Pesquisa incluída no fim de cada capítulo: assistir, ouvir, ler, contemplar e percorrer os sites indicados, sem limitações à curiosidade. Entretanto, é na página Ação



Baixar 4.71 Mb.
Pdf preview
Página173/353
Encontro16.07.2022
Tamanho4.71 Mb.
#24280
1   ...   169   170   171   172   173   174   175   176   ...   353
Arte - Volume único
arte cinética: propõe objetos e imagens 
que se movimentam ou causam efeitos 
visuais de movimento.
Arte_vu_PNLD2015_U3C22_296a315.indd 302
6/17/13 11:31 AM


| CApÍtulo 22 | os Anos CinquentA |
303
O rigor do 
design
europeu
Buscando resgatar a tradição construtiva da 
escola Bauhaus, alguns artistas e teóricos, como o 
suíço Max Bill (Capítulo 21) e o argentino Tomás 
Maldonado (1922-), fundaram a Escola Superior 
da Forma, em Ulm, Alemanha. A Escola de Ulm, 
como também é chamada, defendia os princípios 
da exatidão, composição e objetividade. Disci-
plinas de pintura e escultura foram excluídas do 
currículo por serem vistas como atividades que 
serviam à expressão pessoal. Para os teóricos de 
Ulm, o importante era ensinar o aluno a criar um 
método de trabalho para servir à sociedade.
Na Suíça, o design racional manifestou-se 
especialmente nos trabalhos gráficos. Para os 
designers
suíços, clareza e ordem eram as pala-
vras-chave da comunicação. 
Os designers desejavam valorizar sua profis-
são, que consideravam uma atividade útil para 
a sociedade. Essa valorização atraiu artistas e 
arquitetos para esse campo de atuação. Várias 
empresas europeias criaram equipes de design 
ou contrataram profissionais reconhecidos pa- 
ra desenvolver novos produtos. Algumas inven-
ções da época tornaram-se universais. 
Josef Müller-Brockmann. Der Film. Car taz, 1960. 
Proteja a criança!. Car taz, 1953.
O trabalho gráfico do arquiteto suíço Müller-
-Brockmann (1914-1996), professor da Esco-
la de Ulm, tinha por princípio a simplicidade 
elementar.
Caneta esferográfica (1950) e peças de brinquedo para montar.
A caneta esferográfica foi criada por um grupo de designers franceses. O brinquedo de montar acima, um conjunto de peças 
que se encaixam permitindo inúmeras combinações, é um exemplo do design dinamarquês. Alguns projetos da década de 
1950 são ainda hoje de uso cotidiano, o que evidencia as qualidades estéticas e funcionais possibilitadas por materiais 
como o plástico.
F
otos: R
eprodução/Arqui
v
o da editora
Kev Llewellyn/Shutterstock/Glow Images
Alex White/Shut
ter
stoc
k/Glow 
Images
Arte_vu_PNLD2015_U3C22_296a315.indd 303
6/17/13 11:31 AM


304
A geometria brasileira
O crítico Mario Pedrosa (1900-1981), que 
promoveu a arte e a arquitetura moderna, afir-
mou na época da inauguração de Brasília:
O nosso passado não é fatal, pois nós o re-
fazemos todos os dias. E bem pouco preside 
ele ao nosso destino. Somos, pela fatalidade 
mesmo de nossa formação, condenados ao 
moderno.
1
 
Para muitos, um novo país emergiria da 
intensificação da industrialização, da estéti-
ca moderna, das curvas da arquitetura bra-
sileira e da Bossa Nova. Nas artes visuais, a 
novidade se manifestou principalmente na 
arte construtiva.
Um dos precursores da arte geométrica no 
Brasil foi o italiano Alfredo Volpi (1896-1988). 
Na década de 1940, a abstração surgiu em seu 
trabalho com a simplificação das fachadas e 
culminou com elementos em forma de bandei-
rinhas, em sofisticadas composições de cores. 
A pintura de Volpi resultou do encontro de um 
artista popular com a arte erudita da elite. Ele 
reuniu elementos que nos anos 1950 pareciam 
inconciliáveis: a valorização da técnica arte-
sanal da pintura e um sofisticado uso da cor. 
A geometria de Volpi tem caráter mais poéti-
co que matemático: em suas composições, o 
artista parece ter encontrado um ponto sutil 
entre o rigor e a intuição.
O Brasil, “condenado“ ao Moderno
Cenário histórico
Eleito em 1950, Getúlio Vargas retornou à presidência 
com uma política voltada aos interesses populares, o que 
desagradou às elites. Depois de uma série de crises, 
Getúlio suicidou-se em 1954. 
No ano seguinte, Juscelino Kubitschek (1902-1976) foi 
eleito. Sua proposta de governo prometia um crescimento 
de “50 anos em 5” para o país. JK colocou em prática um 
plano de metas que previa estímulo aos setores de ener-
gia, transporte e indústria, bem como a transferência da 
capital para o Planalto Central. A indústria automobilís-
tica foi implantada e em 1960 já produzia mais de 300 mil 
unidades. O país cresceu a uma taxa anual de 8%, foram 
abertas estradas e Brasília foi construída. 
Embora essas conquistas tenham acelerado a inflação 
e provocado o crescimento da dívida externa, os brasilei-
ros acreditavam que o progresso transformaria o país.
Alfredo Volpi. Fachada. Têmpera sobre tela, 145 cm x 73 cm, década de 1960. 
Nesta tela, a composição foi construída sem muita rigidez e pin-
tada com tons não uniformes, que deixam a pincelada visível. 
R
eprodução/V
olpi © Imaginação/Coleção Mastrobuono/Arqui
v
o da Editora

PEDROSA, Mario. Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. São Paulo: Perspectiva, 1981. p. 347.
Arte_vu_PNLD2015_U3C22_296a315.indd 304
6/17/13 11:31 AM


| CApÍtulo 22 | os Anos CinquentA |
305
Arte Concreta
Em 1953, o artista suíço Max Bill veio ao Brasil para uma 
série de palestras e convidou Alexandre Wollner (1928-) para in-
tegrar a primeira turma da Escola Superior da Forma, em Ulm, 
Alemanha. Mas outros brasileiros, como a escultora Mary Vieira 
(1927-2001), também ali estudaram.
Em 1952, foi inaugurada no Museu de Arte Moderna de São 
Paulo a exposição Ruptura. Considerada o marco inicial da 
Arte Concreta no Brasil, a mostra foi organizada, entre outros, 
pelos artistas Geraldo de Barros (1923-1998), Waldemar Cor-
deiro (1925-1973) e Luiz Sacilotto (1924-2003).
O grupo defendia uma arte que estivesse a serviço da socie-
dade e respondesse às novas questões do mundo industrial. Para 
o grupo Ruptura, toda arte deveria ter uma base racional que 
garantisse sua clareza e universalidade. Os jovens propunham a 
unificação de arte, arquitetura e design e pretendiam alinhar a 
arte brasileira aos conceitos internacionais, acreditando que isso 
ajudaria a superar o atraso tecnológico e econômico do país. 
Geraldo de Barros produziu trabalhos em diversas áreas: 
pintura, fotografia, design gráfico e design de mobiliário. 
Luiz Sacilotto nasceu em Santo André, cidade industrial da 
região metropolitana de São Paulo. Trabalhou como projetista 
de esquadrias metálicas antes de se ligar ao Grupo Ruptura e foi 
um pesquisador da forma e da geometria. 
Luiz Sacilotto. Concreção 5715, óleo sobre tela, 80 cm x 80 
cm, 1957. Coleção par ticular.
Como o próprio título sugere, Sacilotto buscava 
concretizar, materializar a forma no plano da pin-
tura. São típicas de suas telas a organização serial 
dos elementos, a ambiguidade entre figura e fundo, 
e os efeitos ilusórios de profundidade.
Geraldo de Barros, Ateliê em Paris. Superposição de imagens fotográficas, 1951.
Geraldo de Barros foi o pioneiro da fotografia abstrata no Brasil. 
Trabalhando no laboratório fotográfico do MASP, começou suas ex-
periências com sobreposições e montagens diretamente no nega-
tivo fotográfico, criando o que chamou de fotoformas, como esta 
aqui mostrada.
Mary Vieira. Polivolume. 1953-1962, disco 
plástico e alumínio anodizado 36,7 cm x
36,7 cm x 33,4 cm, MAC-USP.
Mary Vieira já desenvolvia pesquisas 
pioneiras de escultura abstrata no inte-
rior de Minas Gerais quando mudou-se, 
em 1951, para a Suíça. Ali conheceu Max 
Bill, entrosou-se com artistas concretos e 
Baixar 4.71 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   169   170   171   172   173   174   175   176   ...   353




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal