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Arte - Volume único
Freud e o Surrealismo
André Breton era estudante de medicina e no início 
da Primeira Guerra Mundial foi escalado para traba-
lhar em um centro neuropsiquiátrico. Foi ali que pela 
primeira vez entrou em contato com escritos do mé-
dico austríaco Sigmund Freud, criador da psicanálise. 
Entre os métodos de tratamento aplicados aos sol-
dados em estado de choque estava o uso das asso-
ciações verbais sugeridas por Freud. O procedimento 
consistia em instruir o paciente a ouvir palavras se-
lecionadas e prontamente responder com o primeiro 
termo que lhe viesse à mente. Breton ficou impres-
sionado com a qualidade poética dessas associações 
verbais espontâneas, o que o impeliu a explorar em 
si mesmo o potencial criativo da escrita automática, 
irrefletida. O método recebeu o nome de automatis-
mo poético.
As obras surrealistas mais frequentemente asso-
ciadas à expressão do inconsciente são as do pintor 
espanhol Salvador Dalí (1904-1989), que com sua 
técnica minuciosa e detalhista produziu imagens 
que parecem dar forma concreta à natureza ambígua 
dos sonhos.
Salvador Dali, A tentação de Santo Antônio, 1946. 
Museus Reais de Belas Artes, Bruxelas. 
Salvador Dalí costumava dizer que sua pintura 
era uma fotografia em cores feita a mão.
Sigmund Freud (1856-1939), criador da psicanálise e investigador do inconsciente e do papel dos sonhos. Foto de 1921.
Freud não se entusiasmou com o Surrealismo. Em 1939, quando o pintor Salvador Dalí foi a Londres conhecê-
-lo, a reação do pesquisador diante da pintura do artista espanhol foi ressaltar a artificialidade de dar forma 
visual ao inconsciente, comentando: “Não é o inconsciente o que eu vejo em suas pinturas, e sim o consciente”.
Fondation Gala–Salvador Dalí/Autvis 2013/Museus Reais de Belas Artes, Bruxelas, Bélgica.
Successión Miró, Miró, Joan/Autvis 2013/Culture Images/Glow Images/Museu de Arte Moderna, MoMA, Nova York, EUA.
Max Halber
stadt/The Granger Collection/Other Images
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Outro aspecto distintivo dos surrealistas era a obra 
coletiva: eles costumavam se reunir para realizar traba-
lhos a quatro mãos ou mais. Acreditavam que dessa forma 
estavam diminuindo a participação da mente consciente 
individual. Veja a obra reproduzida à direita.
A prática da montagem, em suas diferentes formas, está 
no centro das atividades surrealistas. Tentando minimizar o 
papel da intervenção consciente em seu trabalho, os surrea- 
listas utilizaram a técnica da colagem, que permitia pron-
tamente unir duas realidades distintas e aparentemente ir-
reconciliáveis. O alemão Max Ernst (1891 
-1976) explorou 
a linguagem da colagem de forma inventiva e com técnica 
primorosa. Ernst começou a trabalhar com essa técnica re-
cortando livros didáticos, catálogos de vendas e gravuras 
antigas. Suas composições instigantes parecem revelar um 
mundo em que tudo é possível.
Max Ernst. Ubu imperador. 1923.
Óleo sobre tela, 81 cm x 65 cm, Centro 
Georges Pompidou, Paris.
Esta pintura de Max Ernst tem a mesma 
qualidade perturbadora de suas cola-
gens. Trata-se de Pai Ubu, personagem 
criado pelo poeta e dramaturgo francês 
Alfred Jarry (1873-1907) para a peça 
Ubu rei, que estreou no final do sécu-
lo XIX em Paris. Pai Ubu tornou-se um 
símbolo grotesco da autoridade ques-
tionável, descrito aqui por Ernst com 
o estranhamento característico de sua 
produção. 
Para os dadaístas, o humor se manifestava em sua determi-
nação de não levar nada a sério, mas para os surrealistas a na-
tureza do humor era trágica e expressava a rebeldia do espírito. 
Os pintores surrealistas tomaram como inspiração o trabalho 
do russo Marc Chagall (1887-1985), entre outros. Chagall sem-
pre buscou um diálogo com os costumes e a cultura do povo 
russo. Acreditava que a arte deveria ser popular e que, para 
isso, precisava ser simples como a língua falada, à qual todos 
têm acesso. Por isso utilizou contos e canções populares para 
criar um mundo figurativo lírico, no qual mulheres voando e 
vacas no telhado são tão comuns quanto casas e montanhas 
numa paisagem.
Jean Arp, Óscar Domínguez, 
Jean Marcel, Sophie Taeuber-Arp. 

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