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O protagonismo juvenil nas



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Humanitas.doc - Volume 3
 
O protagonismo juvenil nas 
práticas educativas
A concepção de formação integral proposta pela 
BNCC situa no centro do trabalho pedagógico o prota-
gonismo juvenil, ou seja, a capacidade dos jovens de se-
rem autores de sua própria aprendizagem e de seu pro-
cesso de desenvolvimento. Para isso, os estudantes devem 
ser capazes de compreender, apreciar e operar criativa-
mente com diferentes linguagens (verbais, corporais, cien-
tíficas e artísticas). Devem, também, desenvolver suas ca-
pacidades de investigação, abstração, reflexão, crítica e 
ação, por meio de: participação em atividades de campo 
(tais como a observação e tomada de notas de diferentes 
fenômenos, a pesquisa-ação, a pesquisa de documentos 
e acervos, etc.); identificação de problemáticas sociais, por 
meio de análises de caráter qualitativo e/ou quantitativo 
(como a inacessibilidade aos recursos públicos de deter-
minados grupos ou a violação de direitos civis e sociais); 
compromisso com a resolução dessas problemáticas, por 
meio da proposição e implementação de ações e proje-
tos; acolhimento e valorização da diversidade de indiví-
duos e de grupos sociais.
Os processos de ensino e aprendizagem que almejam 
o desenvolvimento do protagonismo juvenil não podem 
prescindir, por exemplo, da investigação das relações entre 
o contexto sociopolítico do Brasil contemporâneo e seu 
passado colonial e escravocrata, bem como sua inserção 
no mundo industrial capitalista. A persistência da margi-
nalização, de precárias condições de vida e de desrespeito 
aos direitos de cidadania dos povos indígenas e das po-
pulações afrodescendentes é uma face desse problema, 
hoje intensamente combatida por pleitos e lutas desses 
grupos que devem ser identificados e analisados, a fim de 
estimular o engajamento dos estudantes na resolução das 
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desigualdades étnico-raciais. Isso se mostra ainda mais re-
levante quando se considera que as vivências cotidianas 
de muitos estudantes da rede pública são influenciadas 
por essas heranças do passado. Assim, trabalhar essas te-
máticas de maneira integrada, crítica e propositiva pode 
possibilitar genuínos exercícios de protagonismo.
Nesse sentido, o trabalho pedagógico não deve se 
restringir à mera exemplificação conceitual, isto é, à sim-
ples indicação de fatos ou acontecimentos, e sim propor 
atividades de colaboração coletiva significativas. Essas ta-
refas devem se basear em dados e fontes confiáveis, in-
ter-relacionar todas as áreas do conhecimento, além de 
saberes específicos, com o intuito de propiciar aos estu-
dantes diferentes oportunidades de aplicação teórica ou 
prática dos conteúdos aprendidos, por meio da articula-
ção de competências e habilidades previstas na BNCC. 
As proposições para a resolução de demandas que en-
volvem a convivência comunitária ou citadina podem, 
por exemplo, envolver a produção de projetos artístico-
-culturais, a criação de aparatos técnicos ou o desenvol-
vimento de produtos, bem como a implementação de 
processos de mediação de conflitos.
Além disso, as práticas pedagógicas de protagonismo 
juvenil supõem a consideração de pontos de vista diver-
sos e mesmo contrários e a tomada de decisões comuns 
para a realização do bem coletivo, como orientam as com-
petências gerais 6, 7 e 9. Entre essas decisões, podem ser 
mencionados aspectos de grande preocupação das Ciên-
cias Humanas e Sociais Aplicadas, tais como o respeito aos 
direitos humanos (competência específica 5, em especial), 
a consciência e a preservação socioambiental e o consu-
mo consciente e responsável (competência específica 3). 
Desse modo, a promoção do protagonismo juvenil opor-
tuniza aos estudantes variadas experiências de autoconhe-
cimento, de reconhecimento do outro e de participação 
coletiva – em síntese, de cuidado de si e dos outros.
Por conseguinte, os planejamentos pedagógicos tam-
bém devem se adequar às modalidades de ensino a se-
rem oferecidas e ao contexto de vida dos estudantes. A 
escola deve considerar a construção da autonomia inte-
lectual e a autoria dos estudantes na definição de seus 
projetos de vida, em suas escolhas profissionais e no pros-
seguimento dos estudos após o Ensino Médio; no entan-
to, ela também precisa ponderar as condições e dilemas 
econômicos, sociais e culturais de cada comunidade es-
colar para poder atendê-la melhor e se envolver com ela. 
Nesse sentido, os professores devem estar abertos para 
flexibilizar seus planejamentos e cronogramas.
A escola que promove o protagonismo juvenil se 
compromete com a criação e a defesa de modos de so-
ciabilidade mais justos, inclusivos e solidários. Assim, rea-
liza também sua mais profunda vocação: a formação 
plena dos estudantes para o exercício da cidadania. Esta 
coleção fornece alguns subsídios para isso, em diversas 
atividades que valorizam não só as experiências anterio-
res dos estudantes, como também a capacidade que eles 
têm de construir novas experiências e conhecimentos. 
Com este material em mãos, cabe aos docentes da área 
mediar, pôr em prática, adaptar e ampliar as propostas 
conforme o contexto de cada turma e de cada escola.

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