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Arte - Volume único
A era do rádio e duas lendas do Nordeste
Dorival Caymmi e Carmem Miranda em foto da década de 1930.
O baiano Dorival Caymmi tornou-se conhecido do grande público 
ao acompanhar Carmen Miranda em um número musical do filme 
Banana da terra (1939), de Ruy Costa. A canção, composta por 
Caymmi, se chamava “O que é que a baiana tem?” e enaltecia as 
qualidades de sua terra. A voz grave de Caymmi e seu violão de-
dilhado logo impressionaram o público. 
R
eprodução/Acerv
o da F
amília Caymni
Luiz Gonzaga, em foto de 1956.
Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”, compôs mais de 500 músicas, 
sozinho ou com parceiros. Na companhia do mais conhecido de-
les, Humberto Teixeira, compôs o sucesso “Asa branca” (“Quando 
olhei a terra ardendo / qual fogueira de São João, / eu perguntei 
a Deus do céu, ai, / por que tamanha judiação”).
Luiz Alfredo/O 
Cruz
eiro/
EM/D.A P
ress
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| CApítulo 20 | Arte e soCiedAde |
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Alô, alô, chanchadas!
Grande Otelo e Oscarito em Matar ou correr, filme de 1954.
87 minutos, preto e branco. Direção de Carlos Manga.
Kid Bolha (Oscarito) e Cisco Kada (Grande Otelo) são aqui 
pistoleiros que sem querer nocauteiam o vilão da história. O 
filme é uma paródia do 
western americano Matar ou morrer, 
de 1952. 
Carmen Miranda e sua irmã Aurora 
Miranda no filme Alô, alô, Carnaval, de 
1936. Branco e preto, 75 min. Direção de 
Adhemar Gonzaga.
Alô, alô, Brasil e Alô, alô, carnaval mar-
caram a presença do rádio no cinema, 
pois contavam com a participação dos 
principais astros e estrelas radiofôni-
cos da época. A expressão “alô, alô” era 
uma forma de saudação usada pelos 
radialistas. 
Chanchada é o nome de um gênero do cinema brasileiro surgido 
na década de 1930: uma mescla de números musicais carnavalescos 
com histórias bem-humoradas vividas por personagens populares 
como o galã, o malandro, a mocinha e o vilão. As chanchadas surgem 
no momento em que o cinema hollywoodiano conquistava cada vez 
mais espaço no cenário mundial, em razão da chegada do cinema so-
noro. A presença maciça de filmes estrangeiros nas salas brasileiras 
incomodava a classe cinematográfica nacional, que defendia a in-
dustrialização do cinema no modelo de produção norte-americano. 
A primeira empresa cinematográfica a investir na construção de 
um estúdio moderno e bem equipado foi a Cinédia. O primeiro su-
cesso veio com A voz do Carnaval (1933), de Humberto Mauro. O fil-
me intercalava sequências filmadas nas ruas cariocas com cenas em 
estúdio. Com o bom resultado, a Cinédia seguiu produzindo filmes 
carnavalescos e obteve as duas maiores bilheterias da década, com 
Alô, alô, Brasil
(1935), dirigido por Wallace Downey, Alberto Ribeiro 
e João de Barro, e Alô, alô, carnaval (1936), de Adhemar Gonzaga.
No início da década de 1940, com a criação da Atlântida Cine-
matográfica, o cinema nacional ganhou novo fôlego. Inspirada no 
sistema dos grandes estúdios de Hollywood, a Atlântida tinha a 
chanchada como “carro-chefe” da empresa. Embora os elementos 
carnavalescos continuassem presentes, a música deixava de ser a 
atração principal. Tramas de suspense foram misturadas a sátiras de 
acontecimentos políticos da época e paródias da cultura norte-ame-
ricana. Surgiram os ídolos cinematográficos, não mais vinculados ao 
mundo da música. 
A dupla mais famosa da época era formada por Grande Otelo 
(1915-1993) e Oscarito (1906-1970), geralmente interpretando tipos 
populares, que com humor e carisma conseguiam gerar identifica-
ção imediata com a plateia.
As chanchadas constituíram no Brasil o maior fenômeno de bi-
lheteria de todos os tempos. Após um período de apogeu, o gênero 
foi se desgastando pela repetição das mesmas fórmulas. Vários ele-
mentos das chanchadas, já presentes no imaginário popular, foram 
incorporados à televisão por figuras como 
José Abelardo Barbosa de Medeiros (1917- 
-1988), o Chacrinha, Dercy Gonçalves (1905-
-2008) e Chico Anysio (1931-2012). Até hoje 
se pode notar a forte influência das comé-
dias cinematográficas cariocas em progra-
mas de humor da televisão.
R
eprodução/Edg
ard Brasil/Cinédia
Reprodução/Amleto Daissé/Atlântida Cinematográfica
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Qual a dificuldade de expressar 
algo apenas com o som?
Pesquisa
o rádio no 
cotidiano brasileiro
Acompanhamos neste capítulo a aproximação das linguagens artísticas a temas diretamente relacionados à realidade social. 
Vimos também a popularização de tecnologias que modificaram completamente o cotidiano das pessoas, como o cinema 
sonoro e o rádio. A produção radiofônica será o foco de nossa pesquisa.

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