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Por que a escrita levou tanto tempo



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Arte - Volume único
Por que a escrita levou tanto tempo 
para surgir?
Um sistema de escrita é feito de dois componentes muito diferentes. Podemos nos 
referir a eles como [se fossem] o hardware e o software.
Os requisitos de hardware de um sistema de escrita são óbvios: é preciso ter algo 
em que escrever e algo com que escrever. Hoje em dia escrevemos em geral fazendo 
marcas com tinta em papel. A tinta não é um problema sério; os pigmentos usados 
pelos pintores rupestres do Paleolítico Superior serviriam para esta finalidade. O papel 
é produto de uma tecnologia mais avançada, que se desenvolveu na China por volta 
da virada de nossa era e só aos poucos se espalhou pelo resto do mundo. Antes da 
universalização do papel, houve grandes variações regionais naquilo em que os povos 
escreviam: argila na Mesopotâmia, papiro no Egito, bambu na China e assim por diante. 
Alguns materiais, como o papiro, exigiam uma preparação elaborada, mas outros, como 
a argila, poderiam ter sido facilmente utilizados no Paleolítico Superior. E, mesmo sem 
eles, nada teria impedido os artistas da época de acrescentar legendas às pinturas que 
faziam nas cavernas. O problema, portanto, não está no hardware.
Quanto ao software, a escrita requer um sistema de representação da linguagem 
– em outras palavras, uma maneira de transpor algo que ouvimos em algo que pos-
samos ver. 
Hoje, na maior parte do mundo, as pessoas o fazem por meio do alfabeto, em uma 
ou outra de suas inumeráveis variantes. Mas por mais simples que o alfabeto nos 
pareça, desenvolvê-lo não foi fácil. [...] O sistema alfabético de escrita que você está 
lendo agora não foi inventado na Europa Ocidental; ele deriva do usado pelos roma-
nos, que o receberam dos etruscos, que tomaram dos gregos, que o haviam tomado 
emprestado dos fenícios, que viviam na região em que ele foi desenvolvido original-
mente em algum momento do segundo milênio a.C. [...]
[...] Duas coisas em particular mostram como dominar o sistema de escrita da Meso-
potâmia, em seus primeiros tempos, era difícil. Primeiro, escrever era por si só uma 
profissão [...] ao passo que hoje a escrita é um pré-requisito para o exercício de pra-
ticamente qualquer atividade. Segundo, por mais que a praticassem, a escrita não 
era fácil nem para os próprios escribas: ao lado de suas tabuinhas que registravam 
informações úteis sobre carneiros e grãos, eles estavam sempre produzindo grande 
número de tabuinhas que serviam simplesmente como listas de referência de signos. 
O obstáculo ao desenvolvimento da escrita não residia nem na dificuldade inerente à 
obtenção do hardware, nem no desenvolvimento do software. O problema era antes 
a necessidade de uma estrutura social apropriada. Alguém tinha que sentir forte ne-
cessidade dessa tecnologia de informação, e estar disposto a pagar generosamente 
por ela, mantendo uma comunidade de escribas que nada produziam além da escri-
ta. Tal necessidade e tal disposição são as marcas de uma sociedade complexa, com 
um Estado poderoso – o que durante a maior parte da história humana significou 
alguma forma de monarquia.
COOK, Michael. Uma breve história 
do homem. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar Editora, 2005. p. 56-59.
Tabuleta de argila com escrita pictográfica. 
Jandet-Nasr, Iraque, c. 3000 a.C.
Erich Lessing/Album/Latinstock/Museu do Louvre, Paris, França.
Franck Raux/RMN/Other Images/
Museu do Louvre, Paris, França.
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| CApÍtulo 2 | MESopotÂMIA |
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Lira de uma rainha, Ur, 2600 a.C.-
-2400 a.C. Museu Britânico, Londres.
Esta lira ornamentada com cabe-
ça de touro (animal considerado 
divino) foi encontrada junto aos 
corpos de três mulheres e pode 
ter sido usada para acompanhar 
cânticos ritualísticos. A caixa de 
ressonância, de madeira, é deco-
rada com cenas em que os ani-
mais agem como homens. A peça é 
decorada em ouro, prata e pedras 
preciosas, como o lápis-lazúli. 
Os objetos mais significativos elaborados pelos sumérios foram 
encontrados em 1922 em um conjunto de tumbas próximo às ruí-
nas de Ur, no sudeste do atual Iraque. O 
sítio faz parte de um grande cemitério 
que foi usado durante três séculos, por 
volta de 2500 a.C. A maioria das tumbas 
era individual, mas algumas guardavam 
dezenas de corpos que parecem ter mor-
rido ao mesmo tempo, acompanhados 
de grande quantidade de joias e objetos 
fascinantes, como harpas, liras e um ta-
buleiro de jogo. Essas tumbas sugerem 
a morte coletiva de acompanhantes de 
algum monarca. 
Ao chegar o primeiro milênio antes 
de nossa era, as cidades-Estado já ha-
viam desaparecido e impérios como o 
dos babilônios e o dos assírios tinham 
se tornado a norma na região.
Os assírios
Em sociedades imperiais como a dos as-
sírios, que dominou toda a Mesopotâmia, o 
monarca era visto como mediador entre os 
deuses e os súditos. Os reis construíram ci-
dades fortificadas e palácios sobre platafor-
mas, de modo a marcar seu poder, impres-
sionar a população e intimidar possíveis 
invasores.
Assurnasirpal II construiu a capital assí-
ria em Nimrud por volta de 850 a.C. Cerca 
de 70 anos depois, Sargão II construiu uma 
nova cidade com a mesma finalidade, mais 
grandiosa, em Dur Sharrukin. Em outras 
sete décadas, aproximadamente, Assurbani-
pal estabeleceu a capital do Império Assírio 
em Nínive. 
Erich Lessing/Album/Latinstock/Museu Britânico, Londres, Inglaterra.
Touro alado do palácio de Sargão II, 713 a.C. Museu do Louvre, Paris. 
Figuras de um touro com asas de águia e cabeça de homem 
simbolizavam a força do exército assírio e podiam medir até 
4 metros de altura. Esculpidas nos portais dos palácios do 
rei, como guardiões protetores, têm cinco pernas. Quando 
vistas de frente, mostram-se imóveis, mas vistas de lado 
parecem estar em movimento.
Gianni Dagli Or
ti/De 
Agostini/Get
ty Images/Museu do L
ouvre, P
aris, F
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Estela de Hamurabi, que viveu de 1792 a.C. 
a 1750 a.C. Museu do Louvre, Paris.
O Código de Hamurabi, em escrita 
cuneiforme, foi gravado nesta pedra 
de basalto preto de cerca de 2 m de al-
tura. Trata-se de um conjunto de leis 
que especificava direitos, deveres e 
punições. No topo da pedra estão re-
presentadas as figuras do rei Hamu-
rabi e do deus Sol, o deus da justiça.
Portal de Ishtar, 652 a.C.-605 a.C. Museu Pergamon, Berlim. Foto de 2008.
O portal de Ishtar, construído como uma passagem sobre quatro torres, se erguia a uma altura de 30 metros. 
O monumento era revestido de cerâmica azul vitrificada e decorado com figuras míticas de dragões com ca-
beça de serpente. Parte do monumento encontra-se reconstruído no Museu Pergamon, em Berlim, Alemanha.
As paredes dos palácios eram decoradas com baixos-relevos 
de alabastro representando cenas de vitórias em batalhas de con-
quista, combates míticos entre homens e animais ferozes e cenas 
do rei participando de rituais religiosos. Nesses relevos é possí-
vel notar que os assírios tinham grande interesse em representar 
o tempo, usando imagens em sequência com o intuito de criar uma 
narrativa visual. 
Os babilônios
Babilônia é a cidade mais conhecida da antiga Mesopotâmia. 
Foi primeiramente centro do poder de um grupo de povos, os amo-
ritas, por volta de 1750 a.C., sob o comando do rei Hamurabi. É 
dessa época o primeiro registro conhecido de um conjunto de leis: 
o Código de Hamurabi.
Babilônia só voltou a ser a sede do poder mais 
de mil anos depois, em torno de 600 a.C., quando 
Nabucodonosor II, após a queda do Império As-
sírio, transformou a cidade no mais importante 
centro cultural, econômico e político da época. 
Babilônia se espalhou pelas duas margens do rio 
Eufrates, ligadas por uma ponte. Uma rua pavi-
mentada de pedra e betume, que cruzava a cida-
de até o Portal de Ishtar, era usada como espaço 
ritual para procissões em homenagem ao deus 
patrono da cidade, Marduk.


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