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Arte - Volume único
A luta de classes
O século XIX testemunhou mudanças marcantes em todas 
as áreas da vida em sociedade. Entre as principais ideias 
renovadoras da época estão a teoria da evolução, do cientista 
britânico Charles Darwin (1809-1882) e as propostas dos 
filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels 
(1820-1895), autores do Manifesto 
Comunista, publicado em 1848. 
Esse tratado político propunha a 
revolução socialista, que traria um 
mundo mais justo por meio da to-
mada de poder pela classe operária. 
O artista que melhor represen-
tou a luta de classes foi o francês 
Honoré Daumier (1808-1879). Suas gravuras, desenhos e 
caricaturas revelavam simpatia pela classe trabalhadora, 
descreviam cenas urbanas e acentuavam a crítica social, es-
pecialmente nas caricaturas de políticos e figuras do sistema 
jurídico de seu tempo.
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eprodução/Museu d’Or
say
, P
aris, F
rança.
Honoré Daumier. A barriga do legislativo
Litografia, 1834.
Daumier era exímio cartunista e cola-
borou em jornais parisienses. Em suas 
criações, satirizava juízes, advogados, 
políticos e a sociedade burguesa pari-
siense em geral.
Reprodução/Associação de Honoré Daumier, Marselha, França.
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O nascimento da 
fotografia
No início do século XIX, as técnicas de fotografia tornaram-se 
objeto de interesse de cientistas e artistas, mas o processo só to-
mou forma comercial no final da década de 1840. 
Desde o Renascimento, os artistas já usavam artifícios me-
cânicos, tais como o perspectógrafo (Ca-
pítulo 12) e a câmera escura, para auxiliá-
-los na representação de objetos e cenas 
reais.
A câmera escura, conhecida na 
Grécia desde o século IV a.C., 
consiste em uma caixa (ou 
saleta) revestida internamente de 
preto, com um buraco em uma das 
paredes. Os raios de luz que atra-
vessam essa abertura se projetam 
na parede oposta, revestida de branco, 
formando ali uma imagem invertida dos 
objetos iluminados situados no exterior. 
Por volta de 1665, já se dispunha de pequenas câmeras escuras 
portáteis. Mais tarde, foram-lhes incorporados espelhos côncavos 
ou lentes, que permitiam a projeção das imagens sobre folhas de 
papel ou telas de tecido branco.
Se as câmeras escuras já eram tão conhecidas, o grande desafio 
tecnológico era o de conseguir tornar permanente a imagem pro-
jetada. Foi o francês Joseph-Nicéphore Niépce (1765-1833) quem 
primeiro obteve uma imagem duradoura produzida unicamente 
pela ação da luz, sem intervenção de qualquer instrumento.
A câmera escura, em ilustração de autor 
desconhecido, 1850. George Eastman 
House, Rochester, NY, Estados Unidos.
As câmeras escuras portáteis do iní-
cio do século XIX, aperfeiçoadas com 
o auxílio de lentes, valiam-se dos 
princípios ópticos para facilitar o 
trabalho de desenhistas e pintores.
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eprodução/Arqui
v
o da editora
R
eprodução/Nicéphore Niépce/Arqui
v
o da editora
Joseph-Nicéphore Niépce. Vista desde uma janela 
em Gras. A primeira fotografia permanente do 
mundo.
Em 1826, Niépce utilizou uma placa metáli-
ca recoberta com betume, uma substância 
sensível à luz, que ficou por quase 8 horas 
exposta aos raios de luz diurna projetados 
em uma câmera escura instalada na janela 
de sua casa.
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| CApÍtulo 15 | ReAlismo e fotogRAfiA |
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Louis-Jacques-Mandé Daguerre. O estúdio 
do artista. Daguerreótipo, 1837. Societé 
Française de Photographie, Paris.
A primeira imagem feita em daguer-
reotipia foi uma natureza-morta. O 
arranjo revela a preocupação de Da-
guerre em criar uma imagem que não 
só reproduzisse a realidade óptica, 
mas também obedecesse à tradição 
da pintura acadêmica.
Félix Nadar. Retrato de Charles Baudelaire. 
Fotografia, 1863. Caisse Nationale des 
Monuments Historiques et des Sites, Paris.
O poeta e crítico francês Charles Bau-
delaire (1821-1867), autor do livro de 
poemas As flores do mal, apesar de 
se fazer retratar com a nova técnica, 
era muito reticente quanto ao uso da 
fotografia e de sua influência sobre 
as artes visuais. Em sua crítica a uma 
exposição fotográfica que fez parte do 
Salão de 1859, Baudelaire escreveu: 
“Esse gosto exclusivo pela verdade 
oprime e sufoca o gosto pela beleza”. 
Niépce formou uma sociedade com Louis-
-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851), pintor 
parisiense que havia desenvolvido uma câmera 
improvisada equipada com lentes. Após a mor-
te do sócio, Daguerre prosseguiu as experiên-
cias com chapas de cobre banhadas em sais de 
prata, já conhecidos por suas características 
fotossensíveis. Por volta de 1837, conseguiu fi-
xar a imagem gravada pela luz. As imagens as-
sim obtidas eram únicas e ficaram conhecidas 
como daguerreótipos. Daguerre descreveu seu 
processo à Academia de Ciências e Belas Artes, 
na França, e em seguida registrou a patente de 
seu invento na Inglaterra.
Em 1850, a fotografia já era um negócio comercial na Fran-
ça, dada a facilidade com que permitia reproduzir a realidade e 
transformar essas reproduções em objetos de consumo para as 
massas.
Os artistas foram os primeiros a entender que a invenção da 
fotografia mudaria o curso das artes visuais. Alguns resistiram ao 
novo método; outros o exploraram como auxílio para a pintura; 
alguns abraçaram a fotografia como um novo meio de expressão.
O francês Félix Nadar (1820-1910) foi um dos primeiros a ob-
ter sucesso artístico e financeiro com o novo meio, aproveitando 
o potencial documental e comercial da fotografia. Em 1853, abriu 
em Paris um estúdio de retratos que se tornou ponto de encontro 
de intelectuais e artistas da época.
Embora o uso de figuras nuas tivesse sido muito comum em 
obras de arte de diferentes períodos, os primeiros fotógrafos 
que ousaram fotografar mulheres despidas foram processados. 
Eles se defenderam argumentando que se tratava da arte radi-
cal do Realismo. Os queixosos, em resposta, acusaram a escola 
de pintura realista de suprimir a beleza e apresentar a verdade 
de forma crua.
Uma das razões para a imagem fotográfica não ter sido inicial-
mente aceita como arte está no fato de ter sido vista na época 
como algo realizado por uma máquina e, portanto, desprovido 
da marca pessoal do artista. A fotografia era entendida apenas 
como uma técnica neutra, incapaz de trazer mudanças estéticas.
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Arquitetura de ferro
A arquitetura da segunda metade do século 
XIX foi dominada pelo ecletismo, ou seja, a utili-
zação simultânea de diferentes estilos históricos. 
O estilo predominante era escolhido de acordo 
com a função do edifício: as igrejas passaram a 
ser construídas no estilo gótico; os edifícios de 
órgãos governamentais baseavam-se na arquite-
tura grega; os teatros, como a Ópera de Paris, ti-
nham ornamentos barrocos. 
A expansão da indústria e a crença no avanço 
tecnológico como chave do progresso da huma-
nidade levaram à criação de um sistema de feiras 
mundiais que celebravam as conquistas indus-
triais e tecnológicas. O primeiro desses eventos 
foi a Grande Exposição de Londres, em 1851. O 
pavilhão temporário que abrigou a feira foi proje-
tado por Joseph Paxton (1801-1865), arquiteto e 
paisagista inglês especializado na construção de 
estufas envidraçadas. Por seu amplo uso de super-
fícies transparentes, a edificação ficou conhecida 
como Palácio de Cristal.
Na segunda metade do século XIX ocorreram 
grandes transformações não apenas tecnológicas, 
mas principalmente conceituais. No Ocidente, 
acreditava-se que um mundo melhor estava por 
vir. Com base na ideia de que as inovações sem-
pre significam melhorias para a sociedade, surgiu 
o conceito de “moderno”, fortemente associado à 
qualidade de “novo” e de “bom”.
Interior do Palácio de Cristal. Fotografia, 1851.
A estrutura desse edifício de ferro e vi-
dro foi erigida em apenas quatro meses. 
Encerrada a feira, o edifício foi remonta-
do em outro ponto da cidade, mas aca-
bou sendo destruído por um incêndio em 
1936. Composto de peças de ferro com 
menos de uma tonelada e com cerca de 
93 mil metros quadrados de vidro, a obra 
foi um marco da revolução tecnológica e 
estética que se iniciava na arquitetura. 
Brasil: fotografia e pintura realista
Cenário histórico
Depois que dom Pedro I abdicou do trono e retornou 
a Portugal, seu filho e herdeiro Pedro de Alcântara (1825- 
-1891) teve a maioridade antecipada para poder assumir, 
em 1840, o cargo de imperador do Brasil. Com o nome de 
Pedro II, governou o país durante 49 anos. Interessado por 
livros, arte, filosofia e ciências, dom Pedro II contribuiu de 
maneira marcante para o desenvolvimento da cultura no 
país. Empenhou-se em construir para o Brasil uma ima-
gem de país civilizado, esperando com isso amenizar a 
questão da escravidão, prática que se manteve até quase 
o fim do século XIX e era vista pela burguesia europeia 
como sinal de atraso.
O Brasil do final do século XIX caracterizou-se pelo es-
tabelecimento de uma burguesia, pelo fortalecimento da 
vida urbana, pelo aumento da circulação de informações e 
pela difusão de ideias abolicionistas e republicanas.
The Bridgeman 
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t Library/K
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| CApÍtulo 15 | ReAlismo e fotogRAfiA |
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Um pioneiro da fotografia
A notícia da invenção do daguerreótipo che-
gou ao Rio de Janeiro por meio de um jornal 
publicado em maio de 1839. Em dezembro do 
mesmo ano, o artista francês Hercule Florence 
(1804-1879), então radicado no interior de São 
Paulo, publicou no mesmo jornal carioca um co-
municado acerca de suas experiências, que o ha-
viam levado a descobrir um processo fotográfico 
em 1833. 
Florence participara da expedição organizada 
pelo barão de Langsdorff em 1825 (Capítulo 14), 
na qual registrou em aquarelas de valor etnográfi-
co cenas do cotidiano dos índios de Mato Grosso e 
do Pará. Ao retornar à então província de São Pau-
lo, fixou-se na vila de São Carlos, atual Campinas.
Buscando um sistema de registro de imagens 
que não dependesse de materiais importados, 
Florence vislumbrou a possibilidade de “impri-
mir pela luz do Sol”. Trabalhando sozinho, uma 
vez que não mantinha contato com os círculos 
intelectuais europeus, utilizou uma caixa munida 
de uma lente e uma folha de papel embebida em 
nitrato de prata para registrar uma cena observa-
da a partir de uma janela.
endo sobre a descoberta da fotografia
Florence assim relata sua primeira experiência, 
sob o título “Descoberta muito importante”, realiza-
da cinco dias após as primeiras anotações:
1
a
experiência. Construí uma câmera escura, muito imperfeita, 
utilizando uma pequena caixa; e a cobri com minha paleta. No 
orifício de minha paleta coloquei uma lente que pertencera a um 
pequeno binóculo (descrevo estas minúcias para evidenciar a 
precariedade dos recursos). Enfiei o espelho na caixa e, a uma 
altura adequada, introduzi um pedaço de papel embebido em 
uma solução fraca de nitrato de prata. Coloquei esse aparelho 
sobre uma cadeira, numa sala naturalmente escura. O objeto 
representado na câmera escura era uma das janelas, com a 
vidraça fechada: viam-se os caixilhos, o telhado de uma casa 
em frente e parte do céu. Deixei assim durante 4 horas; [...] 
após retirar o papel encontrei aí a janela representada de uma 
maneira fixa, mas o que deveria ser escuro estava claro; e o 
que deveria ser claro, apresentava-se escuro. Entretanto isto 
não é importante; logo se achará uma solução para isso. 
Receoso de que o resto do papel, e tudo que estivesse claro na 
janela, escurecesse a luz, lavei-o imediatamente para extrair o 
nitrato de prata [...].
Pela primeira experiência relatada acima, consta-
ta-se que Florence havia realizado uma imagem em 
negativo sobre papel, sendo obtida através do em-
prego de uma precária câmera obscura, construída, 
aparentemente, entre 15 e 20 de agosto de 1833.
Kossoy, Boris. Hercule Florence: a descoberta isolada da fotografia no Brasil. 
São Paulo: Edusp, 2006. p. 173-174.
O imperador e a fotografia
Em janeiro de 1840 o daguerreótipo foi de-
monstrado ao jovem dom Pedro II, então com 
apenas 14 anos. O monarca percebeu a impor-
tância científica dessa técnica e deu início a 
uma coleção de grande valor. O imperador 
despendeu somas expressivas contratando fo-
tógrafos estrangeiros e brasileiros para docu-
mentar a vida da família real, cidades, obras 
públicas e paisagens. 
Um dos fotógrafos estrangeiros que trabalhou 
no Brasil foi o francês Auguste Stahl (1824-1877), 
que durante 15 anos viveu no Recife e no Rio de 
Janeiro.
Dom Pedro II fez também grandes investi-
mentos na aquisição de obras para sua biblioteca 
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