Pesquisa incluída no fim de cada capítulo: assistir, ouvir, ler, contemplar e percorrer os sites indicados, sem limitações à curiosidade. Entretanto, é na página Ação



Baixar 87 Mb.
Pdf preview
Página155/353
Encontro16.07.2022
Tamanho87 Mb.
#24280
1   ...   151   152   153   154   155   156   157   158   ...   353
Arte - Volume único
A cultura e o bom vizinho
Em 1933 entrou em vigência a chamada “política da boa vizinhança”, estratégia 
de relacionamento dos Estados Unidos com os países da América Latina que 
prosseguiu até o final da Segunda Guerra Mundial (1945). Essa política consistia em 
usar a diplomacia, as relações econômicas e principalmente a cultura para impedir a 
influência de países europeus e manter a liderança estadunidense na região.
Para fortalecer os laços entre o Brasil e os Estados Unidos, uma série de ações 
culturais foi preparada. O Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York organizou 
uma exposição de arquitetura brasileira intitulada O Brasil constrói: arquitetura 
nova e antiga. Vários filmes americanos passaram a apresentar cenas filmadas 
no Brasil e a carreira cinematográfica da cantora Carmen Miranda (1909-1955) foi 
incentivada em Hollywood.
Durante a década de 1930, Carmen tornou-se a maior estrela da música, do rádio e 
dos cassinos no Brasil. Depois de estrelar um musical de grande sucesso em Nova 
York, foi convidada a participar de vários filmes em Hollywood. Em pouco tempo, 
tornou-se um símbolo da cultura latino-americana para o público estadunidense. A 
imprensa apelidou-a de Brazilian Bombshell: a Granada Brasileira.
Foi nesse contexto político-cultural que Walt Disney concebeu o personagem Zé 
Carioca: um papagaio de chapéu panamá que tocava pandeiro e era amigo de um 
estressado Pato Donald.
Cena de Alô, amigos, filme de 1942. 42 minutos, 
colorido, produzido por Walt Disney.
Zé Carioca e Pato Donald personificavam a 
amizade que a política da boa vizinhança bus-
cava garantir. No filme 
Alô, amigos (1942), os 
dois viajam pelo continente e na sequência 
final – Aquarela do Brasil – Zé Carioca guia 
o Pato Donald pelas paisagens cariocas em 
pleno Carnaval.
Ricardo 
Az
oury/P
ulsar 
Imagens
Wilfred J
ac
kson/Everet
t Collection/K
eystone
Arte_vu_PNLD2015_U2C20_264a277.indd 273
6/17/13 11:11 AM


274
O século XX começou com novidades no campo 
musical: a invenção da gravação sonora e a chega-
da do rádio ao Brasil. Antes de a gravação se tornar 
possível, a única forma de registrar música consis-
tia em escrever partituras, que só podiam ser lidas 
por quem dominasse teoria musical. A gravação 
sonora possibilitou ouvir música a qualquer hora e 
em qualquer lugar, sem depender de músicos e de 
seus instrumentos. 
Em 1924, a invenção da gravação elétrica permi-
tiu captar vozes menos potentes. O estilo operístico 
de cantar deu lugar a um tom mais informal e pró-
ximo da fala. Gêneros musicais como o maxixe e o 
samba ganharam popularidade. O rádio chegou ao 
Brasil em 1922, inaugurando a moderna era da co-
municação de massa e revolucionando o consumo 
de música em todas as regiões do país. Ouvir rádio 
passou a ser um hábito das famílias brasileiras e 
grande parte da programação diária era de música. 
Cantores, compositores e instrumentistas de 
todo o Brasil tentaram carreiras no Rio e em São 
Paulo, onde ficavam as estações emissoras. O rádio 
representava não só uma oportunidade de projeção 
nacional mas também de emprego. Cada estação ti-
nha seu elenco – verdadeiros times, que tinham até 
torcida – de cantores e compositores. 
Grandes nomes da música brasileira surgiram 
nesse período: Francisco Alves (1898-1952), Car-
men Miranda, Ary Barroso (1903-1962), Noel Rosa 
(1910-1937), Orlando Silva (1915-1978), Emilinha
Borba (1923-2005). O rádio permitiu o intercâmbio 
musical dentro do país e, do Nordeste, vieram dois 
nomes que modificariam para sempre a forma de 
compor no Brasil: Dorival Caymmi (1914-2008) e 
Luiz Gonzaga (1912-1989).
Caymmi mostrou para o Brasil um tipo de músi-
ca inspirado na cultura baiana, uma cultura praiei-
ra de grande influência africana, tanto na religião 
quanto na culinária e na forma de vestir. As compo-
sições de Caymmi, como O bem do mar e O vento, 
transportam o ouvinte para a beira-mar, pois evo-
cam um cenário com elementos como vento, água 
salgada, coqueiros e pescadores. 
Longe da praia, no sertão de Pernambuco, nas-
ceu Luiz Gonzaga do Nascimento. Sua carreira ga-
nhou força no início dos anos 1940, pouco depois 
de chegar ao Rio de Janeiro. De sua sanfona saía 
um pouco de tudo: valsas, tangos, foxtrotes. Mas foi 
com o xote, o xaxado e o baião que o compositor 
conquistou o Brasil. Sua obra tem ligação com a cul-
tura do povo sertanejo, das festas juninas, dos can-
tadores e repentistas. Luiz Gonzaga, o Lua, era um 
admirador do lendário Lampião e costumava usar o 
figurino de cangaceiro em suas apresentações. Ele 
e Humberto Teixeira substituíram os instrumentos 
musicais originais – pandeiro, viola, rabeca e boti-
jão – por acordeom, triângulo 
e zabumba, instrumentos 
que hoje fazem parte 
do tradicional trio de 
forró, palavra que de-
signa genericamen-
te ritmos nordes-
tinos como o 
xote, o xaxa-
do e o baião.

Baixar 87 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   151   152   153   154   155   156   157   158   ...   353




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal