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Arte - Volume único
O livro medieval
Na Europa da Idade Média os livros eram feitos a mão, um por vez, usando­se 
pena, pincel e tinta. Finalizar um livro era tarefa para muito tempo, executada 
por monges e freiras nos monastérios, centros de cultura e educação da época.
O papel, inventado na China, não se tornou conhecido na Europa até 1400, de 
modo que os livros ainda eram de pergaminho, material feito a partir da pele 
de carneiro ou cabra. 
As tintas também tinham de ser preparadas. Alguns pigmentos, como o verde e 
o azul, eram importados de terras longínquas e custavam tanto quanto pedras 
preciosas. Em alguns livros ricamente decorados os artistas aplicavam folhas 
de prata e ouro. 
Nas cópias da Bíblia encontramos a escrita mais elegante e as melhores de­
corações produzidas na Idade Média. 
Mateus, o Evangelista. Iluminura do Evangeliário de Ebbon, 816-835. Biblioteca Municipal de 
Épernay, França.
Esta iluminura está num evangeliário (livro lido durante os ofícios religiosos) feito 
por um monge beneditino na França. Com traço movimentado, o artista expressou a 
intensidade do vento na paisagem e a força espiritual com que Mateus transcreve a 
palavra divina. 
endo sobre a Idade Média
Festas populares
Se se trabalha muito, em contrapartida pode­se desfrutar 
numerosos feriados e dias festivos como o Carnaval, que, 
apesar da desconfiança e da vigilância suscitadas pela 
noite, grávida de todos os perigos, seja a agressão dos va­
dios ou a do diabo, podem se prolongar em muitas noites 
incomuns.
[...] as festas, essencialmente religiosas, têm [na Idade Mé­
dia] uma dupla função: de regozijo e de repouso. Aqui tam­
bém comparece a inovação. Novas festas são criadas, es­
pecialmente urbanas; a mais importante e que tem grande 
e rápido su cesso é a festa de Corpus Christi, festa da eu­
caristia, nascida na cidade de Liège [hoje na Bélgica], dan­
do lugar a magníficas procissões, criando novos trajetos e 
novas formas cerimoniais. O Carnaval, que era na alta Idade 
Média uma festa rústica, camponesa, com forte conotação 
pagã, invade a cidade, urbaniza­se, e aí se introduz uma 
contestação ideológica. O Carnaval transforma­se em algo 
que se opõe à quaresma, combate a mentalidade peniten­
cial e ascética da religião cristã, faz triunfar o riso, que volta 
a ser, como na Antiguidade, algo próprio do homem, contra 
o pranto, expressão da contrição e do arrependimento que 
devem caracterizar o homem pecador.
LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. São Paulo: 
Ed. da Unesp, 1988. p. 58­59. 
G.D. Orti/AA/Other Images/Biblioteca Municipal de Epernay, França.
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Carlos Magno desejava um retorno à glória 
dos tempos do Império Romano, e por essa 
razão promoveu a cultura greco-romana, en-
comendando cópias de diversos textos da An-
tiguidade. Por outro lado, sua função como rei 
era conduzir seu povo à salvação através da fé 
cristã. Desse modo, fez vir de Roma mestres 
que ensinassem o canto gregoriano e, embora 
analfabeto (como muitos monarcas europeus de 
então), investiu também na produção de cópias 
das escrituras cristãs.
No ano 1000, estabeleceu-se na Europa o feu-
dalismo, sistema social que surgiu como respos-
ta às intranquilidades dos séculos anteriores. No 
sistema feudal, o senhor defende o vassalo, sem-
pre que este esteja a seu serviço. 
A igreja concentrava a população espalhada 
pelo campo, que nos domingos e dias de festa 
podia desfrutar desse espaço decorado e gran-
dioso. A igreja era a maior construção de toda 
a região, representando um ponto de referên-
cia na paisagem para os que vinham de longe. 
Era simultaneamente um espaço sagrado e um 
monumento cívico, porque ali eram guardadas 
as relíquias dos santos e sepultados os homens 
ilustres.
A construção de uma catedral gerava grande 
movimentação econômica e social. Essa obra 
coletiva, realizada ao longo de décadas ou sécu-
los, era a concretização de tradições passadas 
de pais para filhos.
As primeiras catedrais, chamadas pelos his-
toriadores de românicas, eram sólidas e pesa-
das, evocando o estilo romano de construção. 
Algumas eram até fortificadas e abrigavam os 
cidadãos em momentos de tumulto ou invasão. 
A arte islâmica na península Ibérica
Nos séculos IV e V, uma tribo germânica – os 
visigodos – fixou-se na Espanha, onde se con-
verteu ao cristianismo. No início do século VIII, 
devido a guerras sucessórias, os visigodos fi-
zeram alianças com os povos islâmicos. Com 
o governo enfraquecido por disputas internas, 
perderam terreno para os mulçumanos, que aca-
baram por dominar toda a região sul da penín-
sula Ibérica. 
Nas regiões conquistadas pelos muçulma-
nos, havia liberdade para a prática de outras 
religiões. Essa tolerância possibilitou um am-
biente multicultural em que a arte e a ciência 
floresceram. Os cristãos livres que viviam em 
território árabe eram chamados moçárabes.
Durante este período, os artistas cristãos 
adotaram a forma ornamentada da arte islâmi-
ca, aplicando-a a seus temas tradicionais.
Catedral de Santiago de Compostela,
1078-1122, Espanha. Foto de 1999.
A catedral de Santiago, em Com­
postela, é um exemplo de arquitetura 
românica. Com planta em forma de 
cruzeiro, tem três naves. A ausência 
de janelas na nave central propicia um 
ambiente de recolhimento e mistério.
Dave Bar
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| CApÍtulo 11 | Arte medievAl |
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Acima, o palácio Partal; ao lado, detalhe de um arco do palácio Nazaries. Construções de 

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