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Reforma protestante e Contrarreforma católica



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Arte - Volume único
Reforma protestante e Contrarreforma católica
No início do século XVI, a Inglaterra e a França não mais tolera-
vam a interferência do papa e o escoamento de riquezas do norte 
da Europa para a Itália, na forma de tributos religiosos. Esse des-
conforto com a Igreja precipitou a revolução protestante, inicial-
mente com Lutero, na Alemanha, e depois com Calvino, na Suíça. 
Apontando questões como a ostentação do papado e a ven-
da de indulgências, prática pela qual os fiéis pagavam à Igreja 
por um lugar no paraíso, o sacerdote alemão Martinho Lutero 
(1483-1546) se indispôs com o papa, foi excomungado e definiu 
diretrizes para uma igreja independente. Mais tarde, na Suíça, o 
francês João Calvino (1509-1564) formulou uma teologia mais 
radical, que excluía do cristianismo rituais como a música ins-
trumental e qualquer tipo de decoração no interior das igrejas. 
Diante desses movimentos, a Igreja católica iniciou a Contrar-
reforma, um conjunto de medidas que incluíram a reafirmação 
de antigos dogmas, a adoção de austeridade e a criação da In-
quisição, tribunal eclesiástico destinado a combater aqueles 
que se desviassem das práticas religiosas oficiais.
O Tempietto (pequeno templo) é um monumento dedicado ao martírio de São Pedro. 
Foi construído por Bramante em 1508, no pátio interno da igreja de São Pedro in 
Montorio, em Roma. Foto de 2007.
Bramante projetou o Tempietto usando proporções harmônicas e sintetizando 
os modelos históricos da Antiguidade e a arquitetura religiosa renascentista.
Albrecht Dürer. Adão e Eva. 1504. Xilogravura, 25 cm x 19,2 cm. Museu de Arte, Filadélfia, Estados Unidos.
Com 27 anos, Dürer ilustrou O apocalipse de São João. Nessas imagens, valendo-se ape-
nas da linguagem gráfica, o artista conseguiu criar efeitos admiráveis de volume, pro-
fundidade, luz, sombra e textura. Orgulhoso de suas obras, Dürer imprimia sua assina-
tura em lugar de destaque, neste caso na placa que pende de um ramo seguro por Adão.
Reprodução/Museu da Filadélfia, Filadélfia, EUA.
Giuseppe Dall’Arche/Corbis/Latinstock
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| CApÍtulo 12 | RenAsCimento |
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R
eprodução/Biblioteca Municipal Mario de 
Andrade, São P
aulo.
Foi através dos livros ilustrados que os eu-
ropeus entraram em contato com as primeiras 
imagens do Novo Mundo. Para além do oceano 
Atlântico, tudo era lenda: o mar era povoado de 
monstros marinhos; a terra, de animais gigantes e 
ferozes. Mas o que mais atraía a curiosidade dos 
europeus eram os costumes e os rituais dos indí-
genas nativos dessas terras.
O aventureiro alemão Hans Staden (c. 1525- 
-c. 1579) escreveu um dos primeiros relatos sobre 
o Brasil. Em 1550, Staden foi capturado por tupi-
nambás, vivendo entre eles durante nove meses 
e meio, até ser resgatado por marinheiros france-
ses que o levaram de volta à Europa. 
Preparo de carne humana, uma das imagens de Americae praeterita eventa 
(Eventos passados da América).
A edição mais conhecida dos relatos de Hans Staden foi a 
produzida pelo gravador e editor flamengo Théodore de Bry 
(1528-1598), como parte do terceiro volume de uma coleção 
sobre viagens a novas terras. Aqui vemos como os indígenas 
assavam a carne humana, segundo descrição de Hans Staden. 
Note que os indígenas foram representados pelos europeus 
como modelos renascentistas: a mulher à esquerda se parece 
com a Vênus de Botticelli.
O Maneirismo
Na última metade do século XVI a pintura 
de Michelangelo, Rafael e Leonardo havia al-
cançado tamanha capacidade técnica que pa-
recia impossível superá-los. Assim, os artistas 
da geração posterior vivenciaram uma espé-
cie de crise, a qual tentaram contornar traba-
lhando com temas intelectuais, empregando 
efeitos ópticos ousados, figuras em poses exa-
geradas, gestos enigmáticos e intensa força de 
expressão. Tais aspectos caracterizam a arte 
maneirista. 
Paolo Veronese. Cristo na casa de Levi, 1573. Óleo sobre tela, 5,56 m x 
12,8 m. Galeria da Academia, Veneza, Itália.
Esta enorme tela de Paolo Veronese (1528-1588) é um exem-
plo de pintura maneirista. O pintor recebeu a encomenda 
de uma Última Ceia para um convento de Veneza. Depois 
de pronta a pintura, Veronese foi convocado a comparecer 
ao tribunal da Inquisição, pois certos detalhes foram con-
siderados irreverentes para uma cena religiosa. Veronese 
incluíra cães, anões, bárbaros e bêbados em sua complexa e 
imensa composição. Para conciliar a situação, mudou o títu-
lo da tela, que passou a se referir a outra passagem bíblica: 
um banquete servido pelo coletor de impostos Levi.
Mary Evans/Other Images/Galeria da 
Academia, 
V
eneza, Itália.
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Andrea Palladio. La Rotonda, 1551-1553, 
Vicenza, Itália.
Nesta casa de campo aristocrática, 
que é o mais famoso edifício de Palla-
dio, o arquiteto concretizou seus prin-
cípios teóricos. Ele usou proporções 
ideais, simetria e as ordens clássicas, 
que aparecem nas colunas e pórticos 
evocando templos gregos. No interior 
há um átrio coberto por uma cúpula.
Entre os arquitetos do século XVI, o italiano 
Andrea Palladio (1508-1580), cujos projetos fo-
ram edificados na região de Veneza, se destacou 
como um grande teórico, mas também um reali-
zador prático. Algumas de suas vilas foram deco-
radas por Veronese. 
Hoje entendemos o Maneirismo como um pe-
ríodo de transição, mas é possível perceber que 
algumas características já surgiam na obra dos 
artistas do final do século XVI, prenunciando 
um novo período da produção artística euro-
peia: o Barroco.
Danilo Donadoni/Easypix
Quem nunca ouviu falar do amor de Romeu e Julieta? 
Ou do príncipe com a caveira na mão dizendo “Ser ou não 
ser…”? Para quem já assistiu alguma de suas peças, pensar 
em Shakespeare é lembrar grandes tragédias, heróis em 
crise e grandes emoções.
O que nem sempre se imagina é o ambiente em que 
essas peças eram representadas. O teatro elisabeta-
no, que se desenvolveu na Inglaterra durante o rei-
nado de Elisabete I (1533-1603) e do qual William 
Shakespeare (1564-1616) foi o maior expoente, 
era frequentado por todos – do povo à rainha – 
e os atores proclamavam seus versos em meio à 
algazarra, aos vendedores ambulantes e ao chei-
ro de comida.

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