Pesquisa incluída no fim de cada capítulo: assistir, ouvir, ler, contemplar e percorrer os sites indicados, sem limitações à curiosidade. Entretanto, é na página Ação



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Arte - Volume único
Processo colaborativo no teatro 
O Primeiro Manifesto Arte contra a Barbárie, 
lançado em maio de 1999 por grupos de teatro, 
artistas e intelectuais da cidade de São Paulo, 
trouxe à tona o debate sobre o incentivo estatal 
à produção e distribuição do teatro.
Os artistas viam que para fazer teatro era 
preciso buscar dinheiro por meio das leis de in-
centivo fiscal, com as quais as empresas podem 
destinar parte de seus impostos direcionando-os 
a iniciativas culturais. Nesse sistema, as decisões 
sobre quem deve receber os recursos fica nas 
mãos dos profissionais de marketing, que esco-
lhem montagens que reforcem a boa imagem das 
empresas para as quais trabalham. Para atraírem 
investimento, os artistas precisam adequar sua 
produção a exigências comerciais, como a de 
contratar atores famosos e encenar textos reno-
mados. Essa política deixa pouco espaço nos pal-
cos para a experimentação e a contestação. 
O movimento Arte contra a Barbárie buscava 
uma alternativa para a produção teatral, em que 
o poder público se incumbisse do financiamen-
to das produções. Em 2002 implantou-se a Lei 
de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo.
A partir dessa lei foi possível aos grupos de 
artistas reunirem-se em torno de projetos polí-
tico-estéticos, enfrentando as contradições da 
realidade social e buscando através do teatro 
um enunciado coletivo. Nesse modelo o teatro 
deixa de ser a reprodução do que um encenador 
concebe a partir de um texto escolhido. A peça 
muitas vezes se organiza sem um texto prévio, 
mas se constrói a partir de um atrito criativo en-
tre determinado problema da realidade e a ação 
de todos: ator, diretor, dramaturgo, iluminador, 
figurinista, cenógrafo, no chamado processo 
colaborativo.
 
Nesse modo de fazer teatro, todos os inte-
grantes têm voz ativa na criação, cada um se 
coloca a partir daquilo que faz.
O processo colaborativo expandiu o 
leque de ação do teatro. Em 1992, fun-
da-se o grupo Teatro da Vertigem, sob 
a direção de Antonio Araújo (1966-).
As primeiras montagens do grupo ti-
nham como tema a Bíblia, o sagrado 
dentro do mundo contemporâneo. 
Outros grupos atuam na cidade de 
São Paulo, como Companhia São Jorge 
de Variedades, Companhia do Latão, 
Grupo XIX, Pombas Urbanas, e Dolo-
res Boca Aberta Mecatrônica de Artes. 
Em 2009, a Cooperativa Paulista de 
Teatro tinha em seus registros mais de 
900 grupos cooperados.
Romeu e Julieta, peça encenada pelo grupo Galpão. Foto publicada 
em 2012. 
Em Minas Gerais destaca-se o grupo Galpão. Iniciado como teatro 
de rua, o grupo Galpão desenvolve sua pesquisa através das lin-
guagens do circo e da música (sempre ao vivo, tocada pelos pró-
prios atores), transpondo clássicos do teatro para uma linguagem 
brasileira, numa mistura de erudito e popular. 
O Livro de Jó, peça encenada 
pelo Teatro da Vertigem. 
São Paulo, 1995. Imagem do 
Acervo Idart/Centro Cultural 
São Paulo. Foto de João Caldas.
A Trilogia bíblica foi ence-
nada dentro de uma igreja, 
em um hospital abandona-
do e nos corredores e celas 
de um presídio desativado. 
No elenco de 
O Livro de Jó, 
a segunda peça da trilogia 
encenada pelo Teatro de 
Vertigem, estava Matheus 
Nachtergaele (1969-).
Eduardo Knapp/Folhapress
Guto Muniz/Arquivo da editora
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A tecnologia digital e a democratização da internet possibilitaram a produção e a divulgação de obras audiovisuais em tempo 
real. Vídeos, curtas, clipes, performances, documentários, paródias e qualquer tipo de manifestação estão hoje ao alcance de 
todos. Vídeos caseiros, simples e despretensiosos, podem se tornar um sucesso, com milhões de reproduções. Vamos assistir 
a alguns videoclipes históricos e também clipes contemporâneos feitos em um plano sequência, isto é, uma única tomada 
para toda a música.
GLOBAL
The Beatles – Yellow Submarine (1968 – 89 min.) 
Podemos chamar de primeiro videoclipe da história o filme Submarino Amarelo dirigido por George Dunning, animação 
realizada a partir das músicas dos Beatles, que foi lançada em 1968. 
Michael Jackson – Thriller (1982 – 13 min. 43 s.) Direção: John Landis. 
Faça uma busca na internet e assista a um dos videosclipes mais conhecidos da história: Thriller, de Michael Jackson.
Pesquise e assista a um trabalho da artista Pipilotti Rist, de 1990, em que ela faz uma dublagem da música You Called 
Me Jacky, de Kevin Coyne (1990 – 4 min.) 
Assista a um vídeo feito em plano sequência por 172 estudantes de comunicação: I Gotta Feeling, Montreal Students 
(2009 – 5 min.) Música: Black Eyed Peas. Direção: Luc-Olivier Cloutier e Marie-Eve Hébert. 
Assista a um vídeo feito em plano sequência pela banda norte-americana Ok Go. A banda conhecida pela complexidade 
de seus videoclipes usa mecânica, efeitos especiais e muito ensaio para sincronizar cada movimento com a música.
This Too Shall Pass, OK Go (2010 – 3 min. 50 s.) Direção: James Frost, OK Go and Syyn Labs.
(Acessos em: jun. 2013.)
BRASIL
A Velha a Fiar (1964 – 5 min. 37 s.) Direção: Humberto Mauro.
Música popular homônima cantada pelo Trio Irakitan. Este curta-metragem é considerado pelos críticos um dos primei-
ros videoclipes do mundo.
A banda mais bonita da cidade (2011 – 6 min.) Direção: Vinícius Nisi.
Conhecido clipe brasileiro com plano sequência. 
Para ver clipes de ritmos regionais, como o chamado Tecnobrega do Pará, procure vídeos da cantora Gaby Amarantos.
Para conhecer o rap paulista, procure: Mariô, de Criolo.
Para ver e ouvir o mangue beat pernambucano procure: Mestre Ambrósio.
Para conferir os clipes mais assistidos, novas bandas e ficar atualizado sobre a cena musical brasileira, visite o site
da MTV Brasil:
(Acessos em: jun. 2013.)
LOCAL
Como é o cenário musical em sua cidade? Existe, em sua cidade, um artista que tenha produzido um videoclipe musical? 
Converse com seus colegas e professor sobre os clipes que gostam e, se possível, apresente os seus preferidos. 
PARA ENCERRAR
Sobre os clipes com “plano sequência”: você percebeu em algum deles a existência de cortes escondidos por efeitos visuais? 
os clipes realmente foram feitos em apenas uma tomada? Quais? Como você imagina o processo necessário para gravar um 
clipe inteiro usando apenas uma cena?
Quais são seus clipes favoritos
Pesquisa
 videoclipe
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Depois de assistir aos clipes e dabater sobre eles, vamos criar, ensaiar e produzir um videoclipe utilizando apenas um plano 
sequência, uma tomada única, longa, em geral utilizando movimento de câmera. Quando bem realizado, impressiona pelo 
sincronismo, complexidade, estética e a movimentação da câmera. 

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