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Arte - Volume único
Renovação em Hollywood
Na década de 1970, uma nova geração de ci-
neastas contribuiu para o cinema americano se 
tornar um espetáculo ainda mais grandioso e lu-
crativo. Os diretores Martin Scorsese (1942-) e 
Francis Ford Coppola (1939-) realizaram filmes 
inspirados no cinema europeu, nos quais a nar-
rativa sofisticada, os personagens indecisos e as 
tramas complexas apresentavam uma visão crí-
tica da sociedade americana, focalizando temas 
como os efeitos da guerra do Vietnã.
Os cineastas Steven Spielberg (1946-) e Geor-
ge Lucas (1944-) consolidaram com seus filmes 
um modo de produção industrial que integrava 
marketing
, distribuição e exibição numa cadeia 
lucrativa de produtos midiáticos, como músi-
ca, jogos e brinquedos. Com esses diretores, o 
cinema tornou-se um espetáculo com efeitos 
tecnológicos e uma narrativa cheia de ação, em 
que o foco está na trama, mais que no caráter do 
personagem. 
Apocalypse now, filme de 1979 dirigido por 
Francis Ford Coppola. 
Durante a guerra do Vietnã, um capitão, tem 
a missão de encontrar e matar um coronel, 
que enlouqueceu e se refugiou nas selvas 
do Camboja, onde comanda um exército de 
fanáticos. Diante dos absurdos da guerra, o 
capitão vai perdendo suas certezas. 
Guerra nas estrelas, filme de 1977 dirigido 
por George Lucas.
O personagem Luke Skywalker se junta 
aos cavaleiros Jedi e a um mercenário 
para lutar em uma guerra intergaláti-
ca. A história posteriormente se des-
dobrou numa saga. Na foto, o perso-
nagem Darth Vader/Anakim Skywalker.
Taxi driver, filme de 1976 dirigido por Martin Scorsese. 
No enredo, um veterano da guerra do Vietnã, interpretado por 
Robert de Niro, é um motorista de táxi que trabalha à noite em 
Nova York. 
Michael Chapman/Columbia/The Kobal Collection/AFP/Other Images
Vittorio Storaro/Mary Evans/Diomedia
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Arte e conceito no Brasil
Cenário histórico
Com o apoio e financiamento do governo dos Estados 
Unidos, ditaduras militares instalaram-se no Brasil, Chile, 
Bolívia e Argentina.
No final de 1969, o general Emilio Garrastazu Médi-
ci assumiu o governo brasileiro, dando início ao período 
mais repressivo da história da república brasileira, em que 
os órgãos de imprensa, censurados, eram impedidos de 
denunciar abusos de poder. A prática da tortura e morte 
de presos políticos tornou-se cotidiana.
Apoiada pelo capital estrangeiro, a economia do 
país cresceu e foi aclamada como “o milagre brasileiro”. 
Na prática, entretanto, essa política econômica promo-
via apenas a concentração de renda, e não uma distri-
buição da riqueza na sociedade. 
Ao final do governo Médici, em 1974, a inflação e a dívida 
externa voltaram a crescer, alcançando 40% ao ano no final 
da década, durante o governo do general Ernesto Geisel. 
Em 1978, uma greve nas indústrias automobilísticas da 
região do ABC paulista marcou o surgimento de um novo 
movimento sindicalista. No ano seguinte, a Lei de Anistia 
foi aprovada e iniciou-se um processo gradual de rede-
mocratização do país.
Elke Maravilha na capa da edição 78 de O Pasquim, 1970.
A “turma do Pasquim” era símbolo da boemia cario-
ca. Seus integrantes produziam o jornal com descon-
tração. Usando linguagem visual e textos informais, 
a publicação trazia entrevistas com figuras polêmi-
cas, afirmações irreverentes e muito deboche. Foi 
um fenômeno editorial de vendas que atravessou os 
anos difíceis da ditadura. 
R
eprodução/Arqui
v
o da editora
Arte nos anos da ditadura
Na América Latina, a arte se tornou 
palco para o debate político. A arte per-
mitia refletir sobre as contradições dos 
projetos de modernização desses países 
no pós-guerra e também denunciar a 
crescente censura e a repressão políti-
ca. Um marco da estética da época foi o 
jornal O Pasquim, uma publicação ou-
sada que reunia aspectos da contracul-
tura e da crítica política. Lançado em 
1969, o jornal carioca tinha entre seus 
fundadores os cartunistas Jaguar (1932-),
Ziraldo (1932-), Henfil (1944-1988) e 
Millôr Fernandes (1924-2012). 
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| CApitulo 24 | Arte e ConCeito |
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Os artistas brasileiros trabalharam de diferen-
tes maneiras a realidade que vivenciavam, man-
tendo porém constante diálogo com movimentos 
estrangeiros como o Fluxus, a Arte Postal e a Arte 
Conceitual.
O artista carioca Cildo Meireles (1948-) na sé-
rie Inserções em circuitos ideológicos, iniciada 
em 1969, assumiu um enfoque político. Sua ação 
consistia em retirar um objeto cotidiano de circu-
lação, interferir nele e então devolvê-lo ao siste-
ma. Ele empreendeu essa interferência anônima 
em macroestruturas industriais e em mecanismos 
estatais, com a inserção de mensagens provoca-
doras em cédulas de dinheiro. 
O pernambucano Paulo Bruscky (veja Introdu-
ção) trabalhou com a Arte Postal, remetendo por 
correio imagens e mensagens xerografadas para 
um público diversificado. A Arte Postal foi pre-
cursora das formas digitais contemporâneas de 
divulgar ideias através das redes sociais. Bruscky 
manteve contínuo contato com o grupo internacional Flu-
xus e organizou em Recife, em 1975 a 1
a
Exposição Inter-
nacional de Arte Postal, que foi fechada pela censura do 
regime militar. 
Cildo Meireles. Projeto Coca-cola, da série Inserções 
em circuitos ideológicos, 1970. Texto estampado em 
garrafas de refrigerante, 1970. Novo Museu de Arte 
Contemporânea, Nova York.
Cildo estampou mensagens políticas nas gar-
rafas vazias do refrigerante que é símbolo má-
ximo do capitalismo estadunidense, utilizando 
tinta branca. Com as garrafas vazias, as men-
sagens ficavam quase imperceptíveis. Quando 
os frascos retornavam à fábrica e eram preen-
chidos com a bebida escura, lia-se claramente: 
YANKEES GO HOME (Gringos, vão para casa).
Paulo Bruscky. Título eleitoral cancelado. Xerografia, carimbos 
e selos. 1980.
Um dos trabalhos de Bruscky consistiu em uma 
cópia de seu título eleitoral com um carimbo não 
oficial de cancelamento. O documento, enviado 
sem envelope por correio a um amigo, questionava 
a utilidade de títulos eleitorais em um país em que 
por vários anos não houvera eleições amplas.
R
eprodução/No
v
o Museu de 
Ar
te Contemporânea, No
va 
Y
ork, EUA.
R
eprodução/Museu de 
Ar
te Moderna 
Aloísio Mag
alhães, R
ecife, PE.
Em 1971, Marika Gidali e Décio Otero fun-
daram em São Paulo o Ballet Stagium, compa-
nhia de dança reconhecida, desde o início, por 
seu engajamento político. Durante o período 
de ditadura militar, o Ballet Stagium abordava 
em seus espetáculos temas como a violência, o 
racismo e todas as formas de opressão. Como 
os censores não conseguiam perceber de modo 
claro estes conteúdos na dança, o Stagium le-
vou seus espetáculos – que inovavam também 
por utilizar a música popular brasileira como 
trilha sonora – a várias partes do Brasil, de norte 
ao sul, tendo se apresentado até em terras indí-
genas do Alto Xingu.
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Temas inTerdisciplinares
– arTe e anTropologia 
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