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participação corporal e tátil do espectador. Da confluência dessas



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Arte - Volume único

participação corporal e tátil do espectador. Da confluência dessas 
tendências surgiu uma proposição estética brasileira. 
O artista mais importante nesse sentido foi Hélio Oiticica, um 
visionário que criou uma obra autêntica e conectada com valores 
culturais brasileiros, como a escola de samba e a favela. Oiticica 
expandiu sua atuação, passando do plano da tela para o ambiente 
como um todo. Propôs um tipo de arte a que chamou de ambiental, 
e que hoje é conhecida como instalação.
A cidade era seu território e seu laboratório. Por ela caminhava 
apreendendo cada detalhe. No Rio de Janeiro, frequentava sem pre-
conceito o Morro da Mangueira e a Central do Brasil. Sua obra Tropi-
cália
, apresentada pela primeira vez na exposição Nova Objetividade 
Brasileira, inaugurou e batizou o movimento tropicalista. 
Caetano Veloso veste o Parangolé P4. Capa, de Hélio Oiticica, em foto de Geraldo Viola, 1968.
Na exposição Opinião 65, Hélio Oiticica mostrou pela primeira vez os Parangolés, es-
pécie de capas que foram vestidas por um grupo de sambistas do morro carioca da 
Mangueira. O Parangolé era uma forma de englobar o corpo à obra de arte.
Hélio Oiticica. Tropicália. Instalação, 1967.
Nesta instalação, Oiticica constrói um es-
paço que deve ser penetrado pelo especta-
dor. O artista utiliza elementos da realida-
de visual brasileira a fim de ambientar um 
local de experiências sensoriais. Entrar no 
espaço da obra obriga a pisar ora em areia
ora em pedras. Estruturas de madeira e te-
cido formam um labirinto que conduz a um 
televisor permanentemente ligado. A Tro-
picália propõe uma arte para ser vivencia-
da: arte tridimensional, ambiental. 
Projeto Hélio Oiticica/César Oiticica Filho
Tropicália
Caetano Veloso usou o nome “Tropicália” 
como título de uma canção. A canção e a instala-
ção se tornaram os marcos do Tropicalismo.
O Tropicalismo retomou as ideias da Antropo-
fagia que figuram no manifesto escrito por Oswald 
de Andrade em 1928 (Capítulo 18). Os poetas con-
cretistas Haroldo e Augusto de Campos (Capítulo 
22) retomaram a discussão da obra de Oswald, 
cuja peça O rei da vela (Capítulo 20) acabou por 
ser encenada pelo grupo Oficina em 1967. A mis-
cigenação, que distingue o povo brasileiro por sua 
origem peculiar – somos índios, negros e brancos 
–, presente na Antropofagia, foi um dos temas cen-
trais para os artistas tropicalistas.
Projeto Hélio Oiticica/Foto: Andreas Valentim
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A obra de Lygia Clark foi igualmente revolu-
cionária. A artista explorou inicialmente a série 
Os bichos
, que consiste em esculturas manipu-
láveis feitas de placas metálicas articuladas com 
dobradiças. Em seguida desenvolveu ideias origi-
nais, que ultrapassaram os limites da arte e abri-
ram possibilidades psicoterapêuticas em suas 
criações.
Lygia Clark. Diálogos: óculos. 1968.
Os interesses da artista em pesquisar 
os processos de interação humana 
e as dinâmicas de grupo acabaram 
levando-a a projetar objetos que pro-
punham um relacionamento entre as 
pessoas. Estes óculos, por exemplo
precisam de duas pessoas para ser 
usados. O objeto aguça a visão, obri-
ga à proximidade física e produz uma 
nova forma de ver o outro.
Lygia Pape. Divisor. Tecido recortado, 30 m x 30 m, 1968. Foto de 2010.
Esta obra, que só toma forma quando utilizada, reflete as 
preocupações coletivistas e corporais que emergiram na dé-
cada de 1960. Para vivenciar a obra, é preciso que haja um 
grupo e que cada um passe a cabeça por um dos recortes. 
O tecido unifica a multidão antes dispersa, transformando o 
coletivo em um corpo único. Na foto, cena da performance 
“Divisor”, MAM RJ, em 19/6/2010.
Lygia Clark desenvolveu uma série de experiên-
cias sensoriais, confeccionando roupas, máscaras 
e luvas que intermediavam o relacionamento entre 
corpos e objetos. Por fim, ela se dedicou à prática 
terapêutica, propondo objetos relacionais, a par-
tir dos quais seus pacientes podiam desenvolver e 
compreender melhor suas memórias e desejos. 
Outra figura fundamental nesse momento de 
transformação do cenário artístico brasileiro foi 
a carioca Lygia Pape. A artista propôs uma série 
de projetos em que experimentava linguagens di-
versificadas e questionava o comportamento e as 
instituições. Com a obra de Hélio Oiticica, Lygia 
Clark e Lygia Pape, as artes visuais no Brasil, as-
sim como já ocorrera com a arquitetura moder-
na nos anos 1950, passaram a ser fonte de novas 
proposições e novas formas estéticas no cenário 
internacional.
R
eprodução/Associação Cultural 

O Mundo de L
ygia Clark”
Luciana Whitak
er/F
olhapress
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| CApÍtulo 23 | Arte pop |
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Na década de 1960 a música popular brasilei-


ra ficou dividida em diferentes correntes musi-
cais, cada uma com seus artistas emblemáticos, 
que defendiam uma forma específica de fazer 
música. Os programas na televisão serviram 
para popularizar algumas dessas tendências da 
música popular brasileira, ou MPB – sigla criada 
nessa época para abarcar a variedade de estilos. 
O fino da bossa, apresentado por Elis Re-
gina e Jair Rodrigues, estreou em 1965 em São 
Paulo, na TV Record, e apresentava os sucessos 
da bossa nova. Na mesma emissora, o progra-
ma Jovem Guarda trouxe versões nacionais do 
rock. E, para completar as atrações musicais, 
havia os festivais de música, nos quais compo-
sitores concorriam com canções inéditas. Os 
mais conhecidos foram o Festival da Música 
Popular Brasileira, da TV Record, em São Pau-
lo, e o Festival Internacional da Canção, da TV 
Globo, no Rio. 

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