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Arte - Volume único
Arena, Oficina e CPCs
Naquele momento de tensão social, havia uma ambição radi-
cal de discutir e atuar diretamente na realidade, usando os meios 
teatrais como instrumentos. Entretanto, para fazer um teatro re-
volucionário era preciso encontrar uma forma nova. As peças do 
período imitavam a realidade dentro de um drama. Nessa forma 
teatral, em que interessam os indivíduos e seus problemas, eram 
retratadas as relações íntimas entre os personagens – algo como 
as novelas de televisão. 
Montagem de Eles não usam black-tie
de Gianfrancesco Guarnieri, pelo grupo 
Arena em 1958. Fotógrafo: Hejo. Acervo 
Idart/Centro Cultural São Paulo.
Nesta peça de estrondoso sucesso, o 
tema era nacional – uma greve de ope-
rários em uma favela carioca –, com 
ritmo bem brasileiro – samba. 
Reprodução/Arquivo da Editora
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Esse modelo não era eficiente, era necessário 
ao teatro se reinventar. Para enfrentar esse de-
safio, somaram-se ao Teatro de Arena o Teatro 
Oficina e os CPCs. 
O grupo de teatro Oficina surgiu em 1958 
como um grupo estudantil na faculdade de Di-
reito da Universidade de São Paulo. A tática do 
Oficina foi a montagem de textos estrangeiros 
com potencial para discutir o Brasil. A discus-
são era pertinente, mas o público se constituía 
majoritariamente de estudantes e intelectuais 
da classe média – um alcance bem restrito para 
uma arte que queria transformar a sociedade. 
Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), membro do 
Arena, percebeu essa limitação e buscou no Rio 
de Janeiro novos companheiros. A necessidade 
de falar às massas levou à fundação do primeiro 
CPC, em 1961.
O povo canta, disco de 1963, produzido pelo CPC.
Além do teatro, o CPC trabalhava com outras linguagens artísticas 
– música, literatura, artes plásticas, cinema –, e logo a iniciativa se 
espalhou pelo Brasil, com a ajuda da União Nacional dos Estudantes 
(UNE) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A arte era vista como 
um meio para ativar a revolução socialista. 
Arena conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, em 1967, em São 
Paulo. Fotógrafo: Derly Marques. Acervo Idart, Centro Cultural São Paulo.
O Arena usou como tema figuras da história nacional – Zumbi e Tiradentes –, re-
lacionando momentos do passado com aquilo sobre o que não se podia falar: a 
ditadura militar e o imperialismo estadunidense. 
Com o golpe militar, foi decretado o fim das organiza-
ções populares, dos movimentos sociais e da pluraridade 
de partidos políticos. As manifestações culturais da classe 
média sofreram repressão menor num primeiro momen-
to, o que garantiu a continuidade do Arena e do Oficina. 
Os princípios adotados por esses dois grupos se radica-
lizaram. O Arena adotou o teatro épico, criando o Siste-
ma Curinga, em que os atores se revezavam nos papéis 
durante o espetáculo. Também apostaram na música, um 
elemento de forte apelo para o público brasileiro. 
O Oficina, encabeçado por José Celso Marti-
nês Corrêa, percebendo sempre a mesma plateia, 
de estudantes e intelectuais de classe média que, 
bem ou mal, mantinham seus pequenos privilé-
gios, resolveu agredir literalmente os expectado-
res: atores sacudiam pessoas da plateia; usavam 
vísceras e sangue de boi em cena; incluíam ce-
nas de nudez. Não se tratava simplesmente de 
discurso, mas de acontecimento. Esse tipo de 
encenação, que ficou conhecido como Teatro de 
Agressão, questionava de todos os lados a situa-
ção confortável de seu público. 
Em 1968, porém, com o AI-5 e a censura, as 
perspectivas se restringiram. Entre prisões e 
exílios, o Arena e o Oficina deixaram legados 
que persistem até hoje. Zé Celso ainda dirige 
seu grupo, embora radicalmente reformulado. 
E as pesquisas de Augusto Boal no Arena ges-
taram as técnicas do Teatro do Oprimido, hoje 
praticado mundialmente.
CPC-UNE/Reprodução/Arquivo da editora
Derly Marques/Acervo Idart, Centro Cultural São Paulo.
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Irreverência visual
Em São Paulo, o grupo Rex, formado em 
1966 por Geraldo de Barros (Capítulo 22) e 
Nelson Leirner (1932-), entre outros, marcou, 
apesar da breve existência, o cenário das artes 
visuais com uma atitude irônica e polêmica. 
Seus integrantes estavam pouco interessados 
no debate político e mais preocupados com a 
aproximação da arte à vida. Eles promoveram 
os primeiros happenings no Brasil, fundaram 
Rex Gallery and Sons e publicaram o jornal 
Rex Time. A manchete da primeira edição 
já apresentava a irreverência do grupo, em 
letras garrafais: “Aviso: É a guerra”.
Nelson Leirner. Adoração (Altar para Roberto Carlos). 1966,
Catraca de ferro, veludo, imagens religiosas, tela pintada e néon,
205 cm x 105 cm, Museu de Arte de São Paulo (Masp). 
Leirner sempre trabalhou de maneira contestadora, no 
limite entre a escultura e o objeto. Sua obra desvenda os 
valores e as contradições de nossa sociedade e cultura. 
Neste trabalho ele ironiza o culto aos artistas e celebri-
dades televisivas.
Em abril de 1967, uma exposição no MAM 
do Rio de Janeiro, chamada Nova Objetividade 
Brasileira, reuniu trabalhos bastante variados, 
tendo como temas centrais a cultura urbana, a 
crítica social, a experimentação e a denúncia 
política. Dentre os participantes estavam os 
cariocas Rubens Gerchman (1942-2008), Lygia 
Pape (Capítulo 22) e Hélio Oiticica, a mineira 
Lygia Clark (Capítulo 22) e o paulista Nelson 
Leirner. O trabalho de Gerchman explorava a 
questão do bom gosto e mau gosto. Em algumas 
obras ele se apropriava da linguagem da cultura 
popular e apontava questões políticas de modo 
dissimulado.
R
eprodução/MA
SP – Museu de 
Ar
te de São P
aulo 
Assis Chateaubriand, São P
aulo, SP
Rubens Gerchman, A bela Lindonéia, a Gioconda dos subúrbios. 90 cm x 90 
cm, tinta acrílica, vidro bisotê e colagem sobre madeira, 1966. Coleção 
Gilberto Chateaubriand, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
Aqui, Gerchman associa uma manchete de jornal a um rosto fe-
minino pintado sobre um espelho. O rosto marcado sugere que a 
mulher foi agredida. Tanto a imagem quanto o título nos levam 
a pensar na hipótese de um acerto de contas amoroso. Por outro 
lado, o nome Gioconda é uma alusão ao retrato da Mona Lisa 
(Capítulo 12). 
R
eprodução/Museu de 
Ar
te Moderna do Rio de J
aneiro, RJ
.
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Muitos trabalhos da mostra Nova Objetividade comentavam 
a superação dos limites espaciais do quadro e propunham a 
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