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Bhagavad Gita – A canção do divino mestre



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Arte - Volume único
Bhagavad Gita – A canção do divino mestre
O Mahabharata é o maior poema épico 
escrito em toda a história de todas as 
culturas. Compõe-se de cem mil es-
trofes divididas em cem capítulos, dos 
quais o Bhagavad Gita é o 63º-. Seu tema 
principal é a história dos descendentes 
do rei Bhárata, que vem a ser a própria 
história da Índia, que só é chamada por 
esse nome pelos estrangeiros; para os 
indianos ela se chama Bhárata.
O Bhagavad Gita narra o diálogo de 
Krishna com Arjuna, seu discípulo guer-
reiro, em pleno campo de batalha. 
Leia a seguir alguns trechos do poema, 
na tradução de Rogério Duarte (1939-), 
poeta, artista gráfico e músico brasileiro.
1
Sânjaya disse:
Vendo Arjuna entristecido,
com os olhos rasos d’água
e vencido pela dor,
o Supremo Senhor Krishna,
o exterminador de Madhu,
disse as seguintes palavras:
2
O supremo senhor disse:
Como foi que esta impotência
tomou conta de você?
Ela não condiz com quem
conhece o valor da vida,
e ela não o levará
aos planetas celestiais,
mas à infâmia e à desonra.
[...]
17
Aquilo que pelo corpo 
se espalha, dando-lhe vida,
é de natureza eterna.
Ninguém pode destruir
A nossa alma imperecível.
Uma característica da cultura védica foi um criativo e estimu-
lante clima de formulação filosófica e religiosa, perceptível na 
produção literária e musical. Filtrada pela civilização urbana que 
mais tarde surgiu no vale do rio Ganges, a cultura védica tornou-
-se a tradição cultural dominante de toda a península indiana.
18
Só o corpo material
certamente morrerá,
mas a entidade viva
é eterna, sem dimensão
e também indestrutível.
Lute, pois, com convicção,
Ó descendente de Bhárata.
DUARTE, Rogério. Bhagavad Gita –
Canção do Divino Mestre. Tradução,
Introdução e notas. São Paulo:
Companhia das Letras, 1998.
p. 17, 20, 47, 48, 49, 51, 52.
Cena do filme O Mahabharata (1989), direção 
de Peter Brook, que mostra Vyasa, o autor 
lendário, contando a epopeia que está sendo 
escrita por Ganesha.
O poema épico Mahabharata é fonte de inspi-
ração para artistas e pensadores da Índia e do 
mundo todo. Em 1989, o diretor inglês Peter 
Brook realizou um filme a partir do poema. Em 
1998, Rogério Duarte publicou uma tradução 
do Bhagavad Gita em português, acompanhada 
de um CD com trechos do poema cantados por 
brasileiros, entre eles Lenine, Arnaldo Antu-
nes, Elba Ramalho e Cássia Eller.
The Bridgeman 
Ar
t Library/K
eystone/Museu de Belas 
Ar
tes, Boston, EUA.
R
onald Grant/Mary Evans Picture Library/Diomedia
A batalha entre Arjuna e Karna. Rajasthan Kota, cerca de 1740. Aquarela opaca e ouro sobre 
papel. Museu de Belas Artes, Boston, Estados Unidos.
Uma rara representação da famosa batalha mostra Krishna, personagem divino, manejando 
o carro de combate de Arjuna, à esquerda, e caminhando também logo à frente com a roda 
que tirou do carro do adversário Karna. 
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Império Máuria 
Por volta de 700 a.C., as cidades voltaram a crescer, especial-
mente no norte. A Índia tornou-se um conjunto de reinos regio-
nais. O primeiro grande império a estender seu poderio por todo 
o território indiano, unificando-o (exceto o extremo sul), foi o da 
dinastia Máuria (322 a.C.-185 a.C.).
O rei Asoka, neto do fundador dessa dinastia, no auge de suas 
conquistas militares, após vencer uma sangrenta batalha encheu-
-se de remorso ao ver a desgraça causada ao povo e converteu-se 
ao budismo. Mandou então gravar em pedras os ensinamentos de 
Buda e difundiu sua doutrina por todo o império.
Além de erigir pilares de pedra para marcar os lugares em 
que Buda vivera, Asoka construiu também um grande número 
de estupas para guardar as cinzas de Buda.
Uma estupa é um santuário em 
forma de torre cônica ou encimado 
por uma cúpula, no qual geralmente 
se guardam relíquias sagradas.
Grande estupa de Sanchi, Madhya Pradesh, Índia. Século III a.C., ampliada em 150 a. C.-50 a.C.
Sanchi
já era um lugar sagrado de peregrinação quando o rei Asoka edificou esta gran-
de estupa, um dos primeiros exemplares da arquitetura budista. Ela faz parte de um 
complexo de monastérios encontrados nesse sítio arqueológico. Ao redor do templo há 
quatro grandes portões de pedra alinhados aos pontos cardeais. Neles foram esculpi-
das passagens da vida de Buda, mas em nenhuma dessas cenas Buda foi retratado em 
forma humana. 
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| CApÍtulo 4 | ÍNDIA |
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Santuário budista da caverna de Karla, em Lonavla, Maharashtra, Índia. Segunda metade do 
século I a.C.
Este é um dos mais completos exemplos da arquitetura budista escavada na rocha. Na 
entrada há um par de colunas como as construídas por Asoka. Do lado de fora, um re-
levo do casal divino evoca a harmonia da vida e a fertilidade. No interior (acima), uma 
abóbada escavada de 14 metros de altura é ornamentada com nervuras de madeira. Ao 
fundo do salão fica a estupa monolítica. 
Outros exemplos de arquitetura budista são os santuários esca-
vados na pedra, geralmente localizados nas proximidades de ro-
tas comerciais e esculpidos como peças inteiriças. Alguns eram 
pequenos aposentos individuais para meditação dos monges, 
outros eram grandes salões para congregar fiéis. Um desses 
santuários é o conjunto de 30 
cavernas em Ajanta
, escavadas e 
decoradas no período entre 200 a.C e 600 d.C.
Capitel de leões, do pilar construído por 
Asoka em Sarnath, Uttar Pradesh, Índia.
250 a.C., período Máuria. Arenito polido, 
2,13 m. Arqueological Museum, Sarnath, 
Índia.
Os pilares de pedra construídos por 
Asoka, provavelmente representavam 
a separação e a união entre os seres 
humanos e o mundo celestial. Este 
capitel foi colocado sobre um pilar de 
pedra para marcar em Sarnath, no nor-
deste da Índia, o lugar em que Buda, 
após vivenciar a iluminação, expôs 
seus primeiros ensinamentos. A base 
do capitel, em forma de flor de lótus 
com pétalas ainda fechadas, simboliza 
a presença do divino. No alto, os quatro 
leões alinhados aos pontos cardeais 
simbolizam provavelmente o alcance 
das palavras de Buda.
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Sensualidade, prazer
e abundância
Depois do Império Mogol (1400-1850), que 
disseminou o islamismo, e do domínio da In-
glaterra (1757-1947), que impôs costumes oci-
dentais, a Índia – onde vive hoje mais de um 
bilhão de pessoas – conta com enorme diver-
sidade cultural. Cada região tem sua língua, 
costumes e tradições, que entretanto 
apresentam algumas características 
em comum. De acordo com as escri-
turas sagradas, todas as artes na Índia 
têm origem divina. Por isso muitos ele-
mentos ligados à música, à dança e ao 
teatro apresentam aspectos religiosos 
que podem ser observados até os dias 
de hoje. O conceito de beleza, bastante 
diferente do ocidental, valoriza a pro-
fusão de ornamentos, texturas e cores, 
além de formas voluptuosas, que evocam sen-
sualidade e prazer. A abundância visual é consi-
derada auspiciosa e isso é um reflexo da crença 
na generosidade dos deuses. De maneira geral, 
a arte indiana é uma celebração da vida em to-
dos os seus aspectos.

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