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Humanitas.doc - Volume 3
ORIENTAÇÕES GERAIS |
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Desse modo, a Filosofia não deixará de interrogar as 
pretensões da perspectiva pedagógica interdisciplinar.
“Filha de seu tempo”, como diria Georg Wilhelm Friedrich 
Hegel (1770-1831), e por isso sujeita aos mesmos dilemas 
que afetam as ciências, a Filosofia não deixará de pergun-
tar: não pretende essa visão interdisciplinar ou transdisci-
plinar reconstituir uma suposta unidade perdida do co
-
nhecimento? Seu projeto não nos levará à formulação de 
uma visão totalizante acerca da realidade? Quais são as 
implicações disso?
 
Os componentes curriculares e o 
novo Ensino Médio
A Filosofia se estrutura sobretudo como um discurso 
crítico, argumentativo e contextualizado sobre o ser hu-
mano e o mundo. Ao mesmo tempo, opera procedimen-
tos que questionam os próprios pressupostos do pensa-
mento, dos conhecimentos e das práticas. Nesse sentido, 
a Filosofia é também inerentemente reflexiva. Um saber 
que há mais de dois mil anos se dobra sobre si mesmo e 
se autoexamina.
Logo, a Filosofia contribui para a aquisição de um con-
junto de conteúdos, conceitos, teorias e questões de seu 
corpus teórico – exemplificadas em noções de caráter 
abstrato, historicamente construídas, tais como o tempo, 
o ser, a verdade, a razão, o belo, a felicidade e a liberdade 
humanas. Ela também colabora no aprendizado de pro-
cedimentos metodológicos para a investigação dos fun-
damentos que sustentam os mitos, as religiões, as ciências, 
as tecnologias, as artes, a economia, a política e a moral. 
Expõem-se, por conseguinte, duas tarefas capitais da 
Filosofia: a elaboração de análises interpretativas abran-
gentes, sistematizadas e rigorosas sobre as múltiplas di-
mensões da existência humana; e o exame das condições 
de possibilidade dos conhecimentos e das práticas. Por 
sua profunda disposição metadisciplinar, conforme afir-
mam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o en-
sino da Filosofia pode contribuir expressivamente para a 
articulação das demais ciências, principalmente por se 
concentrar sobre seus problemas de método e avaliar 
seus dilemas éticos. É, também, fundamental para a aná-
lise interdisciplinar das categorias indicadas pela BNCC. 
Por fim, não podemos esquecer que a Filosofia con-
tinua a participar dos destinos da pólis e do cidadão. A 
Filosofia pergunta pelo grau de efetividade dos sistemas 
democráticos na garantia do bem comum; examina a in-
fluência da indústria cultural sobre o comportamento 
humano; questiona a legitimidade do uso da força pelo 
Estado; investiga o lugar das crenças e religiões na mo-
dernidade; analisa a influência da tecnologia nos proces-
sos de subjetivação; avalia as novas formas de organização 
e protagonismo políticos; e sobretudo subsidia a criação 
de novas estéticas e estilísticas de existência.
Já a Sociologia, constituída como ciência da socieda-
de, é ainda jovem, tendo-se originado no século XIX. Nas-
cida em meio a grandes transformações políticas, econô-
micas, sociais e tecnológicas que ocorriam no Ocidente, 
inquiriu e ainda inquire sobre as principais instituições 
que orientam a vida social nesse contexto, como a famí-
lia, o Estado, a igreja e a escola. Em seu estudo da vida 
em sociedade, considera as dimensões sincrônicas e dia-
crônicas, buscando entender as transformações e as per-
manências nas formas de organização de diferentes so-
ciedades, mas principalmente do mundo ocidental na 
modernidade. Além disso, oferece ferramentas teóricas 
para o exame de experiências, afetos e valores por meio 
dos quais os indivíduos definem tanto suas identidades 
como a dos demais sujeitos sociais.
A Sociologia se preocupa em responder principalmen-
te a duas questões: como se estruturam as relações entre 
indivíduo e sociedade; e quais fatores preponderam para 
que ocorra a manutenção da ordem ou, inversamente, as 
mudanças sociais. A produção intelectual daqueles que 
costumam ser considerados seus pensadores mais influen-
tes – Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, que es-
creveram entre meados do século XIX e o início do sécu-
lo XX – ainda se mostra de grande relevância e influência 
nos debates do campo sociológico, não obstante as pos-
teriores transformações político-sociais. Ao mesmo tem-
po, novas perspectivas teórico-metodológicas desenvol-
vidas no último século enriqueceram e aperfeiçoaram as 
possibilidades de investigação e interpretação da Socio-
logia.
Muitos temas e conceitos de interesse da Sociologia 
também são examinados pela História, pela Geografia e 
pela Filosofia, por meio de seus próprios referenciais e me-
todologias. Podem ser citados, como exemplos, o trabalho 
e as relações de produção; os conceitos de ideologia e alie-
nação; autoritarismo e democracia; indivíduo e sociedade 
de massa; direitos humanos e multiculturalismo. Também 
é grande a intersecção da Sociologia com os estudos de 
outras Ciências Sociais, como a Antropologia, a Ciência 
Política e a Economia. Contribuições dessas disciplinas apa-
recem, aliás, em momentos específicos da coleção, seja no 
texto expositivo, seja nas seções e atividades. 
O mesmo ocorre com outras ciências que tomam o 
ser humano como objeto de investigação privilegiado, a 
saber, o Direito e a Psicologia. Quando trata do tema dos 
direitos humanos, mobilizando principalmente as com-
petências gerais 7 e 9 e a competência específica 5, a co-
leção não se limita a propor uma intersecção com o Di-
reito em termos de princípios éticos e normativos. 
Apresenta-se também a reflexão sobre o campo jurídico 
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ao longo do tempo e nas sociedades, bem como ativida-
des de leitura, compreensão, comparação e debate da le-
gislação em diferentes contextos. Com isso, os estudantes 
podem refletir sobre a dimensão jurídica e suas relações 
com a ética, o poder, os distintos grupos sociais, etc., o que 
exige um trabalho interdisciplinar. Ou ainda, quando a co-
leção trata de contracultura e sociedade de consumo, por 
exemplo, é inevitável que História, Antropologia, Sociolo-
gia e Filosofia se entrelacem, mediadas principalmente pe-
las competências específicas 1, 3 e 5. Esses diferentes cam-
pos do conhecimento têm seus aportes relevantes para a 
compreensão integrada do tema discutido.
O estudo da Geografia, por sua vez, integra o trabalho 
pedagógico tendo como principal eixo norteador a pro-
moção do pensamento espacial. Sua perspectiva visa pos-
sibilitar aos estudantes o entendimento das relações entre 
os seres humanos e a natureza avaliando os modos de 
ocupação humana nos meios agrários e urbanos; as terri-
torialidades e as ordenações de territórios nacionais e suas 
disputas; os fenômenos físico-naturais; as relações espaciais 
topológicas, projetivas e euclidianas da paisagem, etc.
Assim, o ensino da Geografia pretende, em parceria 
com as demais disciplinas das humanidades e de outros 
campos do conhecimento (como a Matemática, a Física, 
a Biologia, etc.), favorecer a compreensão crítica de dife-
rentes questões do mundo físico e social. Citamos, por 
exemplo, as técnicas construtivas e as cadeias produtivas 
organizadas por diferentes sociedades; as atividades ex-
trativas (minerais, agropecuárias e industriais); os modos 
de organização política em contextos locais, regionais e 
globais; os efeitos da evolução das técnicas, das ciências 
e dos meios informacionais; a ocupação e o aparelhamen-
to dos espaços públicos; a conservação e a degradação 
da natureza, ou seja, o entendimento de problemas am-
bientais graves e urgentes, tais como o desmatamento 
florestal, a contaminação hídrica e do solo devida ao des-
carte de resíduos tóxicos e materiais não perecíveis; a 
emissão de gases poluentes e seus efeitos, como o aque-
cimento global.
Tais escolhas ressaltam a superação de uma visão me-
ramente descritiva do ensino da Geografia, que anterior-
mente exigia dos estudantes a memorização e a aceitação 
de interpretações acabadas. Por fim, também explicitam 
a necessidade de compreensão dos arranjos econômicos 
e políticos, bem como dos valores sociais e culturais im-
plicados na ocupação e organização dos espaços. A arti-
culação da Geografia com outros componentes curricu-
lares permite também que os estudantes construam uma 
compreensão muito mais complexa sobre as questões 
citadas. É o que ocorre, por exemplo, quando a coleção 
apresenta os fundamentos de um conceito geográfico 
central – o de território –, ao recorrer aos estudos da 
Sociologia, da Ciência Política, da História e das Relações 
Internacionais a respeito de Estado, fronteira, violência, 
poder e identidade.
Finalmente, o estudo da História no âmbito do Ensino 
Médio contextualiza e amplia as reflexões sobre as dife-
rentes problemáticas abordadas pelas demais disciplinas 
de sua área de conhecimento, tomando como ponto de 
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