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Arte - Volume único
Olhando para nossa terra
Durante a década de 1970, o Brasil se voltou para seu interior. 
O governo militar inaugurou a Rodovia Transamazônica e criou 
a Fundação Nacional do Índio (Funai). O Parque Nacional do 
Xingu, já demarcado na década anterior, foi oficializado como 
reserva indígena. Por outro lado, o interesse pela natureza e 
pelas culturas não ocidentais aproximou intelectuais e artistas 
aos povos indígenas do Brasil. 
Na 13
a
Bienal Internacional de São Paulo, em 1975, em meio à 
grande presença da videoarte americana, a representação bra-
sileira causou impacto com a exposição Xingu Terra. Além das 
peças do acervo etnográfico dos irmãos Villas-Bôas e de pai-
néis fotográficos com paisagens da reserva do Xingu, foi cons-
truída uma maloca em tamanho natural no interior do pavilhão 
da Bienal. Na maloca era possível ouvir sons do cotidiano das 
tribos indígenas do Xingu.
Frans Krajcberg (1921-), artista polonês naturalizado brasi-
leiro, inicialmente produziu pinturas usando como pigmento 
o pó de rochas coloridas coletadas em Minas Gerais. Depois 
de 1975, passou a fazer objetos e esculturas com madeiras 
calcinadas por incêndios florestais.
O radicalismo da Arte Conceitual não resultou 
em nenhuma transformação política e tampouco 
mudou as regras das instituições e do mercado 
de arte. A mudança ocorrida a partir do final da 
década de 1970 foi que diferentes manifestações 
artísticas passaram a conviver e acontecer ao 
mesmo tempo na cena das artes visuais. Desde 
então, os movimentos não mais se opõem, como 
acontecera outrora com o Romantismo e o Neo-
classicismo ou com o abstracionismo geométrico 
e gestual nos anos 1950. Desde a década de 1980, 
as diferenças se complementam e, cada vez mais, 
um mesmo artista experimenta várias formas de 
expressão ao longo da vida. 
Maureen Bisilliat. Fotografia da série Xingu, década de 1970. Instituto 
Moreira Salles, Rio de Janeiro.
O trabalho pioneiro de Maureen Bisilliat (1931-), fotógra-
fa brasileira de origem inglesa, tem caráter antropológi-
co. Durante a década de 1970, viajou diversas vezes ao 
Parque Nacional do Xingu, produzindo ensaios fotográfi-
cos que se converteram em livros.
Museu dedicado a Frans Krajcberg, no Jardim 
Botânico de Curitiba, Paraná. Foto de 2008.
O artista viajou pela Amazônia e Pantanal 
documentando o desmatamento e coletan-
do materiais para seu trabalho. A arte de 
Krajcberg manifesta sua revolta contra a 
destruição da natureza.
Maureen Bisilliat/Acervo Instituto Moreira Salles
Andre Seale/Alamy/Glow Images
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| CApitulo 24 | Arte e ConCeito |
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Cartaz de Dona Flor e seus dois maridos, filme de 
1976 dirigido por Bruno Barreto. 120 minutos, 
colorido.
Dona Flor enviúva depois que o malandro Va-
dinho (José Wilker) morre durante o Carnaval 
carioca. Ela então desposa um farmacêutico 
(Mauro Mendonça) caseiro e apaixonado. O 
problema é que Vadinho retorna na forma de 
fantasma e a partir de então Dona Flor não 
consegue mais viver sem os dois. A música 
do filme foi composta por Chico Buarque. 
Em 1969, foi fundada a Empresa Brasileira de Filmes 
(Embrafilme), órgão estatal com o objetivo de administrar 
e desenvolver atividades cinematográficas. A pouca parti-
cipação da classe cinematográfica na estruturação da em-
presa, porém, foi recebida com reações negativas. 
A censura continuava a gerar conflitos entre os cineastas 
e o Estado. O filme Toda nudez será castigada, de 1972, 
adaptação de um texto de Nelson Rodrigues sob direção 
de Arnaldo Jabor (1940-), teve sua exibição impedida pelos 
órgãos de censura, apesar de financiado pela Embrafilme.
Em 1976, estreou Dona Flor e seus dois maridos. Ba-
seado no romance de Jorge Amado e dirigido por Bruno 
Barreto (1955-), o filme atraiu mais de dez milhões de es-
pectadores, um recorde histórico nacional, com Sônia Bra-
ga no papel de Dona Flor. Nem todo o cinema brasileiro 
da época, porém, foi financiado pela Embrafilme. A grande 
revelação comercial do período foram os filmes do grupo 
Os Trapalhões. 
O Cinema Marginal (Capítulo 23)
também caminhou 
sem respaldo da Embrafilme, conseguindo financiar cada 
nova produção com a renda obtida do filme anterior. Al-
gumas dessas produções ficaram conhecidas como por-
nochanchadas, por sua mistura de comédia com cenas 
eróticas. 
Os filmes realizados nessa época tinham caráter comer-
cial, em lugar dos discursos politizados dos anos anteriores, 
foram privilegiadas temáticas mais populares, adaptações 
literárias e comédias. Esta opção provo-
cou aceleração da atividade cinematográ-
fica, chegando-se a lançar uma centena de 
longas-metragens nacionais em um ano.

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