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Humanitas.doc - Volume 3
aporofobia
. Nos últimos anos, grupos 
extremistas e anti-imigrantes têm se espalhado pela Europa.
Idosos jogam cartas em 
praça de Faro, Portugal, 
em 2019. Naquele 
ano, o país apresentou 
saldo populacional 
negativo pela décima vez 
consecutiva, segundo a 
Associação Portuguesa 
de Demografia. 
Aporofobia
medo e rejeição às 
pessoas pobres e à 
pobreza.
Lina Zavgorodnia/Shut
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A D I N Â M I C A P O P U L A C I O N A L 
B R A S I L E I R A
Ao longo das últimas décadas, a população brasileira tem passado por um 
profundo processo de alteração na sua estrutura populacional, que afeta o país 
em termos socioeconômicos. O acelerado processo de industrialização e urbani-
zação, assim como em outros países da América Latina, deixou fortes marcas na 
estrutura populacional do país.
O censo demográfico de 1872 apontou que existiam no Brasil pouco mais de 
10 milhões de habitantes. Em um país de dimensões continentais e baixa densi-
dade demográfica, a demanda por mão de obra e orientações políticas de caráter 
racista levaram o governo a estimular a imigração internacional, sobretudo eu-
ropeia, no final do século XIX e início do século XX. Ainda assim, em 1940, o Brasil 
apresentava de 41 165 289 habitantes, conforme dados do censo.
A partir de 1920, o país começa a apresentar crescente queda na taxa de mor-
talidade, apesar de as taxas de natalidade permanecerem altas, iniciando um 
acelerado crescimento demográfico. Entre 1940 e 1970, a população saltou de 41 
para 93 milhões de habitantes, com taxa média de crescimento de 2,8% ao ano.
Mesmo com a rápida queda da mortalidade e o aumento no ritmo de cresci-
mento, não houve mudança significativa na estrutura etária relativa da popula-
ção, pois a fecundidade manteve-se basicamente constante. Após a inserção de 
métodos contraceptivos no Brasil, o aumento da presença da mulher no mercado 
Em 2017, o termo aporofobia, criado pela filósofa espanhola Adela Cortina Orts, foi eleito a palavra do 
ano pela Fundação Espanhol Urgente (Fundéu). No seu livro Aporofobia, el rechazo al pobre: um desafío para 
la democracia, a autora apresenta o conceito, conforme transcrito a seguir:
[...] Pessoal de saúde bem treinado na Espanha interessa ao Reino Unido, e aposentados britâ-
nicos, que vêm à Espanha em seus últimos anos de vida para aproveitar o clima, interessam à 
Espanha. Nem um indício de aversão em ambos os casos; não parece que é o estrangeiro, pelo 
fato de o ser, que produz rejeição. Talvez gere insegurança no tratamento, porque a diferença de 
linguagem e costumes subtraem a familiaridade que se tem com os da mesma língua e tradições, 
mas não parece gerar antipatia e rejeição. 
[...] Os ciganos de sucesso também não incomodam no mundo do flamenco, nem rejeitamos 
investidores estrangeiros que montam em nosso país fábricas de automóveis, capazes de gerar 
emprego, centros de lazer, aos quais é permitido fumar em suas dependências e muitos outros 
privilégios. [...] a verdade é que as portas estão fechadas para os refugiados políticos, imigrantes 
pobres, que não têm mais o que perder que suas correntes, e aos ciganos que vendem papelotes 
de drogas em favelas e remexem em lixeiras. Portanto, o problema não é de raça, etnia, muito 
menos pelo fato de ser estrangeiro. O problema é a pobreza. E a coisa mais sensata a dizer neste 
caso é que existem muitos racistas e xenófobos, mas aporófobos, quase todos. É o pobre, o ápo-
ros, aquele que incomoda, até o da própria família, porque o parente pobre é vivido como uma 
vergonha que não é conveniente alardear, enquanto é um prazer mostrar o parente bem-sucedi-
do, bem colocado no mundo acadêmico, político, artístico ou nos negócios. É a fobia para com os 
pobres que leva à rejeição de pessoas, raças e grupos étnicos que geralmente não têm recursos 
e, portanto, não podem oferecer nada, ou parecem que não podem fazê-lo. 
CORTINA ORTS, A. Aporofobia, el rechazo al pobre: un desafío para la democracia. Barcelona: Paidós, 2017.
Tradução dos autores.

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