Por ocasião da defesa de tese cor’p’oema Llansol



Baixar 28.93 Kb.
Página1/4
Encontro14.06.2020
Tamanho28.93 Kb.
  1   2   3   4

por ocasião da defesa de tese

cor’p’oema Llansol

Janaína Rocha de Paula

Janaína, o que trago nas mãos é menos uma arguição, e mais uma impressão – impressões digitais deixadas no tateamento cego da leitura, minhas mãos passando folha a folha, percorrendo um corpo sinuoso, linha a linha, letra a letra. Tal qual Diderot, citado por Jaques Derrida, em Memórias de cego – o auto-retrato e outras ruínas, citado por você (na p.49 do Livro 1), diria:

Escrevo sem ver. Vim. Queria beijar-vos as mãos [...] Eis a primeira vez que escrevo nas trevas [...] sem saber se formo caracteres. Por todo o lado que não houver nada, lede que vos amo.

Diria assim, por amor ao texto, por tocar com a máxima delicadeza o ramo que você fez da sua vida, da sua lida, da sua partida. As palavras, aqui, foram recolhidas de um tecido branco repousado, como o xaile da mente, dobrado em meu pensamento. Após a leitura, absolutamente preciosa, de seu trabalho (também precioso), questões foram aparecendo por todo lado, caindo no chão em que pisava, quando carregava os livros brancos. Pude recolher, aqui, nestas folhas, algumas, apenas algumas questões, outras ficaram no chão, outras passaram rápido, como o poema, e outras ainda estão guardadas na manga, esperando a ocasião de desdobrá-las, no café, nas paredes, na cas´a.

Gostaria muito sinceramente de agradecer por me ser permitido partilhar, assim tão perto, tão longe, deste momento raro – único. O começo de um livro é precioso, sabemos. Então, começo pelo começo.






Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal