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Arte - Volume único
capít
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o 19
Automatismo lírico 
para representar
o sonho.
Marcel Duchamp, Porta-garrafas, 1914.
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Quebra da Bolsa de Nova York
Manifesto Surrealista
Stalin adquire pleno
poder na União Soviética
Hitler assume o poder 
na Alemanha
1928
1933
1924
1929
251
Cenário histórico
A Primeira Guerra Mundial enfraqueceu a Europa. Do 
ponto de vista financeiro, mesmo os países vencedores per-
deram a supremacia para os Estados Unidos, o grande be-
neficiário do conflito, cuja produção industrial cresceu para 
suprir o que não estava sendo produzido na Europa. 
Para os europeus, a guerra foi um golpe no otimismo 
que alimentara a crença no progresso humano. A década de 
1920 foi dominada por instabilidade econômica na Europa. 
As incertezas culminaram com a quebra da Bolsa de Valores 
de Nova York em 1929, evento de repercussão mundial, que 
acarretou forte recessão e abriu caminho para a ascensão de 
governos totalitários e repressores. 
René Magritte, O falso espelho,1928.
Maria Martins, com sua escultura Minha canção, 1949. 
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Olho: portal entre o real e o onírico.
Uma brasileira no grupo 
internacional surrealista.
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Raoul Hausmann. O crítico de arte. Colagem litográfica e fotográfica sobre papel.
Berlim, 31,8 cm x 25,4 cm, 1919-1920.
As imagens visuais mais fortes do movimento Dada foram feitas inicialmente pelo 
austríaco Raoul Hausmann (1886-1971). Trabalhando com colagem, Hausmann mani-
pulou imagens já prontas, criando justaposições. Nesta colagem a figura de um crítico 
de arte é sobreposta a um fundo de palavras sem sentido.
Uma arte contestadora
O Movimento Dada está as-
sociado ao Cabaret Voltaire, 
em Zurique, Suíça. O fundador 
dessa casa noturna, o poeta ale-
mão Hugo Ball (1886-1927), mu-
dara-se para a Suíça assim que a 
Primeira Guerra estourou, pois 
este era um país neutro no con-
flito. Os jovens poetas, pintores 
e músicos que se reuniam no 
Cabaret Voltaire eram contra 
a cultura burguesa, que viam 
como responsável pela guerra.
O nome do movimento foi es-
colhido a esmo num dicionário. 
Dada, em alemão, designa a fala 
dos bebês; em francês, é um ter-
mo para ‘cavalinho de brinque-
do’. Assim como o movimento, o 
nome podia ser entendido como 
cada um quisesse.
Contestar os valores da socie-
dade foi a maneira encontrada 
por esses artistas para expressar 
insatisfação com a falta de senti-
do da guerra, que matava milhões de pessoas naquele momento. 
O Dadaísmo visava ironizar e desmitificar todos os valores cul-
turais estabelecidos, inclusive a própria arte. As manifestações do 
grupo eram intencionalmente desconcertantes e, por não defender 
uma verdade, mas sim negar as propostas existentes, foram cha-
madas de “antiarte”. Os dadaístas não queriam produzir obras de 
arte, mas sim ações questionadoras para pôr em xeque os valores 
aceitos pela sociedade. 
No começo de 1917 o poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963) 
passou a editar uma revista, Dada. A publicação despertou aten-
ção e em várias capitais europeias houve quem se identificasse 
com o ponto de vista irônico do movimento. Em pouco tempo sur-
giram grupos dadaístas nas cidades de Berlim, Paris e Nova York.
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Tristan Tzara. Capa do terceiro número da 
revista Dada, 1918. Bibliothèque Nationale 
de France, Paris. 
O terceiro número da revista trazia o 
explosivo Manifesto Dada e, na capa, 
uma afirmação atribuída ao filóso-
fo René Descartes: “Não quero nem 
mesmo saber se existiram homens 
antes de mim”.
Hugo Ball recitando o poema “Karawane” 
no Cabaret Voltaire, em Zurique, em 1916.
Essa performance de Hugo Ball re-
flete o espírito provocador do Ca-
baret Voltaire. Trajando roupa de 
papelão colorido, Ball recitou com ar 
solene a composição que consistia 
em sons sem sentido. A performance 
era ao mesmo tempo uma brincadei-
ra e uma crítica.
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| CApÍtulo 19 | dAdA e surreAlismo |
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Em Nova York, uma grande exposição realizada em 1913 
sacudiu os Estados Unidos ao apresentar o Modernismo eu-
ropeu, com obras de Brancusi, Picasso, Matisse, Marcel Du-
champ, entre outros. Apesar das exclamações de surpresa e 
horror, muitos trabalhos foram adquiridos, inclusive o Nu des-
cendo a escada
(Capítulo 18), de Duchamp. Com o início da 
Segunda Guerra Mundial e as notícias do interesse dos ame-
ricanos por seu trabalho, Marcel Duchamp, que não era muito 
conhecido na França, mudou-se para Nova York.
Apesar de nunca haver se declarado membro do movimen-
to, como muitos artistas dadaístas, Duchamp se interessava 
por jogos e pelo acaso. Segundo ele, o princípio da arte são as 
ideias, e a pintura não pode ser uma atividade puramente ma-
nual e visual. O caráter libertário da obra de Duchamp trans-
parece no modo como ele definia a si próprio: um “anartista”.
Os ready-mades são objetos anônimos que o gesto gratuito do artista, pelo 
único fato de escolhê-los, converte em obra de arte. Ao mesmo tempo esse 
gesto dissolve a noção de obra. [...] Seria estúpido discutir sobre a sua 
beleza ou feiura, tanto porque estão mais além da beleza e da feiura porque 
não são obras, mas signos de interrogação ou de negação diante das obras. 
ready-made não postula um valor novo: é um dardo contra o que chama-
mos valioso. É crítica ativa: um pontapé contra a obra de arte sentada em 
seu pedestal de adjetivos. 
PAZ, Octavio. Marcel Duchamp ou O castelo da pureza.
São Paulo: Perspectiva, 1996. p. 21.
endo sobre os ready-mades
Marcel Duchamp. L.H.O.O.Q. “Ready-made retificado”, 1919. Centro G. Pompidou, Paris.
Ao desenhar bigode e cavanhaque numa reprodução da Mona Lisa em cartão postal, 
Duchamp não pretendia desfigurar uma obra de arte, mas contestar a veneração 
que se costuma dedicar a esse quadro. Provavelmente também queria evidenciar 
o fato de, já naquele tempo, ser difícil distinguir uma reprodução de um original. 
As letras L.H.O.O.Q aplicadas na base da imagem, ao serem lidas em voz alta em 
francês soam como “ela tem fogo no rabo”.
Marcel Duchamp. Roda de bicicleta, 1913. Centro G. Pompidou, Paris, França.
Em 1913, Duchamp concebeu um objeto que consiste em uma roda de bicicleta 
montada de cabeça para baixo sobre um banquinho comum. Ele gostava de obser-
var as hastes da roda girando até se tornarem invisíveis. Embora a considerasse 
um objeto para seu deleite pessoal, mais tarde concordou que essa foi a primeira 
experiência daquilo que dois anos depois ele batizou de ready-made. Esse termo 
em inglês evoca o sentido de ‘pronto para usar’ e também de ‘objeto banal’.
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Other Images/MNMA, Centro G. Pompidou, Paris, França.
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Atividade surrealista
O movimento surrealista emergiu a 
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