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O significado da arte para os egípcios



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Arte - Volume único
O significado da arte para os egípcios
Muitos exemplos comprovam que os antigos egípcios tinham 
grande sensibilidade estética e apreciação por coisas belas. No 
entanto, a arte, para eles, era acima de tudo utilitária. Acredita-
vam que uma figura era, de certo modo, aquilo que representava, 
o que a tornava capaz de evocar magicamente uma realidade. O 
artista participava, com seu trabalho, da tarefa central de toda 
a sociedade egípcia: manter a ordem do cosmo, impedindo que 
este fosse engolido pelas forças do caos. Trabalhando de forma 
adequada, o que incluía seguir o sistema rigidamente regrado 
das representações, poderia no mínimo obter uma posição e 
uma remuneração médias na escala social.
CARDOSO, Ciro Flamarion. Arte canônica e sociedade no antigo Egito
arte, sim; artistas, não. Apostila do curso Arte e visão de mundo no 
Egito Antigo, Casa do Saber, 2008, p.6.
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ulian de Dios/Shut
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O poderoso faraó Ramsés II, 
da 19 ª- dinastia, que governou 
de 1279 a.C. a 1213 a.C., uti-
lizou a arte para mostrar sua 
força. Entre os diversos monu-
mentos que construiu durante 
seu longo e próspero reinado, 
estão dois templos escavados 
na pedra no vale sagrado de 
Abu Simbel, que comemoram 
o sucesso militar na região da 
fronteira com a Núbia, de onde 
eram trazidos ouro, marfim e 
peles de animais exóticos.
Templo de Ramsés II e Nefertári, em Abu-Simbel, 
19ª dinastia, 1279 a.C.-1213 a.C.
O maior dos templos construídos em Abu- 
-Simbel é dedicado a Ramsés II. Na entrada, 
quatro enormes imagens do faraó, com cerca 
de 20 m de altura, intimidam os visitantes. 
Elas estão entremeadas com pequenas ima-
gens de outros membros de sua família, in-
clusive sua esposa Nefertári. O templo está 
orientado de tal modo que no equinócio os 
primeiros raios de sol iluminam em seu in-
terior as imagens de três deuses: Amon, Ra, 
e Osíris, este último com 10 m de altura e as 
feições de Ramsés II. A 150 m de distância, 
um templo menor é dedicado a Nefertári e 
a Hathor, deusa da fertilidade, do amor, do 
prazer e da música.
O Livro dos Mortos
No período do Novo Império, os egípcios passaram a acreditar 
que os mortos eram submetidos a um julgamento presidido por Osí-
ris. Com base na conduta da pessoa durante a vida, era decidido se 
seria engolida por um monstro com cabeça de crocodilo, o devora-
dor de almas, ou se desfrutaria da existência junto aos deuses. Para 
auxiliar o morto no julgamento, as famílias encomendavam rolos de 
papiro contendo textos mágicos, que eram colocados junto ao corpo 
mumificado. Os primeiros colecionadores de antiguidades egípcias 
chamaram esses rolos ricamente ilustrados de Livro dos Mortos.
papiro é uma erva aquática 
abundante nas margens alagadiças 
do rio Nilo. Seu longo talo pode 
ser cortado em finas fatias 
longitudinais. Dispondo essas fatias 
sobre uma superfície, obtém-se um 
material semelhante ao papel, sobre 
o qual se pode escrever e pintar.
Nestor Noci/Shut
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Papiro de Nakht, 18ª- Dinastia, 1350 a.C.-1300 a.C. Museu Britânico, Londres.
Neste trecho de um Livro dos Mortos, um escriba real e sua esposa estão de pé entre a casa e uma piscina ornamental. Veneram Osíris 
e a deusa Maat, que representa as noções de verdade, justiça, equilíbrio e ordem. Note que cada elemento é representado separada-
mente: a piscina e as árvores são vistas de cima e de lado, sem uso de perspectiva. Osíris é maior que Maat, o que significa que é mais 
importante por ser um deus masculino. O escriba também é maior que sua mulher. As quatro figuras estão representadas segundo a 
regra da frontalidade.
A arte do período de 
Amarna 
Houve um faraó, no entanto, que ousou modificar as regras: 
Amenhotep IV, em seus 17 anos de reinado, transformou radical-
mente a política e a vida espiritual e cultural do Antigo Egito. Mu-
dou seu próprio nome para Akhenaton (“filho de Áton”) e procla-
mou o deus Áton (outra designação de Amon, 
a divindade solar) como o único a ser venera-
do. Em honra a Áton também construiu uma 
nova capital, hoje chamada Tell el-Amarna, 
no médio Egito, uma região desértica até en-
tão desabitada. 
Akhenaton e sua família, 1348 a.C.-1336 a.C. Staatliche Museen, 
Berlim.
Este retrato mostra o rei Akhenaton, a rainha Nefertíti e 
suas filhas em uma cena informal. O rei e a rainha brincam 
com as crianças sentados em seus tronos acolchoados. Eles 
são representados do mesmo tamanho, expressando que 
não havia diferença hierárquica entre Nefertíti e Akhena-
ton. O casal real está sendo abençoado por Áton, o disco 
solar que espalha seus raios, símbolo do sopro da vida.
R
eprodução/Museu Britânico, L
ondres, Inglater
ra.
De Agostini/Getty Images/Museu Egípcio, Berlim, Alemanha.
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Acima, foto feita no dia da descoberta, 
28 de outubro de 1925. Griffith Institute, 
Oxford, Inglaterra. Abaixo, a máscara, hoje 
no Museu Egípcio, Cairo. 
As reformas religiosas feitas por Akhenaton provavelmente visa-
vam diminuir o poder dos sacerdotes, que havia crescido muito nas 
décadas precedentes, mas também atingiram as artes: as regras da 
arte canônica foram afrouxadas e representações um pouco mais 
livres puderam surgir. As imagens dos deuses foram substituídas, 
tanto em locais públicos como privados, por cenas domésticas 
do faraó e sua família. Sua esposa Nefertíti foi elevada a corre-
gente e passou a ser também considerada deusa.
A rainha Nefertíti, 1340 a.C. Pedra calcária, gipsita, 
cristal e cera. Altura: 51 cm. Staatliche Museen, Berlim.
Esta famosa escultura da cabeça de Nefertíti foi 
encontrada juntamente com muitos desenhos no estúdio do 
escultor Thutmose, em Tell el-Amarna. A imagem mostra de 
forma bastante realista a beleza e elegância da rainha.
endo sobre o Egito

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