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A N A L I S A R E R E F L E T I R



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Humanitas.doc - Volume 3
A N A L I S A R E R E F L E T I R
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v
o da editora
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Projeção
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9/27/20 12:58 PM


Essa estrutura etária da população do campo brasi-
leiro revela o impacto do êxodo rural na quantidade de 
jovens e adultos, que é sensivelmente menor se com-
parada ao total da população brasileira. Além disso, 
ainda que a população de crianças e adolescentes seja 
superior ao que se verifica no total do país, o processo 
de queda da taxa de fecundidade está presente no campo 
e se intensifica com a emigração de mulheres. De tais 
fatores resulta a intensificação do envelhecimento da 
população no campo.
Esse processo permite reflexões sobre as condições 
de vida e o papel social do idoso nas áreas rurais. Na 
faixa etária de 65 anos ou mais, os desafios da população 
no campo se intensificam. Em muitos casos, a falta de 
infraestrutura hospitalar nas áreas rurais, por exemplo, 
leva à emigração de idosos do campo para a cidade em 
busca de tratamento médico e melhores condições de 
vida. Contudo, esse contingente emigrante não é sufi-
ciente para a redução de idosos no total da população.
Outro aspecto que alimenta a permanência de pes-
soas idosas no campo é sua contribuição no orçamento 
familiar. Para isso contribuem as políticas públicas que 
buscam garantir a aposentadoria rural ou o Benefício 
de Prestação Continuada (BPC), que corresponde ao 
valor de um salário mínimo para pessoas com defici-
ência e/ou idosas com renda familiar per capita inferior 
a um quarto de salário mínimo.
Para a população pobre do campo, a garantia dessa 
renda pode significar o sustento dos membros da fa-
mília em épocas de estiagem, por exemplo. O amparo 
dos filhos pelos idosos é, portanto, fundamental para a 
permanência destes no campo. 
Além do envelhecimento, a população do campo 
vem passando pelo processo de masculinização, em 
que a proporção de homens tem superado a de mu-
lheres, sobretudo, devido ao êxodo rural seletivo. Esse 
processo expressa desigualdades de gênero no campo 
brasileiro. As mulheres encontram menos oportunida-
des de trabalho no campo por motivos variados, como 
o fato de se privilegiar a contratação de homens nas 
atividades agrícolas. 
O papel historicamente atribuído às mulheres, res-
ponsabilizadas pelo cuidado com crianças e idosos e 
pelas tarefas domésticas, também limita a possibi-
lidade de que obtenham oportunidades de trabalho 
remunerado nas áreas rurais. A tradicional exclusão 
das mulheres da condição de herdeiras potenciais 
dos bens da família, sobretudo da terra, é outro fator 
que merece consideração. Atualmente, apenas 19% 
do número de estabelecimentos agrícolas é de pro-
priedade de mulheres. 
A emigração de mulheres do campo acontece 
também por sua maior escolaridade em relação aos 
homens. Vale destacar que os homens são, no con-
texto rural, absorvidos muito cedo para o trabalho 
nas unidades produtivas familiares, o que promove, 
em muitos casos, o abandono escolar. 

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