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O desenvolvimento do jovem no



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Humanitas.doc - Volume 3
 
O desenvolvimento do jovem no 
Ensino Médio e a construção da 
autonomia
De início, é preciso ressaltar que todo educador que 
atua no Ensino Médio deve observar que o corpo 
discente – formado em maior número por adolescentes 
e jovens – não configura um grupo homogêneo nem 
mesmo quando os estudantes integram a mesma faixa 
etária. Eles se constituem subjetivamente de modo diver-
so e vivem condições socioeconômicas e expectativas de 
futuro profundamente díspares. Dado que essas diferen-
ças impactam nos processos de ensino e de aprendiza-
gem, todo educador deve se orientar por duas diretrizes 
ético-políticas fundamentais: o respeito à diversidade e o 
combate à desigualdade escolar.
Nessa perspectiva, a escola acolhe a juventude em 
suas diferenças, reconhecendo os jovens como sujeitos 
ativos, críticos e criativos, além de produtores de sua pró-
pria cultura. Tal postura demanda dos educadores que 
também se lancem na compreensão da adolescência co-
mo um constructo de caráter histórico e cultural, como 
a própria coleção apresenta ao estudante nos capítulos 
que abordam juventude e família e parentesco. Inúmeras 
sociedades sequer consideram ou consideraram no pas-
sado esse conceito.
A palavra adolescente, do substantivo latino adoles-
centia (composto por ad e lescere) significa “crescer”, “nu-
trir em direção à maturidade”. Mas qual o significado des-
sa noção em nossa cultura? Segundo o psicólogo suíço 
Jean Piaget (1896-1980), formulador da epistemologia ge
-
nética, a adolescência não se configura apenas como uma 
etapa de transição biológica entre a infância e a fase adul-
ta. Nesse momento da vida, também em razão de distin-
tos processos de transformação de ordem cognitiva, emo-
cional, social e cultural, os adolescentes tornam-se capazes 
de considerar outros pontos de vista que não seus pró-
prios, aprofundando seus vínculos afetivos, além de alcan-
çarem formas de pensamento de caráter mais abstrato. 
Essas novas capacidades se aprimoram e se tornam pro-
gressivamente mais complexas até o estágio adulto.
Para essa corrente teórica, o desenvolvimento da in-
teligência é caracterizado por dois processos complemen-
tares e simultâneos: a assimilação e a acomodação. Nos 
processos de assimilação, o sujeito incorpora novos ob-
jetos ou esquemas às estruturas de pensamento conso-
lidadas. Já nos processos de acomodação, o sujeito reor-
ganiza seus esquemas de pensamento a fim de 
comportar melhor os objetos recentemente assimilados. 
Assim, por meio de ambos os processos, a cada estágio 
do desenvolvimento o sujeito aumenta sua capacidade 
intelectual e cognitiva.
Na etapa das operações concretas, por exemplo, a 
criança somente cogita o futuro a partir do que lhe é 
apresentado no plano real. Na adolescência, ao contrário, 
momento do pensamento operacional formal, a realida-
de pode ser elaborada para além dos elementos concre-
tos evidentes de uma situação ou de suas representações. 

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