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participação em sociedade. Em uma prática pedagógica



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Humanitas.doc - Volume 3

participação em sociedade. Em uma prática pedagógica 
em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, esse ponto
é central.
Ao mesmo tempo, a abertura para o diálogo com os 
estudantes é fundamental. Um canal para isso está na com-
preensão das expressões das culturas juvenis em sua diver-
sidade, mais facilmente identificável nos centros urbanos, 
mas também presente em cidades menores e no campo.
Tomemos como exemplo as profundas transforma-
ções geradas pela recente disseminação das tecnologias 
da informação e comunicação. A rápida ampliação do 
acesso a elas, por meio de dispositivos como celulares, 
tablets e similares, transformou os jovens não somente 
em consumidores, mas também em produtores de con-
teúdo e desenvolvedores. Os jovens vivenciam a cultura 
digital intensamente e constroem novas sociabilidades 
nela e com ela. Surgem a partir dessas formas de sociabi-
lidade novas e criativas estratégias de atuação e ativismo 
social, como os coletivos que utilizam as redes sociais nos 
movimentos de luta por direitos civis.
É preciso atentar, entretanto, para o risco de um uso 
superficial ou pouco ponderado de muitas dessas novas 
práticas. Frequentemente, são difundidas análises pouco 
rigorosas, fragmentárias e sectaristas nesses grupos. A lin-
guagem utilizada nos meios midiáticos digitais é comu-
mente empobrecida e pode sustentar a rápida veiculação 
de informações distorcidas, falsas ou caluniosas, o que se 
opõe ao debate fundamentado em argumentos ou fatos 
que considera os direitos humanos e os valores democrá-
ticos. A “viralização” pode, muitas vezes, tornar pessoas 
e ideias em vítimas de descrédito ou discriminação.
Além disso, as discussões acerca das problemáticas e 
dos temas de interesse geral nem sempre ultrapassam o 
plano do debate. Uma formação para a cidadania deve, 
portanto, abordar possibilidades e responsabilidades de 
intervenção no mundo. Ainda que seja compreensível a 
resistência ou recusa dos jovens aos meios tradicionais da 
política e da organização da vida social, eles precisam ter 
consciência de que suas reivindicações só serão levadas 
adiante caso haja pressão e também articulação com ór-
gãos e instituições formais.
A escola, portanto, deve acompanhar as inovações 
tecnológicas e integrá-las como ferramentas de comuni-
cação entre os membros de sua comunidade, investindo 
no diálogo qualificado, respeitoso e aberto. Ademais, essa 
perspectiva pode contribuir para dirimir o desinteresse 
discente e ampliar a participação estudantil, bem como 
potencializar os processos de ensino e aprendizagem.
A escola, como espaço de formação para a cidadania, 
deve promover uma formação que contemple a diversi-
dade, evitando o proselitismo e a intolerância. Deve, tam-
bém, observar a dimensão colaborativa da aprendizagem. 
Em outros termos, o reconhecimento de que todo pro-
cesso educativo é mediado e composto por atores diver-
sos deve levar a uma reflexão permanente, por parte do 
corpo docente e pedagógico, sobre o acolhimento de 
cada estudante e de sua relação com as demais pessoas 
na escola. É isso que permite que as trocas entre os sujei-
tos possibilitem avanços compreensivos significativos, as
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sim como seu desenvolvimento integral.
Como mediadores dos processos de ensino e apren-
dizagem, os professores podem recorrer ao uso de meto-
dologias ativas na orientação de processos individuais ou 
em equipes, estimulando a curiosidade científica e a au-
tonomia dos estudantes. Logo, é importante proporcio-
nar experiências de compartilhamento de saberes, de con-
vivência coletiva e de colaboração cidadã, bem como 
promover a contextualização e a interdisciplinaridade no 
trabalho pedagógico. Os processos de ensino e aprendi-
zagem, além disso, devem estimular os estudantes a uti-
lizar diferentes linguagens e expressões, compartilhando 
não somente ideias, mas também emoções, e a buscar a 
compreensão mútua, a inclusão e a inovação.
Os projetos de pesquisa interdisciplinares que pro-
põem aos estudantes a avaliação de diferentes fenôme-
nos e processos econômicos, sociais ou políticos de seus 
contextos locais, com base em análises qualitativas e/ou 
quantitativas, por exemplo, podem gerar hipóteses de 
solução e de intervenção para variados problemas. Esses 
trabalhos, realizados por grupos colaborativos, podem 
ser realizados com diferentes metodologias de investiga-
ção, que mobilizam técnicas como a pesquisa-ação, a ob-
servação com tomada de notas, a entrevista semiestru-
turada, os grupos focais, as análises documentais ou os 
estudos de recepção de obras de arte ou de produtos da 
indústria cultural. 
Tomemos como exemplo a atividade sobre o tema 
da violência doméstica no Brasil, presente em um dos 
volumes da coleção. Após uma leitura sobre a realidade 
da incidência da violência doméstica no país e sobre a 
legislação de combate a esse grave problema, os estu-
dantes são incentivados a fazer um levantamento no 
noticiário de casos ocorridos para posterior debate em 
sala. Acima de tudo, são convidados a refletir sobre os 
fatores que dificultam um combate ao problema e que 
levam, por exemplo, à subnotificação às autoridades de 
segurança pública. Então, têm como proposta de inter-
venção a criação de uma campanha de incentivo à de-
núncia e à busca por ajuda em caso de violência domés-
tica que leve em consideração o debate realizado e os 
canais de apoio existentes.

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