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O que é cidade?  p. 60 Professor indicado



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Humanitas.doc - Volume 3
214
O que é cidade? 
p. 60
Professor indicado: Geografia ou Sociologia
Para iniciar a discussão proposta nesse capítulo, é im-
portante realizar uma breve reflexão a respeito da com-
plexidade de definir exatamente o que são cidades. Ex-
plique que, na perspectiva geográfica, as cidades podem 
ser definidas como porções do espaço que abrigam cons-
truções humanas resultantes da sobreposição de diferen
-
tes processos sociais, políticos, econômicos e culturais ao 
longo do tempo.
No entanto, é importante esclarecer que as cidades 
podem ser analisadas a partir de outras perspectivas. O 
conteúdo menciona, por exemplo, os aspectos quantita-
tivos, isto é, a densidade demográfica pode ajudar a de-
finir se um local é considerado ou não uma cidade.
Os aspectos econômicos, como as atividades estabe-
lecidas no espaço, os tipos de trabalhos e empregos, tam-
bém podem ser elementos centrais nessa compreensão. 
Além disso, a noção de que as cidades são nós de uma 
ampla rede de infraestruturas que ser articulam e forne-
cem dinâmicas específicas ao espaço geográfico é outra 
visão apresentada pelo conteúdo.
Explique que a ideia de discutir diversas perspectivas 
tem o objetivo de mostrar a complexidade do debate, 
revelando que as cidades possuem inúmeras caracterís-
ticas, as quais, eventualmente, podem se sobressair a par-
tir da visão que se oferece para analisar o tema. Essa re-
flexão inicial permite retomar e consolidar os 
conhecimentos abordados ao longo do Ensino Funda-
mental, em especial nas habilidades trabalhadas no con-
teúdo de Geografia que exploram conceitos como terri-
tório, redes e urbanização.
O texto a seguir apresenta uma definição proposta 
pela arquiteta e urbanista Raquel Rolnik a respeito do que 
é a cidade. Sugere-se a leitura dele a fim de ampliar a com-
preensão sobre o tema e enriquecer as discussões pro-
postas na sala de aula. Caso julgue necessário, forneça o 
texto aos estudantes, incentivando-os a analisar e com-
parar as diferentes fontes e narrativas expostas durante a 
aula para compreender e se posicionar criticamente com 
relação aos processos históricos, geográficos, políticos, 
econômicos e sociais. Esse exercício contribui para a mo-
bilização da habilidade EM13CHS101 da BNCC.
Definindo a cidade 
Quando, ao decidir escrever este livro, me perguntei 
o que é cidade, a primeira imagem que me veio à cabeça 
foi São Paulo, a metrópole que se perde de vista. Pensei na 
intensidade de São Paulo, feita do movimento incessante 
de gente e máquinas, do calor dos encontros, da violência 
dos conflitos. Milhares de habitantes. Milhões. Mas logo 
me ocorreu uma dúvida: não seriam esse ritmo e essa in-
tensa concentração, para mim tão sinônimos de urbano, 
próprios apenas das metrópoles, as cidades que anunciam 
o século XXI?
Pensei então em outras cidades, de outros tempos e lu-
gares – Babilônia, Roma, Jerusalém – cidades amuralhadas, 
de limites precisos, cujas portas permitiam ou bloqueavam 
o contacto com o mundo exterior. Pensei então na ironia 
de Wall Street, a rua do muro que limitava a cidade de No-
va Iorque, no século XVII, transformando-se no centro do 
mercado financeiro internacional, símbolo de um mundo 
onde as cidades não têm fim. No início da história ameri-
cana, quem se dirigia a Nova Iorque deparava-se com seus 
portões. Hoje esta possibilidade não existe mais: não se 
está nunca diante da cidade, mas quase sempre dentro de-
la.
O espaço urbano deixou assim de se restringir a um 
conjunto denso e definido de edificações para significar, de 
maneira mais ampla, a predominância da cidade sobre o 
campo. Periferias, subúrbios, distritos industriais, estradas 
e vias expressas recobrem e absorvem zonas agrícolas mo-
vimento incessante de urbanização. No limite, este movi-
mento tende a devorar todo o espaço, transformando em 
urbana a sociedade como um todo. 
Diante de fenômenos tão diferentes como as antigas ci-
dades muradas e as gigantescas metrópoles contemporâ-
neas, seria possível definir cidade? 
Na busca de algum sinal que pudesse apontar uma ca-
racterística essencial da cidade de qualquer tempo ou lugar, 
a imagem que me veio à cabeça foi a de um imã, um campo 
magnético que reúne e concentra os homens. 
[...]
Isto mesmo, a cidade é antes de mais nada um imã, an-
tes mesmo de se tornar local permanente de trabalho e mo-
radia. Assim foram os primeiros embriões de cidade de que 
temos notícia, os zigurates, templos que apareceram nas 
planícies da Mesopotâmia em torno do terceiro milênio an-
tes da era cristã.
ROLNIK, Raquel. O que Ž Cidade? São Paulo: Brasiliense, 1988. 
Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/ 
pluginfile.php/4405239/mod_resource/
content/1/O%20que%20%C3%A9%20Cidade%20parte%201.pdf. 
Acesso em: 31 ago. 2020.
Em seguida, o conteúdo aborda os critérios de iden-
tificação de uma cidade adotados no Brasil. Nessa discus-
são, é importante que os estudantes possam notar o des-
colamento entre a teoria, representada pela legislação 
brasileira, e a prática, já que o critério desconsidera aspec-
tos estruturais e funcionais das cidades. A generalização 
verificada no Brasil permite, portanto, considerar como 
cidades as grandes metrópoles brasileiras, tais como São 
Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, mas tam-
bém pequenas aglomerações populacionais, cujas ativi-
dades são notadamente rurais.
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