Pesquisa incluída no fim de cada capítulo: assistir, ouvir, ler, contemplar e percorrer os sites indicados, sem limitações à curiosidade. Entretanto, é na página Ação



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Arte - Volume único
Tropicália e Parangolés, 1967
Por isso adoro as expressões coletivas como as Esco-
las de Samba: ninguém sabe quem inventou isso ou 
aquilo (a não ser as composições musicais, é claro); 
o importante é o todo onde cada um dá tudo o que 
tem. Minha experiência como passista da Mangueira 
é fundamental para que eu me lembre sempre disto: 
cada qual cria seu samba com improviso, segundo seu 
modo e não seguindo modelos; os que o fazem seguin-
do modelos não sabem o que seja o samba ou sambar.
A última entrevista, 1980
Eu é que inventei o nome. Depois o Caetano, que eu 
nem conhecia, fez a música e o nome ficou conhecido. 
De modo que eu inventei a Tropicália e eles inventaram 
o tropicalismo, que é uma outra coisa. Tem um negócio 
do catálogo de Londres, que o Guy Brett tirou de cartas 
e que é uma definição exata: “Tropicália é uma espécie 
de labirinto fechado, sem saída. Quando você entra não 
tem nenhum teto e os espaços nos quais o espectador 
circula estão cheios de elementos táteis. Conforme você 
penetra mais além, começa a ouvir sons que vêm de 
fora e de dentro também. E que mais tarde se revelam 
como sendo sons de um aparelho de televisão que está 
colocado no extremo fim dele.” 
oITICICa fIlHo, Cesar (org.). Hélio Oiticica. rio de Janeiro:
azougue editorial, 2009. (Coleção encontros).
2. a repercussão TropicalisTa
Embora Hélio Oiticica tivesse receio da apropriação, 
pela mídia, dos conceitos de sua instalação Tropicália, 
por acreditar que seriam banalizados e transformados 
em modismo, o movimento causou repercussões no 
design, na televisão, na moda e na propaganda. A es-
tética gráfica do Tropicalismo seguiu as proposições 
pluralistas já colocadas: a síntese entre o nacional e o 
internacional, a propagação da ideia de um país mes-
tiço e as abordagens políticas e sensoriais. Todo este 
ideário foi projetado nas imagens gráficas que embala-
ram os discos e que divulgaram os filmes, as peças e 
as exposições.
O baiano Rogério Duarte (1939-) realizou várias capas 
de discos e cartazes para filmes do Cinema Novo. Duar-
te absorveu em sua formação as ideias do design suíço, 
mas integrou em seu trabalho a influência das festas e 
da tipografia populares. O design, assim como a música, 
era uma forma de se comunicar com as massas.
Rogério Duarte, cartaz do filme 
Deus e o diabo na terra do sol, de 
1964, dirigido por Glauber Rocha, 
e capa Alegria, alegria, disco de 
Caetano Veloso de 1968.
No cartaz de Deus e o diabo 
na terra do sol, Duarte 
criou uma imagem forte 
fundindo o chapéu de couro 
do personagem Corisco com 
um disco solar luminoso. Na 
capa do disco de Caetano 
Veloso, Duarte lança mão 
de grafismos psicodélicos, 
cores vibrantes, desenho 
de quadrinhos e associação de imagens retiradas de contextos diversos para compor a complexa 
estética do Tropicalismo.
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eprodução/Copacabana Filmes
R
eprodução/Philips/Arqui
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o da editora
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manual do professor |
93
pesquisa – Tropicália
Professor, nesta pesquisa dê prioridade à cul-
tura brasileira. Visitar o site de Gilberto Gil, ouvir 
o disco Tropicália, visitar o site Tropicália, ler as 
letras das músicas. Se tiver mais tempo disponível 
vale a pena ver o documentário Uma noite em 67. 
Direção: Renato Terra e Ricardo Calil. Brasil, 2010, 
93 min.
sinopse 
O filme mostra a final do terceiro Festival da 
Música Popular Brasileira. Chico Buarque, Caeta-
no Veloso, Gilberto Gil com os Mutantes, Roberto 
Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo se apresentam
disputando o prêmio de melhor canção. Os artis-
tas selecionados tinham arquétipos definidos. Se-
gundo Chico Buarque, as canções compostas para 
competir no festival deveriam atender a um deter-
minado formato. Sempre de Smoking reclama da 
dura vida de “mocinho”. Permanece defendendo 
suas canções populares, resistindo ao Tropicalis-
mo. Segundo o jurado Sérgio Cabral, ovos foram 
atirados no palco. A pressão intimidou Sérgio Ri-
cardo, que após tentar negociar a atenção da pla-
teia, desistiu de executar sua música diante das 
vaias, arremessou seu violão para o público e saiu 
do palco. Depois, sem arrependimento, afirma que 
extravasou a opressão da ditadura. Roberto Car-
los foi convidado a interpretar um samba; nervoso, 
encara com respeito o julgamento do público e do 
júri. Temia-se o impacto que o rock americano po-
deria ter sobre a música popular brasileira e em 17 
de julho de 1967, dois meses antes do festival, um 
protesto tomou as ruas do Rio em plena ditadura: 
um movimento contra a guitarra. Gilberto Gil con-
ta que participou do protesto influenciado por Elis 
Regina, mesmo contrário à segregação territorial. 
Caetano era contra a passeata, incluir a guitarra 
era uma decisão política. Cantou Alegria, alegria 
que ficou em quarto lugar. Cantando Coca-cola e 
Brigitte Bardot
, percebeu que poderia expressar 
suas ideias em suas canções. Enquanto reuniões 
tentavam levantar a bossa nova, nascia o Tropica-
lismo. Gilberto Gil temia a reprovação do público 
e do júri e por pouco não deixou de se apresentar. 
A estética do rock de Gil e Caetano venceu os pre-
conceitos dos jurados. Edu Lobo vence o festival 
com a canção Ponteio, que continha todos os in-
gredientes: da política à melodia. 
para encerrar
Em um site buscador de vídeos, promova a audi-
ção da música Panis et Circenses, de Caetano Velo-
so e Gilberto Gil. 
Na segunda audição, peça que os alunos iden-
tifiquem e apontem um som incomum ou recurso 
musical utilizado nessa canção que tenha rompido 
com o padrão musical vigente. Possíveis respostas: 
Som de “moedas caindo”, som da vitrola sendo pa-
rada (voz vai ficando grave), vidro sendo quebrado 
no final, conversas na mesa de jantar.
Que música na sua opinião rompe com o pa-
drão musical vigente hoje?
Professor, deixe que os alunos se expressem. É 
importante conhecer o repertório dos jovens. O que 
eles ouvem? Pretende também promover a escuta 
de sons não musicais e permitir que o aluno se de-
pare com as dificuldades de gravar os sons ambien-
tes. O que eles acham que é transgressão do padrão 
musical e por quê?
ação – gravação
Professor, esta atividade pretende ampliar a 
concepção musical dos alunos. O compositor enca-
deia os sons e cria relações entre eles para produzir 
música. O universo é a sua orquestra. 
pesquisa – arTe neoconcreTa
Professor, dê prioridade para mostrar o trabalho 
dos artistas neoconcretos: Helio Oiticica, Lygia Clark 
e Lygia Pape, e os trabalhos do artista contemporâneo 
Ernesto Neto, que desenvolve os princípios de arte am-
biental, sensorial e interatividade em seus trabalhos.
Para a proposta da subseção 

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