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A N AT U R E Z A , U M A C R I A Ç Ã O



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Humanitas.doc - Volume 3
A N AT U R E Z A , U M A C R I A Ç Ã O 
H U M A N A
O que é natureza? Como ela surge e como se transforma? As respostas a es-
ses questionamentos variaram segundo o tempo, o espaço e a sociedade. Hoje, no 
Brasil inserido na cultura ocidental, as respostas em geral se relacionam com de-
finições propostas pelo pensamento científico nos últimos séculos. Ou seja, curio-
samente, a definição corrente do que é natureza depende dos questionamentos a 
respeito do que faria o ser humano diferente dos demais seres: suas possibilidades 
e seus limites para conhecer e agir, seus direitos e suas características inerentes.
A partir do século XVI, sucessivos debates no Ocidente buscaram responder à 
questão de como o ser humano pode conhecer a verdade. Atribui-se ao filósofo ale-
mão Immanuel Kant (1724-1804) uma resposta que superou divisões: o ser humano 
é o sujeito do conhecimento; conhecemos as coisas (os objetos do conhecimento) 
da maneira como as conhecemos porque nossa razão é dotada de determinadas 
capacidades. As coisas existem em si, mas só podemos ter segurança do que co-
nhecemos a respeito delas por meio de faculdades de nossa razão. Não é possível 
conhecê-las por inteiro, e sim na medida em que nosso conhecimento permite.
Essa ideia teve importantes consequências para a Filosofia e para as Ciências. 
Se, por um lado, estabelece um limite para o conhecimento que o ser humano pode 
alcançar, por outro, ressalta uma diferenciação do ser humano em relação aos de-
mais seres: a posse de uma racionalidade que permite alcançar conhecimentos 
verdadeiros. O humano não está excluído da natureza, porém é próprio dele poder 
formar seu caráter e se aprimorar em termos morais e do conhecimento.
Assim, outra consequência desse debate foi, nos séculos XIX e XX, a crença no 
primado do ser humano sobre os demais. As ciências, com o auxílio da tecnologia, 
afirmaram-se como meios de intervenção no ambiente para o progresso e a verda-
de necessários, em direção a um ideal. A natureza, portanto, passou a ser vista no 
mundo ocidental como um conjunto de seres à disposição do ser humano para ser 
moldado e dominado por ele em benefício próprio. 
Vamos entender, primeiro, como o pensamento ocidental formulou a definição 
de natureza até chegar a esse ponto. Em seguida, estudaremos como nas últimas 
décadas essa concepção foi desafiada.
A marcha do intelecto, gravura 
satírica do inglês William 
Heath, 1829. A obra ironiza 
a perspectiva de que o 
progresso do conhecimento 
e da tecnologia permitiria 
resolver os problemas da 
humanidade.
Hotxu‡
Direção de Letícia 
Sabatella e Gringo 
Cardia. Brasil, 2012. 
Duração: 70 min.
Neste documentário 
sobre o cotidiano de 
uma aldeia do povo 
Krahô, sobressai a 
figura do 
hotxu‡, que 
tem a importante 
função de fazer o 
povo rir.
FIC
A
A
DIC
A
O período em que os 
direitos universais de 
cidadania e os regimes 
políticos constitucionais 
foram reivindicados e 
criados coincide com 
o de uma separação 
maior entre as esferas 
do humano e do não 
humano no Ocidente. 
Segundo o antropólogo 
e filósofo Bruno Latour 
(1947-), os filósofos da 
modernidade ocidental 
propuseram a separação 
entre o sujeito de direito 
e o objeto da ciência já 
a partir do século XVII – 
ainda que na realidade 
ambos seguissem 
relacionados.
OBSERVE QU E...
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Acima, o 
Atlas Farnese, réplica 
romana do século II da estátua grega 
em que o titã Atlas é representado 
segurando o mundo celeste nas 
costas. Ao lado, edan, par de bastões 
que simboliza o pertencimento
à irmandade de Osugbo, c. séculos
XVIII-XIX. Foram feitos em marfi m 
para um devoto de Obatalá, orixá 
criador da humanidade na tradição 
ioruba. Nas mitologias e nas religiões, 
deuses e entidades sobrenaturais 
foram e são considerados os reais 
criadores e mantenedores da ordem 
do Universo.

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