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Carlos Zilio. Identidade ignorada,1974



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Arte - Volume único
Carlos Zilio. Identidade ignorada,1974.
Gilvan Samico. Gravura para o livro Romance d’A Pedra do Reino e o 
Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna, 1971. 
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Diante da pluralidade 
contemporânea
A partir da década de 1970, o mundo vivenciou 
um processo gradual de globalização. Ao mesmo 
tempo, viu-se surgir um interesse cada vez maior 
pela cultura não ocidental, pela diversidade e 
pelas diferenças. Depois do movimento contes-
tador de 1968, na França, o foco da luta contra o 
sistema capitalista começou a mudar, passando 
da orientação marxista, centrada em questões 
econômicas e políticas, para um ativismo voltado 
ao potencial transformador da cultura. 
Ao questionar a ciência e a tecnologia, o movi-
mento ecológico confrontou o modo de vida que 
estava em curso desde a Revolução Industrial, 
impelindo artistas e intelectuais a apontar as 
contradições desse sistema e buscar alternativas 
para o futuro.
Os artistas percebiam a necessidade de se 
posicionarem politicamente em relação às 
principais questões sociais e de repensarem 
o papel dos museus, galerias e críticos. Uma 
tendência à valorização do conceito se estabe-
leceu, mas em cada lugar isso ocorreu de modo 
particular. As ameaças ambientais já preocupa-
vam alguns países, especialmente na Europa e 
na Ásia; as ditaduras militares eram o foco na 
América Latina; as minorias étnicas, sexuais e 
religiosas lutavam por uma maior inserção na 
sociedade, em todo o mundo. 
A arte globalizada forçou o sistema eurocên-
trico a voltar sua atenção aos países periféricos. 
As grandes mostras de arte se multiplicaram, 
tornando-se espaços de troca de valores cultu-
rais entre os artistas. A exposição Documenta, 
por exemplo – criada na cidade alemã de Kassel 
depois da ditadura nazista, visando conciliar a 
nova política alemã com a modernidade interna-
cional –, passou a ser um dos mais importantes 
eventos de arte no mundo.
A arte em movimento pelo mundo
Ainda na década de 1960, e seguindo o espí-
rito dos happenings (capítulo 23) e da negação 
do objeto de arte, organizou-se um grupo inter-
nacional: o Fluxus. O grupo procurava explorar si-
tuações efêmeras, e manifestar a energia vital co-
letiva. As performances do Fluxus, ao contrário 
daquelas realizadas pelos jovens ligados à Arte 
Pop, tinham um caráter político ou filosófico. 
Cartaz do grupo Grapus, de 1979, com foto de 
Philippe Guilvard. 
Jovens que haviam participado dos pro-
testos estudantis de maio de 1968, em 
Paris, reuniram-se para formar em 1970 
o Grapus, um estúdio de design gráfico 
dedicado a questões políticas, sociais 
e culturais. Trabalhando coletivamente, 
usaram imagens fortes, grafismos es-
pontâneos, letras manuscritas em suas 
criações. Em letras pequenas, no pé des-
te cartaz, há uma frase do dramaturgo 
alemão Bertold Brecht (1898-1956): “O 
prazer que os homens têm com a arte é o 
prazer que eles têm com a vida”.
P. Guilvard/Grapus/Arqui
vos de 
Aubervillier
s, F
rança
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| CApitulo 24 | Arte e ConCeito |
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Vários artistas. Flux Year Box 2, projetado e editado 
por George Maciunas. Caixa de madeira contendo 
inúmeros objetos de trabalho do grupo Fluxus, 20 cm 
x 20 cm x 8,5 cm. 1966. Centro Georges Pompidou, 
Paris, França. 
Produções coletivas faziam parte da prática 
do Fluxus. Na obra Flux Year Box 2, traba-
lhos de vários artistas (textos, imagens, 
objetos) foram reunidos em uma caixa. Em 
um deles – a Caixa de fósforos arte total, de 
Ben Vautier (detalhe acima)–, as instruções 
de uso expressavam a ironia radical do mo-
vimento: “Use estes fósforos para destruir 
toda a arte — museus, bibliotecas de arte 
— ready-madespop-art e toda obra de arte 
que eu tenha assinado — queime — qual-
quer coisa — guarde o último fósforo para 
este fósforo”.
A palavra latina fluxus significa ‘corrente-
za’. Artistas interessados em explorar a músi-
ca experimental, a poesia concreta e arte per-
formática, como a japonesa Yoko Ono (1933-), 
o sul-coreano Nam June Paik (1932–2006) e o 
alemão Joseph Beuys (1921–1986), foram se jun-
tando ao Fluxus. As atividades do grupo incluíam 
publicações, performances e arte postal. O gru-
po introduziu a ideia de interdisciplinaridade e 
de linguagem multimídia na arte. 
Em suas ações, o grupo Fluxus queria demons-
trar que o corpo é um agente construtor de signi-
ficados e tem grande potência de sensibilização. 
Yoko Ono se envolveu nas atividades do grupo, 
tanto em Nova York quanto no Japão. 
Yoko Ono. Pedaço para cortar. Performance, Tóquio, 1964; Nova York, 1965.
Nesta performance apresentada nas duas metrópoles, Yoko Ono 
convidava o público a subir no palco e com uma tesoura cortar-
-lhe a roupa. A proposta aproximava intimamente a artista de 
pessoas desconhecidas, numa situação de violência pouco explí-
cita. Provocadora e corajosa, Yoko Ono insinuava uma relação de 
subserviência, estimulando a plateia a refletir sobre o papel da 
mulher na sociedade.
Ben 
V
autier/Museu de 
Ar
te Moderna, MoMA, No
va 
Y
ork, EUA.
Minoru Niizuma©Y
oko Ono/Arqui
v
o L
enono.
Philippe Migeat/RMN/Other Images/MNAM, Centro Georges P
ompidou, P
aris, F
rança.
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Richard Serra. Suporte de uma tonelada (Casa de 
cartas), 1969 (refabricado em 1986). Quatro placas 
de antimônio-chumbo, 122 cm x 122 cm x 2,5 cm 
cada. MoMA. Nova York.
Reunindo quatro placas muito pesadas que 
se escoram mutuamente sem fixações ou 
reforços, Serra produziu uma escultura apa-
rentemente imóvel que, porém, nos sugere 
instabilidade. 
Quando menos é mais
O Minimalismo, movimento que surgira em 
Nova York em meados da década de 1960, op-
tara por uma abordagem simples e objetiva das 
formas, do espaço e da cor, propondo uma sínte-
se visual, na contramão da Arte Pop e do grupo 
Fluxus, que exploravam a variedade dos meios 
expressivos. 
Os minimalistas buscavam re-
sumir a realidade física a objetos 
sem efeitos decorativos ou ex-
pressivos. Para tanto, baniram os 
gestos subjetivos e os sentimen-
tos pessoais, negaram a represen-
tação, a narrativa e a metáfora e 
concentraram-se exclusivamente 
no trabalho artístico como fato físico. Eles tra-
balharam principalmente no campo escultórico 
utilizando materiais industriais, como aço, plás-
tico, lâmpadas fluorescentes e tijolos refratários, 
explorando a capacidade de interação entre a es-
cultura e o espaço.
Nam June Paik se destacou por explo-
rar de forma pioneira as possibilidades da 
videoarte. Paik operava com a imagem em 
movimento, com a performance teatral, 
com as possibilidades do som e a linguagem 
dos objetos. Sua produção extremamente 
variada tornou-se um marco da necessidade 
de transitar entre as fronteiras das diferen-
tes linguagens.

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