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participou de exposições. Em sua maioria



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Arte - Volume único

participou de exposições. Em sua maioria
suas esculturas são manipuláveis e foram 
concebidas como objetos múltiplos, ou 
seja, passíveis de reprodução.
Isisuf/Arc
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ieira, Milano, Itália.
Geraldo de Bar
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TEMAS INTERDISCIPLINARES
ARTE E LITERATURA
..
Poesia concreta
Os poetas ligados ao movimento concreto, como Augusto de 
Campos (1931-), Décio Pignatari (1927-2012) e Haroldo de 
Campos (1929-2003), exploravam os aspectos visuais, so-
noros e semânticos das palavras. Foram eles os primeiros au-
tores a se interessar pelo trabalho com linguagens múltiplas: 
fotografia, cartazes, gravações de discos e filmes.
Uma característica da poesia concreta é a utilização da com-
posição gráfica das palavras, aproveitando o espaço da página 
e abandonando a disposição tradicional dos versos. A valori-
zação do visual levou esses poetas a criar o termo poema-objeto
Suas criações permitiam múltiplas possibilidades de leitura. 
A poesia concreta ganhou força com a publicação da revista 
Noigandres, em 1952.
Esse novo modo de pensar a poesia promoveu o diálogo dos 
poetas concretos, com a produção contemporânea de música, 
artes visuais e design construtivista. 
Augusto de Campos. Luxo. Poema concreto, 1965.
Augusto de Campos utilizou a sonoridade e a dispo-
sição dos elementos para formar a palavra ‘lixo’ a 
partir da repetição da palavra ‘luxo’. A passagem de 
uma leitura a outra se altera conforme a distância 
entre o leitor e a página impressa.
Arte Neoconcreta
Enquanto em São Paulo o Grupo Ruptura colocava em prática 
ideias construtivistas baseadas no rigor geométrico, no Rio de Ja-
neiro formou-se um contraponto: o Grupo Frente.
Em torno de Ivan Serpa (1923-1973), alguns artistas se organi-
zaram para montar uma exposição. Entre eles estavam Lygia 
Clark (1920-1988) e Lygia Pape (1927-2004). Em 1955, juntaram-se 
ao grupo, para uma segunda exposição no MAM carioca, Franz 
Weissmann (1911-2005) e Hélio Oiticica (1937-1980). O Grupo 
Frente não tinha uma posição estética única e suas produções va-
riavam de xilogravuras a objetos cinéticos. Segundo o crítico de 
arte e poeta Ferreira Gullar, “para esses artistas, a linguagem geo-
métrica não era um ponto de chegada, mas sim um campo aberto 
à experiência e à indagação”. 
O escultor Franz Weissmann começou a pesquisar materiais 
industriais, como chapas e cilindros de metal. Seu trabalho explo-
rava a constituição do espaço em seus dois aspectos complemen-
tares: o cheio e o vazio. 
Apesar das divergências, os grupos Frente e Ruptura realiza-
ram em 1956 a Exposição Nacional de Arte Concreta, que foi apre-
sentada em São Paulo e no Rio 
de Janeiro. Volpi participou da 
mostra como artista convidado. 
Após o evento, o Grupo Frente 
rompeu com os artistas de São 
Paulo e a polêmica que se se-
guiu desintegrou o movimento.
Reprodução/Augusto de Campos/Arquivo da Editora
Franz Weissmann, Torre, 1957. 
Na obra Torre o escultor repete um 
módulo, que consiste em duas faces de 
um cubo, das quais foram subtraídas 
circunferências.
R
eprodução/Coleção Museu de 
Ar
te Contemporânea da Uni
ver
sidade de São P
aulo. São P
aulo, SP
.
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Em 1959, os artistas cariocas se colocaram contra o exagero 
racionalista da arte concreta paulista. No Manifesto neoconcreto 
publicado no Jornal do Brasil, os neoconcretistas defendiam a 
liberdade de experimentação e a valorização das pesquisas indivi-
duais. A partir da década de 1960 esse grupo de artistas cariocas 
teve importante papel ao propor obras com as quais o espectador 
é convidado a interagir.
Design
brasileiro
Os jovens artistas e arquitetos da geração de 1950 queriam pro-
jetar objetos que pudessem ser produzidos industrialmente. Con-
sideravam necessário inventar um mobiliário moderno brasileiro 
que acompanhasse as linhas simples e despojadas da arquitetura 
moderna. A tarefa mobilizou Lina Bo Bardi, Geraldo de Barros e 
Sergio Rodrigues (1927-). Em São Paulo, a experiência de desen-
volver um projeto social voltado para a produção foi feita na fábri-
ca de móveis Unilabor, em 1954.
O carioca Sergio Rodrigues associou o móvel robusto da tradi-
ção ibérica à simplicidade das soluções indígenas, dentro de uma 
linguagem moderna. Em 1955, o arquiteto inaugurou a Oca, um 
misto de loja, galeria e estúdio que se tornou ponto de encontro 
de intelectuais cariocas. Sua criação mais conhecida, a poltrona 
Mole
, inova a partir da tradição. A estrutura de jacarandá torneado 
sustenta uma trama de tiras de couro sobre as quais repousa um 
almofadão composto de quatro partes articuladas. O estofamento 
parece maior do que a estrutura de madeira, dando a sensação 
visual de conforto e aconchego.
O pernambucano Aloísio Magalhães (1927-1982) foi pioneiro do 
design
gráfico brasileiro. Entre suas inúmeras marcas e logotipos, 
estão os da Petrobras, da paulista Comgás e da Bienal Internacio-
nal de São Paulo, todas elas ainda em uso. O poder de síntese vi-
sual de Magalhães e sua capacidade de articulação junto a órgãos 
de governo e empresários fizeram de 
seu escritório carioca, o PVDI, o mais 
atuante na florescente indústria bra-
sileira.
R
eprodução/Acerv
o do arista, Rio de J
aneiro, RJ
.
Geraldo de Bar
ros/Unilabor/Arqui
v
o da editora
Geraldo de Barros. Poltrona padrão UL 
projetada para a Unilabor. Década de 1950. 
Os móveis produzidos pela Unilabor 
seguiam formas simples. Feitos geral-
mente de madeira, ferro e revestimen-
tos, tinham estruturas modulares que 
permitiam a criação de vários mode-
los, recombinando as mesmas peças. 
Sergio Rodrigues, Poltrona Mole, madeira de lei maciça e couro, 
75 cm x 110 cm x 100 cm, 1957. Coleção Sergio Rodrigues, Rio de Janeiro. 
Este projeto conquistou o primeiro prêmio num concurso inter-
nacional de mobiliário na Itália, em 1961.
Aloísio Magalhães, Cédulas 
do cruzeiro novo, 1966. 
Reprodução/Acervo do artista
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Brasília, a cidade nova
Quando Juscelino Kubitschek decidiu pôr em 
prática o projeto (já presente na Constituição de 
1891) de uma capital que trouxesse desenvolvi-
mento ao centro do país, convocou mais uma vez 
Oscar Niemeyer para projetar os prédios públicos, 
repetindo a parceria da Pampulha (Capítulo 21).
O objetivo desse ousado empreendimento ur-
bano era reunir a ideia de renovação política à 
de renovação arquitetônica, agre-
gando significados estéticos à ad-
ministração de JK e criando uma 
cidade que simbolizasse país que 
se modernizava.
O palácio presidencial já es-
tava em construção quando foi 
aberto o concurso para o plano 
urbanístico da nova cidade. O 
projeto vencedor foi o do arquite-
to Lúcio Costa (Capítulo 20). 
Lúcio Costa, Plano-piloto para Brasília, 1956-1957.
O projeto para a organização territorial 
da nova cidade era estruturado a partir de 
uma cruz e inspirado na forma simbólica de 
um avião; dois grandes eixos se cruzam, o 
monumental (retilíneo), onde estão os edi-
fícios do governo, e o residencial (curvo), 
onde ficam as superquadras residenciais.
R
eprodução/Arqui
v
o da editora
Oscar Niemeyer. O Congresso Nacional em construção, fotografado por Marcel Gautherot em 1958. 
Marcel Gautherot (1910-1996) registrou a construção de Brasília em mais de três mil imagens, divulgadas em revistas de todo o mundo. A pri-
meira foto mostra o processo artesanal da moldagem do edifício de concreto, com operários instalando a armação de ferro do Senado Federal, 
uma das cúpulas do Congresso Nacional.
F
otos: Marcel Gautherot/Acerv
o Instituto Moreira S
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O projeto urbanístico se harmonizava com as 
propostas arquitetônicas. Contrariando a noção 
de que a arquitetura moderna não devia ser mo-
numental, Niemeyer deu destaque aos prédios 
estatais. Evitando a monotonia das soluções 
ortogonais postuladas pelo modernismo inter-
nacional, tirou partido da técnica do concreto 
armado para criar elementos novos em cada edi-
fício, o que resultou em um conjunto surpreen-
dente. Dentre os diversos projetos que fez para 
a cidade, destacam-se o Palácio da Alvorada, o 
Congresso Nacional, a Catedral e o Palácio do 
Itamaraty.
Inaugurada em 1960, 

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