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Arte - Volume único
A primeira missa no Brasil
Leia a seguir um trecho do livro A arte brasileira em 25 
quadros
, do crítico e professor Rafael Cardoso. O au-
tor começa citando um texto do crítico de arte Pinheiro 
Chagas publicado na imprensa carioca em 1878.
E é uma página brilhante essa da Primeira Missa no Brasil, por-
que resume antecipadamente em si a existência deste país, 
porque simboliza o seu papel na história da civilização ame-
ricana. A entrada dos europeus no México e no Peru assinala-se 
com cenas de horror e de carnificina, e o pintor mexicano ou pe-
ruano que desejasse representar na tela o episódio mais notável 
da entrada dos emissários da Europa nesses países novos teria 
de pintar... o quê? O assassínio de Ataualpa ou o suplício de Mon-
tezuma. No Brasil, pelo contrário a cena é toda de paz e amor.
A fraternidade pacífica da herança lusa é contraposta ao despo-
tismo e à discórdia da América espanhola. O Brasil, no dizer do 
crítico, ocupa juntamente com os Estados Unidos a “vanguarda 
da civilização americana”. Se aos irmãos americanos do norte 
cabe a liderança na guerra e a indústria; a nós, do sul, compete 
a parte paz e amor.
Quase um século e meio depois de pintado, este aspecto 
mítico do quadro perdura com força total. De tanto ser divul-
gada, a imagem da Primeira Missa faz parte do repertório vi-
sual da maioria dos brasileiros, pelo menos dos que já ocu-
param um banco escolar. É sintomático de sua importância 
que o quadro seja reproduzido, muitas vezes, como uma 
ilustração pura e simples do episódio representado – como 
se fosse um registro espontâneo, gerado de modo direto e 
sem mediação, e não uma pintura realizada 360 anos de-
pois do fato. Ainda nos dias de hoje, há quem dispute a vera-
cidade de detalhes como a construção da cruz ou o local e 
data da missa, buscando na imagem vestígios e rastros que 
justifiquem uma ou outra tomada de posição. Impressiona 
a persistência do discurso visual. Mais do que isto, atesta 
o poder das representações de reproduzir uma realidade à 
sua imagem e semelhança.
CARDOSO, Rafael. A arte brasileira em 25 quadros (1790- 1930).
Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 61.
Pedro Américo.  Tiradentes esquartejado. Óleo sobre tela, 270 cm x 165 cm, 1893.
Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora, Minas Gerais.
O movimento republicano havia retomado a figura mítica de Tira-
dentes, transformando-o em herói nacional. Nesta pintura o mártir 
da Inconfidência Mineira aparece esquartejado. O artista optou por 
demonstrar a violência desferida contra o revolucionário, em vez de 
representá-lo num momento de glória, como era usual na pintura his-
tórica. Ao ser exposta no Rio de Janeiro, a pintura desagradou. Para a 
crítica, nada mais era que anatomia, pedaços de carne. 
Na segunda metade do século XIX, dois artis-
tas se destacaram no Brasil: o catarinense Victor 
Meirelles (1832-1903) e o paraibano Pedro Amé-
rico (1843-1905). Ambos foram alunos da Acade-
mia Imperial de Belas-Artes e receberam auxílio 
governamental para aperfeiçoarem-se na Europa.
Suas obras tornaram-se referências para as gera-
ções posteriores.
Em meados do século XIX, as pinturas históri-
cas dramáticas faziam enorme sucesso nos salões 
mais importantes do mundo, mas nas décadas 
seguintes foram perdendo seu apelo. O sistema 
acadêmico de produção artística começou a ser 
questionado e os artistas que buscavam novas 
formas de representação, quebrando as regras 
tradicionais, passaram a ser mais valorizados. 
Muitas dessas pinturas acadêmicas de grande 
força estética ficaram então esquecidas, conside-
radas como algo ultrapassado pelo modernismo. 
Entretanto, no século XXI, com o interesse reno-
vado pelas produções históricas, muitas obras 
dos pintores do século XIX, no Brasil e no mun-
do, estão sendo redescobertas e reavaliadas.
Museu Mariano P
rocópio, J
uiz de F
ora, MG.
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