Pesquisa incluída no fim de cada capítulo: assistir, ouvir, ler, contemplar e percorrer os sites indicados, sem limitações à curiosidade. Entretanto, é na página Ação



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Arte - Volume único
Escarificações são incisões 
que causam cicatrizes na pele
realizadas intencionalmente.
Máscara, cultura Bwa (Bobo Ule), Burkina Faso, 1953. 
Museu do Quai Branly, Paris, França.
O povo Bwa, que vive em Burkina Fasso, tem uma rica tradição no uso de máscaras. 
Nesta peça, os círculos concêntricos em torno dos olhos remetem a uma coruja.
Máscaras, adornos 
e rituais
Apesar das diferenças que ocorrem nas expressões culturais dos nu-
merosos povos africanos, alguns aspectos comuns podem ser percebi-
dos na arte e nas tradições de todo o continente, tais como a primazia 
da escultura, a valorização dos rituais, o corpo como escala e como 
suporte e o importante papel social do adorno corporal.
Quase tudo o que é conhecido como arte africana foi esculpido, mol-
dado ou construído em três dimensões. Em muitos casos, até mesmo a 
pintura é aplicada em elaboradas formas tridimensionais, como se vê 
nas paredes das casas e nas máscaras.
Os objetos mais conhecidos da cultura africana são as máscaras 
usadas em rituais que podem celebrar, por exemplo, a mudança de 
estações ou a passagem da infância à juventude. Durante um ritual, a 
máscara pode transformar um velho em um ancestral, um doente em 
pessoa saudável ou uma criança em adulto. O mascarado não é uma 
pessoa imitando um espírito, mas alguém que manifesta uma entidade 
do mundo espiritual. 
Para os africanos a performance, que inclui música e dança, é a 
forma essencial de arte, envolvendo objetos e pessoas em ações cole-
tivas. Por exemplo, carregar as esculturas de um santuário cerimonial-
mente numa procissão ou festival. 
O adorno pessoal é também um aspecto importante da tradição 
cultural africana. Vestimentas e ornamentos são uma forma de comu-
nicação simbólica entre as pessoas e um traço identificador de cada 
cultura. Para diversas culturas do continente, a prática de pintura 
corporal, penteados complexos, escarificações e uso de joias tam-
bém identifica um papel social. 
Outro aspecto de destaque nas culturas tradicionais africanas são 
os elaborados padrões dos tecidos estampados. A técnica de estam-
paria pode ter sido introduzida pelo povo Akan, que vivia na África 
ocidental no século XVI. Este povo deu origem aos adinkras, conjun-
tos de símbolos aplicados a panos de algodão por meio de carimbos 
feitos com cascas de cabaça.
Labat/RMN/Other Images/Museu do Quai Branly
, P
aris, F
rança.
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Mascarados numa performance em Burkina Fasso.
Nesta foto de 1979, mascarados se apre-
sentam durante um festival para celebrar a 
colheita usando máscaras que representam 
animais da savana africana. Acompanhado de 
música, o mascarado pode dançar ou realizar 
uma ação dramática, interagindo com as pes-
soas ou com entidades.
Rapazes da etnia fulani durante o festival Gerewol
Nigéria, 2012.
Os povos fulanis, que vivem na região do rio Níger, 
são tradicionalmente pastores nômades. Essa forma 
de vida os impede de carregar muita coisa e por isso 
concentram suas riquezas em objetos pequenos, como 
joias. A vestimenta de uma pastora fulani pode reunir 
elementos raros, como pedras de âmbar trazidas do 
mar Vermelho, objetos metálicos e bordados, além 
de penteados elaborados e tatuagens. No festival 
Gerewol, em que os fulanis celebram a beleza e o en-
canto masculino, os participantes disputam provas e 
não devem mostrar sinais de fadiga. As mulheres ele-
gem um vencedor entre os dançarinos, proclamando 
sua beleza e virilidade. Esse festival reflete o deleite 
desse povo com a beleza corporal e está ligado ao 
prazer sexual e ao desejo de gerar crianças saudáveis.
Charles & Josette Lenars/Corbis/Latinstock
Philippe Mic
hel/Easypix
Tecido com estampa adinkra do povo 
Akan e o símbolo sankofa. 
Adinkra significa ‘adeus’, pois os tecidos 
estampados com esses padrões costu-
mam ser usados em ocasiões fúnebres. 
Esses símbolos têm significado filosó-
fico. Por exemplo, sankofa, um pássaro 
que olha para trás, significa: “Nunca é 
tarde para voltar e apanhar o que ficou”. 
Simboliza a sabedoria de aprender com 
o passado para construir o futuro.
Mic
hele Burgess/Alam
y/Glow Images
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O que você identifica como herança africana 
na cultura brasileira?
Trazida para as Américas com a diáspora da escravidão, a música de diferentes culturas e regiões da África deu origem a ritmos 
tão diversos quanto o samba, o 
jazz e a salsa. Essas influências se combinaram às tradições musicais de diferentes culturas, 
gerando novas sonoridades. É difícil estabelecer uma raiz para a música contemporânea, mas podemos afirmar que grande 
parte do que se ouve hoje no mundo se relaciona de alguma forma com os ritmos africanos.
GLOBAL
Você já ouviu música africana contemporânea? Ouça neste link o músico malinense Ali Farka Touré (1939-2006):
.
Para conhecer o músico nigeriano Seun Kuti (1983-), filho de Fela Kuti (1938-1997), criador do afrobeat, digite
SEUN KUTI num site de busca e escolha uma opção para ouvir músicas e assistir a vídeos. Você pode ouvir também 
a Rádio África, no site: />.
Leia um texto de Hermano Vianna disponível no link .
Buena Vista Social Club (Cuba, 1999). Direção: Win Wenders. 
Em 1996, o guitarrista norte-americano Ry Cooder gravou um disco com grandes músicos cubanos que estavam 
esquecidos. Dois anos depois, voltou à ilha na companhia do cineasta alemão Wim Wenders para filmar este 
documentário que privilegia a riqueza da música e a sabedoria dos veteranos. 
BRASIL
O Instituto Moreira Salles (IMS) tem um acervo de gravações antigas e originais dos primeiros sambas gravados no 
Brasil. Visite o site, clique em MÚSICA e veja os links para compositores como Noel Rosa, Mário Reis, Pixinguinha e 
muitos outros músicos influenciados pela música trazida pelos africanos escravizados.
Acesse: .
Para saber mais sobre vários blocos afro no Carnaval da Bahia, acesse o link:
.
O maracatu é uma tradição pernambucana vinda dos cortejos dos reis do Congo. O desfile, marcado pelo som 
imponente da bateria, se tornou uma tradição carnavalesca nas cidades da Zona da Mata de Pernambuco. Pesquise 
no portal: .
Veja o documenário Na rota dos orixás, disponível no link: cultura-brasileira-na-rota-dos-orixas
/>. Você vai conhecer as origens dos rituais de terreiros de Salvador e São Luís;
a comunidade em Benin, onde vivem descendentes de ex-escravos da Bahia que retornaram à África; a resistência 
dos negros na Bahia e no Maranhão pela cultura e religião afro-brasileiras.
LOCAL
Com o professor e os colegas, procure saber se onde vocês moram existem músicos ou grupos influenciados por 
ritmos africanos. Se possível, façam contato com esses músicos para uma apresentação na escola. 
PARA ENCERRAR
Conversem sobre as diferentes culturas do continente africano. O que vocês sabiam delas antes de ler o capítulo? O que desco-
briram em suas leituras e pesquisas? Reflitam sobre a questão:
(Acessos em: maio 2013.)
(Acessos em: maio 2013.)
Pesquisa
 ritmos africanos
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Faça aqui um registro desta experiência usando palavras
desenhos ou imagens.
Agora que todos já leram sobre a música do continente africano, 
ouviram diferentes ritmos e estilos e viram filmes e vídeos sobre 
a influência e o poder da música africana na cultura global e no 
Brasil, vamos “ouvir com o corpo” em uma experiência coletiva.

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