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Pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e do destemor. 2



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Arte - Volume único
1. Pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e do destemor.
2. A coragem, a audácia e a revolta serão os elementos essenciais da nossa poesia.
3. Até agora, a literatura exaltou a imobilidade, o êxtase e o sono pensativos. Nós tenciona-
mos exaltar a ação agressiva, uma insônia febril, o passo do atleta, o salto mortal, o soco e 
a bofetada.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma nova beleza: a 
beleza da velocidade. Um carro de corrida cujo capô é adornado de grandes tubos, qual 
serpentes de hálito explosivo – um automóvel que ruge e parece cavalgar uma metralha 
é mais belo que a Vitória de Samotrácia.
[...]
HUMPHREYS, Richard. Futurismo. São Paulo: CosacNaify, 2001. p. 11.
TEMAS INTERDISCIPLINARES
ARTE E SOCIOLOGIA
.. 
Industrialização e modernismo
O interesse dos artistas cubistas e futuristas pela ideia de veloci-
dade era fruto de uma visão poética das máquinas e estava inti-
mamente ligado ao culto do automóvel, objeto de consumo que 
protagonizou a economia e o desenvolvimento das cidades no 
século XX. Dirigir um automóvel possibilitava uma experiência de 
liberdade, de domínio sobre a máquina, de ampliação das possibi-
lidades humanas. 
Em 1908, um ano antes da publicação do Manifesto Futurista
Henry Ford lançou nos Estados Unidos o Ford modelo T, veículo que 
popularizou o automóvel e fundou a indústria automobilística. O 
carro era robusto, seguro e muito simples de dirigir. 
Ford modelo T, lançado em 1908 nos Estados Unidos. Foto de 1906.
Em 1913, Henry Ford criou um engenhoso sistema de esteiras 
que levava de um operário para outro o veículo em produção, 
de modo que cada operário executasse uma determinada ta-
refa, otimizando o tempo. O processo, que ficou conhecido 
como linha de montagem, permitia produzir em série o veí-
culo, tornando-o mais barato e acessível aos consumidores. 
Umberto Boccioni, Formas únicas de continuidade no espaço, Bronze, 1913. 117,5 cm x 87,6 cm x 36,8 cm.
Museu de Arte Moderna, Nova York.
Inspirados pelas máquinas e especialmente pelo automóvel, os futuristas enfrentaram 
o desafio de captar em seu trabalho o mundo em movimento. O italiano Umberto 
Boccioni (1882-1916) buscou maneiras de representar situações urbanas de grande 
ação, criando em suas pinturas a sensação de dinamismo. Esta escultura de Boccioni 
é uma tentativa de representar as ideias de velocidade e simultaneidade de manei-
ra concreta, sem os subterfúgios ilusórios da pintura.
Nano Calv
o/Corbis/Latinstoc
k/Museu de 
Ar
te 
Moderna, MoMA, No
va 
Y
ork, EUA.
SSPL/Get
ty Images/F
ord 
Compan
y
, Detroit, EUA.
O Futurismo
O poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti 
(1876-1944) publicou o Manifesto de fundação 
do Futurismo
em 1909. O termo ‘futurismo’ 
remete a algo novo, que ainda não existe, mas 
que se deseja antecipar. Entretanto, os futuris-
tas queriam principalmente afirmar o repúdio 
ao passado, com a subversão radical da cul-
tura. O manifesto, entre outras posições ex-
plosivas, enaltecia a guerra, que destruiria as 
velhas instituições. 
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| CApÍtulo 18 | Moderno e rACionAl |
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O impacto do Cubismo foi fator de-
cisivo para o desenvolvimento das prá-
ticas dos artistas futuristas. No entanto
os futuristas constituíram seu próprio 
vocabulário visual e filosófico e conse-
guiram em seus trabalhos atravessar as 
fronteiras entre as linguagens.
Nos anos que precederam a Primeira 
Guerra Mundial, Marinetti empenhou-
-se na divulgação da estética futurista, 
disseminando-a na Europa. Promoveu 
eventos, exposições e performances em 
Moscou e São Petersburgo, entre outras 
cidades europeias.
Arte e revolução 
Na Rússia, a ideia de uma arte abstrata, pura, surgiu da ne-
cessidade dos artistas de atingir a emoção e a espiritualidade 
do espectador. 
Em 1913, o russo Vladímir Tátlin (1885-1953), acredi-
tando que cada material pode gerar seu próprio reper-
tório de formas e cores, construiu esculturas não figu-
rativas, que utilizavam materiais como vidro, arame e 
madeira. No ano seguinte, Kazimir Malévitch (1878-1935) 
formulou as ideias do que chamou de Suprematismo.
F.T. Marinetti. Zang tumb tumb. Livro do 
artista, 1914. Tate Gallery, Londres.
O italiano Marinetti caminhou na poesia 
e na prosa rumo ao conceito de “pala-
vras em liberdade”, que consistia no 
uso da onomatopeia, da livre ortografia 
expressiva e da interferência da tipo-
grafia no conteúdo do texto. Os efeitos 
obtidos com o uso desses recursos am-
pliaram as possibilidades semânticas 
do texto e a dimensão visual da poesia. 
O conteúdo 

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