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A nova concepção da natureza e da História



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Arte - Volume único
A nova concepção da natureza e da História
Essa sociedade [renascentista], de pessoas que individual-
mente decidem e agem, está interessada em conhecer objeti-
vamente: 
a natureza, lugar da vida e de origem da matéria do 
trabalho humano; 
a história, que dá conta das causas e das 
consequências do agir; 
o homem, como sujeito do conhecer e 
do agir. 
Por que se pergunta tudo isso à arte e não, por exemplo, à 
ciência? É preciso ter presente que, nesse período, a ciência 
evolui mais lentamente; ainda está entravada por preconceitos 
doutrinários: as primeiras descobertas científicas do século XV 
aconteceram efetivamente por meio da arte e será um artista 
que abrirá, no fim do século, o curso de uma ciência autônoma, 
como, em outro campo, é autônoma a arte: Leonardo. Em se-
gundo lugar, o conhecer da arte é, conjuntamente, o conhecer 
e o fazer, ou melhor, é um conhecer fazendo, produzindo obras 
que são, ao mesmo tempo, fatos e valores. 
ARGAN, Giulio Carlo. História da Arte Italiana, de Giotto a Leonardo
v. 2. São Paulo: Cosac Naify, 2003. p. 130.
endo sobre o Renascimento
Leonardo da Vinci. Retrato de Lisa Gherardini, mais conhecido como Mona Lisa ou La 
Gioconda. 1503-1506, óleo sobre madeira, 77 cm x 53 cm. Museu do Louvre, Paris.
Nas primeiras pinturas renascentistas as figuras humanas eram repre-
sentadas a partir da observação de esculturas (como é o caso da Vênus 
de Botticelli) e, por isso, em geral aparentavam certa rigidez. Para evi-
tar esse problema, ao pintar a Mona Lisa, Leonardo deixou o contorno 
da figura pouco preciso, aplicando a técnica conhecida como sfumato 
(esfumado). Especialmente nos olhos e na boca, o artista usou um suave 
sombreado, que contribui para a expressão enigmática de sua modelo.
Leonardo da Vinci. Estudos do feto no útero. 1510-1513. Coleção Real 
Britânica, Londres, Inglaterra.
Para Leonardo, pesquisar a natureza era sobretudo um meio de 
adquirir conhecimentos sobre o mundo visível. Estudou ana-
tomia dissecando cadáveres e fazendo anotações e desenhos
como este que mostra um embrião desenvolvendo-se no útero. 
Algumas dessas páginas, hoje dispersas, se encontram em mu-
seus e bibliotecas em vários lugares do mundo.
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Michelangelo Buonarroti. 
A criação de Adão. 1508-1512. 
Afresco no teto da Capela 
Sistina, Vaticano.
A cena mais conhecida des-
se conjunto é A criação de 
Adão, na qual Michelangelo 
retrata o momento em que 
Deus transmite vida ao cor-
po do primeiro homem. 
Michelangelo aprendeu técnicas de afresco e 
desenho, mas seu interesse maior era pela escul-
tura. Afirmava ter aprendido essa arte observan-
do a coleção de esculturas clássicas da família 
Médici, ricos banqueiros de Florença. Diferen-
temente de Leonardo, sua maior fonte de inspi-
ração não era a natureza, mas a cultura. Miche-
langelo interessava-se pela história e foi poeta, 
arquiteto e urbanista.
O Papa Júlio II encomendou a Michelange-
lo a pintura do teto de uma capela erguida no 
Vaticano por seu antecessor Sixto IV; a Capela 
Sistina. Michelangelo trabalhou praticamente 
sozinho durante quatro anos. O conjunto está 
povoado de figuras, algumas representadas 
como esculturas, outras cheias de vida e em in-
tenso movimento. Os afrescos mostram passa-
gens do Antigo Testamento, como Deus criando 
o Sol e os planetas, a expulsão do Paraíso e o 
dilúvio. Mais tarde Michelangelo recebeu a mis-
são de representar o Juízo Final na parede do 
altar da mesma capela. 
Bridgeman 
Ar
t Library/Museus do 
V
aticano, R
oma, Itália.
Michelangelo Buonarroti. Pietà, 1498-1499. 1,74 m de 
altura x 1,95 m de base. Catedral de São Pedro, Vaticano.
O primeiro grande trabalho realizado por Miche-
langelo foi esta Pietà. Aqui, a Virgem Maria, que, 
por seu semblante jovem e belo, poderia estar car-
regando o menino Jesus, sustenta em seu colo o 
corpo sem vida de Jesus crucificado. O artista 
escolheu em Carrara, região do centro da 
Itália de onde é extraído o melhor mármo-
re do mundo, o bloco para este conjunto. Ele 
dizia que seu trabalho de escultor consistia 
em libertar as figuras que já existiam pre-
sas na pedra. 
E.Mogilnikov/Shutterstock/Glow Images/Catedral de São Pedro, Vaticano, Itália.
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| CApÍtulo 12 | RenAsCimento |
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Rafael (Raffaello Sanzio). Madona Sistina, 1513-1514. 265 cm x 196 cm. 
Óleo sobre tela. Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden, Alemanha.
Rafael dedicou-se diversas vezes ao tema da Virgem e o Meni-
no, e a pintura ao lado foi a última dessa série. Nesta compo-
sição, uma cortina revela a imagem celestial da Virgem, com 
expressão doce e maternal, que caminha sobre as nuvens sus-
tentando o filho. Ao fundo, em meio à luz difusa, o que parece 
ser pequenas nuvens são rostos de anjos. Outros dois anjos 
aparecem em primeiro plano, na borda inferior.
Quando chegou a Florença, Rafael já sabia 
produzir em suas telas a sensação de profundi-
dade e usar a técnica do sfumato para amenizar 
a rigidez das figuras. Nessa cidade encontrou Leo-
nardo e Michelangelo trabalhando a pleno fôle-
go. Rafael criou imagens simples, porém harmô-
nicas e cheias de vida. A sensação de perfeição 
transmitida por suas composições se explica em 
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