramos revela por que demorou dez anos 

para contar o que lhe aconteceu na prisão. Descubra lendo o trecho proposto a 

seguir, o primeiro capítulo do livro. 

Linguagem_Interacao_LP_V3_PNLD2018_176a212_U3_C5.indd   185

26/05/16   10:16



186

CAPêTULO 5  RELATOS DE VIDA

TEXTO 2

Memórias do cárcere

Graciliano Ramos

I

Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, 



casos passados há dez anos — e, antes de começar, 

digo os motivos por que silenciei e por que me deci-

do. Não conservo notas: algumas que tomei foram 

inutilizadas, e assim, com o decorrer do tempo, ia-me 

parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, re-

digir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria su-

perior às minhas forças, esperei que outros mais aptos 

se ocupassem dela. Não vai aqui falsa modéstia, como 

adiante se verá. Também me afligiu a ideia de jogar 

no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os nomes 

que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las, 

dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de 

romance, mas teria eu o direito de utilizá-las em his-

tória presumivelmente verdadeira? Que diriam elas 

se se vissem impressas, realizando atos esquecidos

repetindo palavras contestáveis e 




Baixar 39.74 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   116   117   118   119   120   121   122   123   ...   273




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal