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Psicanálise – Freud e o Surrealismo



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Arte - Volume único
Psicanálise – Freud e o Surrealismo
relata as 
experiências realizadas no período da guerra para
comprovar a existência do inconsciente, e o conta-
to do poeta francês André Breton com os primeiros
textos publicados pelo médico austríaco Sigmund 
Freud. O texto sugere que os surrealistas não alcan-
çaram seu objetivo de representar a imaterialidade 
do inconsciente em suas pinturas. 
Alguns artistas surrealistas defenderam ideias 
filosóficas, como o brasileiro Ismael Nery. Leia
abaixo um texto sobre Ismael Nery e o essencialis-
mo defendido por ele.
O cristo recrucificado em Ismael Nery
[...]
O visitante tropeça em tantos autorretratos na exposição 
que ficamos em dúvida se Ismael era narcisista ou essen-
cialista. Criador do essencialismo, filosofia que prega o 
equilíbrio entre o espírito e a matéria pela submissão aos 
princípios do catolicismo, Ismael desenhou seu corpo de 
modo compulsivo, primeiro com admiração e depois com 
a repulsa de quem viu, atônito, a degradação física pela 
tuberculose. O essencialismo, que dava muito valor à abs-
tração do tempo e do espaço, não foi capaz de conter sua 
ânsia de registrar o avanço da doença, em composições 
supostamente surrealistas, corrente que não conseguiu 
aprisionar Nery, apesar da amizade com Marc Chagall. Este 
foi o grande legado de Ismael Nery à humanidade.
Física e moralmente pronto para morrer aos 33 anos, ele 
transmitiu por meio destes trabalhos uma experiência que 
sintetiza justamente a ideia de unidade extraída do sofri-
mento que iguala todos os homens no sacrifício cristão. [...]
Para outro crítico, Tadeu Chiarelli, a retrospectiva, além 
de tirar Ismael Nery do esquecimento, coloca novamente 
em discussão a polêmica levantada por Mário de Andra-
de, que ficava chocado com a falta de apuro técnico dos 
pintores modernistas, em particular Nery. Definitivamen-
te, tudo o que ele não queria era ser um bom artesão, 
mas encarar a pintura “como um instrumento capaz de 
suportar a concreção de suas ideias”. Analisando os poe-
mas, pinturas e desenhos do artista, Chiarelli concluiu 
que os problemas enunciados numa tela bem poderiam 
ser transformados para outros registros. Fosse uma pai-
sagem metafísica emprestada a Giorgio de Chirico, nas 
figuras de casais chagallianos flutuando no céu ou nos 
torturados autorretratos, o que Ismael Nery procurava 
era a unidade dos seres, a fusão dos opostos, não um 
surrealismo rasteiro e anedótico. O que ele fez pode ter 
sido má pintura – e ele mesmo achava inútil pintar de-
pois de Tintoretto –, mas tem o apelo verdadeiro de um 
sacrifício pelo conhecimento humano.
GonÇalVes fIlHo, antônio. Primeira Individual: 25 anos de crítica de arte. 
são paulo: Cosacnaify, 2009. p. 158 e 160.
leiTura das imagens
Para esclarecer as diferenças entre os dois mo-
vimentos, compare duas colagens que foram repro-
duzidas neste capítulo.
Raoul Hausmann, o crítico de arte, 
colagem litográfica e fotográfica sobre 
papel, 31,8 cm x 25,4 cm, 1919-20.
Ironia
Crítica
Associação de texto e imagem
Jean Arp, Óscar Domínguez, Marcel 
Jean, Sophie Taeuber-Arp. Cadáver 
requintado, 1937. Centre Georges 
Pompidou, Paris. Lápis e colagem de 
ilustrações de revistas sobre papel
61,6 cm x 23,6 cm.
Associação de imagens
Automatismo
Trabalho coletivo

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