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Humanitas.doc - Volume 3
NATUREZA E CRISTIANISMO
As explicações dos filósofos greco-romanos sobre o mundo físico espalharam-se 
pelo entorno do mar Mediterrâneo durante a Antiguidade clássica. Entretanto, fo-
ram pouco a pouco esquecidas na maior parte da Europa ocidental após a queda do 
Império Romano do Ocidente, no século V, e o fortalecimento da Igreja cristã. Muitos 
dos textos antigos só voltaram a ser estudados e discutidos no Ocidente cristão a 
partir do século XIII, quando foram redescobertos em territórios conquistados de 
muçulmanos e bizantinos nas Cruzadas e na Reconquista Ibérica. 
Nesse intervalo, houve pouca produção filosófica desvinculada da religião na Eu-
ropa ocidental. Com o triunfo do cristianismo na região, as explicações sobre uma 
natureza criada e regida por um Deus único passaram a ser aceitas. No livro Gê-
nesis, do Antigo Testamento cristão (ou Torá, para os judeus), há uma narrativa da 
criação do Universo, da Terra, dos seres vivos e dos humanos.
No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e 
vazia, e as trevas cobriam o Abismo, mas o espírito de Deus pairava por 
sobre as águas. Deus disse: “Haja luz”. E houve luz. [...]
Por fim, Deus disse: “Façamos o Homem à nossa imagem, como nossa 
semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, 
sobre os animais domésticos, todos os animais selvagens e todos os 
répteis que rastejam sobre a terra”.
E Deus criou o Homem à sua imagem; à imagem de Deus Ele o criou; 
homem e mulher Ele os criou.
Deus os abençoou dizendo: 
“Sede fecundos e multipli-
cai-vos, enchei a terra e sub-
metei-a; dominai sobre os 
peixes do mar, as aves do céu 
e todos os animais que raste-
jam sobre a terra”.
BÍBLIA. G•nese, 1: 1, 2; 21-22. 
São Paulo: Loyola, [s.d]. 
Como a humanidade faz parte da 
criação divina, não caberia aos se-
res humanos explicar a origem da 
criação, e sim aceitá-la. Ao mesmo 
tempo, o homem estaria no papel 
de dominador dos demais seres da 
Terra – incluindo a mulher. O arce-
bispo irlandês James Ussher (1581- 
-1656), após estudar os textos sagra-
dos do cristianismo e outros relatos 
históricos, calculou que a criação do 
mundo teria ocorrido no ano 4004 a. C. 
Essa cronologia foi aceita pela Igreja 
católica até o início do século XIX. A 
concepção criacionista predominou 
durante séculos no mundo cristão, 
sendo contestada somente a partir 
da Revolução Científica.
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Antes do século XV, predominava na 
Europa uma explicação do mundo físi-
co influenciada por uma visão mítica, 
mágica e teológica da realidade. Se-
gundo relata a historiadora Laura de 
Mello e Souza em O diabo e a Terra de 
Santa Cruz, no século XIV a realidade 
da Terra para os habitantes letrados 
da Europa ocidental limitava-se a cin-
co zonas climáticas, três continentes
três mares e doze ventos. A Ásia orien-
tal e a África ao sul do Saara faziam 
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