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Charles Chaplin e Paulette Goddard no filme em Tempos modernos, 1936



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Arte - Volume único
Charles Chaplin e Paulette Goddard no filme em Tempos modernos, 1936.
Everett Collection/K
eystone
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Cenário histórico
Nos Estados Unidos, centro financeiro do mundo 
depois da Primeira Guerra Mundial, ocorreu uma rápida 
expansão das atividades econômicas, seguida por uma 
crise financeira em 1929, a mais severa da História. 
Na Europa a década de 1930 foi marcada por governos 
totalitários que sufocaram a participação democrática. Na 
União Soviética, Stalin consolidou seu poder ao eliminar 
toda a oposição política da nação. Na Alemanha, atingida 
pela depressão, Hitler ascendeu ao poder estimulando o 
nacionalismo e a veneração à cultura germânica. Na Es-
panha, uma guerra civil pôs fim ao governo republicano e 
instaurou o poder do ditador Francisco Franco.
265
Zé Carioca no 
filme Al™ amigos 
1942
Estado Novo no Brasil 
1937 -1945
Na Espanha, Franco ordena 
o bombardeio a Guernica 
1937
Carmen Miranda 
nos Estados Unidos 
1939
Na Exposição Internacional 
de 1937, a arte refl ete um 
mundo em confronto político.
Estrelas do rádio no cinema.
Cartaz de Leonetto Cappiello (1875-1942) para a Exposição Internacional, Paris, 1937.
Carmen Miranda, 
em foto de 1941.
S
wim Ink 2/Corbis/Latinstoc
k
20th Century F
o
x Film Corporation, 
TM & Copyright/
Everet
t Collection/K
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O retorno à ordem
Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-
-1918), alguns artistas, rejeitando os extremismos 
da arte de vanguarda, que proliferaram antes e 
durante o conflito, voltaram a adotar abordagens 
mais tradicionais em seus trabalhos. A ideia, 
apoiada pelos negociantes de objetos de arte – os 
marchands
–, era revitalizar a linguagem pictóri-
ca, que as vanguardas haviam rejeitado. 
Na Alemanha, seguindo essa tendência de resta-
belecer a figuração, realizou-se em 1925 uma exposi-
ção intitulada Nova Objetividade. Os trabalhos apre-
sentados tinham em comum o tom de denúncia e a 
crítica social. Deixando de lado o radicalismo com 
a forma, os adeptos da Nova Objetividade adotaram 
uma linguagem figurativa, porém satírica, para pro-
duzir comentários visuais sobre a sociedade. 
Otto Dix, A grande cidade. Óleo sobre tela, 1927-1928, 181 cm x 402 cm. Museu de Arte, Stuttgart, Alemanha
O alemão Otto Dix (1891-1969), que viveu os horrores da guerra, representou o mundo com olhar ácido. O tema 
deste tríptico é a vida noturna numa grande cidade europeia nos anos 1920. No centro do painel, os ricos dançam 
ao som do jazz. À esquerda e à direita, a miséria presente nas ruas: bêbados e mutilados mendigam entre mulheres 
exuberantemente vestidas.
The Bridgeman 
Ar
t Library/K
eystone/Museu de 
Ar
te, Stut
tg
ar
t, 
Alemanha.
Dmitry K
ostyuko
v/AFP Photo/Other Images
Os governos totalitários promoveram uma arte caracterizada pelo 
uso da linguagem realista, o apreço pelo monumental, a abordagem de 
temas nacionalistas e personagens tratados como heróis.
Em 1922, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), 
constituída pelas nações que se alinharam ao bloco socialista originado 
com a Revolução Russa, a estética do Realismo Socialista, que defen-
dia uma “descrição fiel” da realidade, foi oficialmente adotada. Nessas 
obras, os trabalhadores eram representados sempre bem dispostos, em 
situações coletivas de grande harmonia.
Vera Múkhina. Detalhe da escultura O operário fabril e a mulher da fazenda coletiva. Aço, 1935. 24 metros de 
altura. Foto de 2009
Trabalhando em sintonia com o estilo oficial, a russa Vera Múkhina (1889-1953) criou esta 
escultura monumental para o pavilhão soviético da Exposição Internacional de 1937 em Paris. A 
obra representava a união de um operário urbano e uma trabalhadora do campo sustentando 
suas ferramentas: a foice e o martelo, como na bandeira soviética. 
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| CApítulo 20 | Arte e soCiedAde |
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Pablo Picasso, Guernica, 1937. Óleo sobre tela. 349,3 cm x 
776,6 cm. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri.
Guernica se converteu em símbolo mundial da dor 
humana causada pela guerra. Picasso optou por tra-
balhar com tons monocromáticos e representou as 
figuras com gestos dolorosos. Na composição, todos 
são vítimas: homens, mulheres, crianças e animais. O 
artista empregou as formas simplificadas do cubismo 
com a intenção de expressar medo, sofrimento e dor. 
The Granger Collection/Other Images/Museu Nacional Centro de 
Ar
te R
eina S
ofia, Madri, Espanha.
Tempos difíceis
Em 1937, a situação política na Europa se 
agravava com a ameaça de um governo fascista 
na Espanha, comandado pelo general Francisco 
Franco. Na Exposição Internacional organizada 
nesse ano em Paris, dedicada ao progresso e à 
paz, o pavilhão da Espanha foi decorado com 
um painel de Pablo Picasso. Diante da notícia 
do bombardeio alemão que, em apoio a Franco, 
destruíra a cidade espanhola de Guernica para 
intimidar a população civil, Picasso decidiu que 
sua pintura seria uma resposta ao massacre.
Nos Estados Unidos, o norte-americano Edward 
Hopper (1882-1967) usou uma forma bastante 
tradicional de pintura para abordar temas intei-
ramente contemporâneos, documentando a vida 
nas cidades.
Para enfrentar os efeitos empobrecedores da de-
pressão econômica, o governo dos Estados Unidos 
propôs um plano, o New Deal (Novo Acordo), que 
consistia numa série de ações para fomentar a eco-
nomia, criando oportunidades para os desemprega-
dos. Com a mesma intenção foram feitas encomen-
das de esculturas e murais para edifícios públicos e 
foram financiadas iniciativas teatrais e documenta-
ções fotográficas em áreas rurais do país. 
Edward Hopper. Cinema de Nova York. 1939, Óleo sobre tela, 
81,9 cm x 101,9 cm. Museu de Arte Moderna, Nova York.
Hopper aborda o universo psicológico de seus persona-
gens em imagens que expressam isolamento e abandono. 
Nesta tela o artista representou o cinema, um espaço 
fortemente presente no cotidiano das cidades norte-
-americanas dessa época.
Superstock/Other Images/Museu de Arte Metropolitano, Nova York, EUA.
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Dorothea Lange. Mãe migrante, fotografia, 1936.
Dorothea Lange (1895-1965) atravessou os Estados Unidos documentando o im-
pacto da depressão econômica na vida dos camponeses. Esta imagem retrata uma 
mulher de 32 anos, mãe de sete filhos, que não encontrava trabalho e vivia em um 
acampamento.
Os artistas recebiam salários e podiam se dedicar em tempo 
integral a suas atividades, com profissionalismo. O apoio do go-
verno estadunidense difundiu na comunidade artística um senti-
mento de que a arte e a cultura eram importantes para a nação. 
Esse passo foi decisivo para que a cidade de Nova York se tornas-
se a capital cultural do mundo após a Segunda Guerra Mundial.
Super
stoc
k/Other Images/Museu de 
Ar
te Metropolitano, No
va 
Y
ork, EUA.
Na década de 1920 a indústria cinematográ-
fica norte-americana se consolidou e criou gê-
neros consagrados, como o musical, a comédia, 
o western e o policial. Grandes estúdios esta-
beleceram-se na cidade de Hollywood, na costa 
oeste, região com pouca incidência de chuva, 
o que facilitava a produção de cenas externas. 
Um dos maiores astros do cinema nas déca-
das de 1920 e 1930 foi o ator, diretor e produtor 
Charles Chaplin (1889-1977). Mímico expressivo, 
concebeu o personagem Carlitos, um vagabundo 
com bengala, chapéu-coco e calças largas.
O cinema sonoro trouxe problemas de adap-
tação, obrigando os criadores a reformular a 
linguagem cinematográfica. Os filmes de ficção 
passaram a explorar narrativas mais comple-
xas. Os diretores recorreram ao teatro para bus-
car novos gêneros, como o musical. O primeiro 
musical de sucesso foi Melodia da Broad way
de 1929, dirigido por Harry Beaumont.
A animação também explodiu comercialmen-
te quando, em 1928, logo após a invenção do cine-
ma sonoro, Walt Disney (1901-1966) apresentou 
seu primeiro desenho animado. Nele, o camun-
dongo Mickey cantava e tocava instrumentos, 
fazendo sucesso imediato. A partir de 1937, a in-
dústria do cinema já havia se recuperado econo-
micamente e foi tomada como exemplo a ser se-
guido pelas demais empresas norte-americanas.

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