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partista traz à tona um paradoxo, já que, poucos anos



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Arte - Volume único

partista traz à tona um paradoxo, já que, poucos anos 
antes, a Coroa portuguesa havia sido expulsa de seu 
país pelo próprio Napoleão Bonaparte.
Com as crises políticas que acompanharam o pe-
ríodo de independência, a Escola de Belas-Artes teve 
de esperar por uma década para ser inaugurada, o que 
ocorreu em 1826. 
Fachada da Academia Imperial de Belas-Artes, no Rio de 
Janeiro, fotografada por Marc Ferrez em 1891.
O arquiteto Grandjean de Montigny (1776-1850) é o 
autor, entre outros, do projeto neoclássico para o edi-
fício da Academia Imperial de Belas-Artes. Do edifício, 
que foi demolido em 1938, restou apenas o pórtico da 
fachada, que se encontra hoje no Jardim Botânico do 
Rio de Janeiro.
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Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi o mais im-
portante integrante da Missão Francesa. Tinha 
quase 50 anos e acabara de perder seu único filho, 
quando aceitou o convite para se juntar à Missão. 
Debret era primo de Jacques-Louis David e já ha-
via participado diversas vezes do Salão de Paris. 
Permaneceu no Brasil por 15 anos e produziu uma 
vasta obra registrando a sociedade brasileira.
O trabalho de Debret tem qualidade etnográ-
fica, ou seja, representa modos de vida de uma 
sociedade – no caso, hábitos e costumes de uma 
cidade luso-brasileira cuja população era majo-
ritariamente de origem africana. À medida que o 
artista focalizava a realidade violenta do sistema 
escravista, despia-se do Neoclássico, desvincu-
lando-se da influência de David. Já no final de 
sua estada no Brasil, recebeu de Dom Pedro I a 
encomenda de criar os símbolos da nova nação 
independente, para os quais selecionou as cores 
principais: verde e amarelo. 
Ao retornar a Paris, Debret dedicou-se à obra 
Viagem pitoresca e histórica ao Brasil
, uma es-
pécie de álbum de gravuras com 150 reproduções 
de desenhos e aquarelas.
Outros estrangeiros
No século XIX, muitos artistas europeus vie-
ram para o Brasil, interessados pela paisagem 
exuberante, pela luz tropical, pela ideia de exo-
tismo ou em busca de aventura. Várias expedi-
ções artísticas e científicas foram organizadas 
para registrar e coletar espécimes ainda des-
conhecidos na Europa. Uma delas, que acom-
panhou a imperatriz Leopoldina, foi a Missão 
Austríaca.
Outra importante expedição foi organizada 
pelo cônsul-geral da Rússia no Brasil, barão Von 
Langsdorff, à região Amazônica. Durante o tra-
jeto de 17 mil quilômetros, percorrido em cinco 
anos de trágicas aventuras, a expedição produ-
ziu um rico acervo iconográfico. Seu integrante 
mais notável foi o pintor alemão Johann Moritz 
Rugendas (1802-1858). Embora tenha abandona-
do o grupo, Rugendas permaneceu no Brasil por 
mais quatro anos. Nas décadas de 1830 e 1840, re-
tornou às Américas, percorrendo o Brasil, o Peru 
e a Bolívia, entre outros países. 
No Brasil os artistas estrangeiros encontra-
ram belezas naturais e uma sociedade em forma-
ção que vivia grandes contradições. O país bus-
cava uma imagem de nação civilizada, mas ainda 
adotava o modelo escravocrata; o povo vivia sob 
a forte religiosidade promovida pela Igreja cató-
lica, praticando, porém, festas profanas nas ruas; 
a vida cultural se impregnava da influência fran-
cesa, enquanto os rumos econômicos e políticos 
do país, como de boa parte do mundo, eram mar-
cados pelo poder britânico.
Jean-Baptiste Debret. Desembarque 
da Imperatriz Dona Leopoldina. Óleo 
sobre tela, 44,5 cm x 69,5 cm, 1818. 
Museu Nacional de Belas-Artes, Rio 
de Janeiro.
Debret retratou nesta pintura a 
chegada da princesa austríaca 
Leopoldina, que veio casar-se 
com Dom Pedro I. Acompa-
nhava-a sua corte, que incluía 
uma comitiva de cientistas e 
artistas, a qual ficou conhecida 
como Missão Austríaca. 
R
eprodução/Museu Nacional de Belas 
Ar
tes, Rio de J
aneiro, RJ
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| CApÍtulo 14 | NeoClAssiCismo e RomANtismo |
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Os primeiros ritmos brasileiros
Durante os tempos da escravidão no Brasil, 
nos domingos e dias de festas religiosas alguns 
africanos escravizados e também libertos saíam 
das propriedades rurais ou dos locais de trabalho 
na cidade e se reuniam para as chamadas rodas 
de batuque. 
Nesses encontros, homens e mulheres for-
mavam uma roda, cantando músicas em suas 
línguas africanas e acompanhando o ritmo com 
o bater das palmas. Em geral, o batuque era di-
rigido por um dos participantes, que convida-
va os dançarinos a se agitarem movimentando 
principalmente as ancas.
Além do batuque, outras manifestações cultu-
rais surgiram nessas rodas musicais, como a dan-
ça do lundu. O nome tem origem na palavra ‘ca-
lundu’, que designa uma dança ritual africana. No 
Brasil do início do século XIX, o lundu retratado 
por Rugendas era uma mistura de umbigada e de 
fandango europeu. Mais tarde o ritmo da dança 
deu origem ao lundu-canção, acompanhado por 
letras humorísticas.
Johann Moritz Rugendas. Lundu. Litografia,
c. 1835.
Em 1935, Rugendas publicou na França o 
livro Viagem pitoresca através do Brasil
ilustrado com litografias coloridas. Nes-
ta gravura, o artista mostra o lundu, dan-
ça de origem africana, caracterizada pela 
sensualidade nos movimentos. 
Johann von Spix e Carl von Martius. Batuque em São 
Paulo, Litografia, 17 cm x 22,4 cm, 1823-1831. Coleção 
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