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Arte - Volume único
As meninas
O quadro está de costas e está de frente: de costas para você 
(que o vê por trás ao lado esquerdo) e de frente para Velázquez, 
que o pinta. Mas a verdade é que está de frente para você e já 
pintado. Aliás, desde 1656. Não obstante, Velázquez (você o 
vê) o está pintando. São duas faces do tempo numa mesma 
superfície de tela.
Aparentemente, você está atrás do quadro e de frente para 
o pintor, que tem ao lado o seu motivo: a infanta e as damas 
de companhia, que ele pinta. Mas não as pinta diretamente: 
pinta a imagem delas refletida no espelho – um espelho que 
não se vê, de cuja existência se sabe apenas pelas coisas que 
reflete: o pintor, as meninas e as mulheres, o cão e também, 
lá no fundo, um homem que se detém numa escada; ao seu 
lado, refletidas noutro espelho pequeno, as imagens do rei e da 
rainha, que entraram na sala, no outro extremo do aposento, 
fora de nossa vista. Assim, o quadro contém o que se vê e o 
que não se vê, num jogo de espelho e de espaços e tempos. É 
o quadro dentro do quadro, imagens de imagens. Realidade e 
ilusão que se confundem. Miragem, pintura...
[...]
GULLAR, Ferreira. Relâmpagos [dizer o ver]. São Paulo:
CosacNaify, 2003. p. 30 e 31.
O mercado de arte na Holanda
O crescimento econômico das nações euro-
peias contribuiu para gerar uma influente classe 
de burgueses, que se interessava em construir e 
decorar suas casas. Com isso surgiu a demanda 
por pinturas de cenas históricas, naturezas mor-
tas e as chamadas pinturas de gênero, que repre-
sentam cenas do cotidiano. 
O sucesso da pintura de gênero estava em 
atender ao gosto da época, de documentar com 
realismo o bem-estar da vida burguesa. 
Em países cuja religião dominante é o protes-
tantismo, como a Holanda, o gosto pela pintura es-
timulou um mercado de arte que funcionava como 
outro mercado qualquer de bens consumíveis. 
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Rembrandt van Rijn. A aula de anatomia do Dr. Nicolas Tulp, 1632. Óleo sobre 
tela, 169,5 cm x 216,5 cm. Mauritshuis, Haia, Holanda.
Rembrandt combinou o interesse pela ciência e o humanismo quan-
do pintou este retrato de grupo, que não se limita a um agrupamen-
to de figuras. Pela primeira vez um retrato coletivo tinha um foco 
dramático: um grupo de médicos observa o cadáver e ouve a aula do 
famoso anatomista, Dr. Tulp. 
É bom lembrar que o protestantismo não 
admite o culto às imagens de santos, como 
o catolicismo. Por isso a pintura holande-
sa privilegiou retratos e cenas domésticas 
em lugar da pintura religiosa desenvolvida 
pelos pintores italianos, financiados pela 
Igreja católica.
Sem o patrocínio da Igreja e com limi-
tadas encomendas, os pintores holandeses 
tiveram de disputar o interesse do público. 
Pela primeira vez na história do Ocidente, 
eles pintavam seus quadros e depois saíam 
em busca de compradores. Quando um ar-
tista percebia que determinado tema era 
bem aceito pelo público, transformava-se 
em especialista. Assim surgiram, por exem-
plo, os pintores de marinhas, gênero que 
tem o mar como tema.
Um dos principais artistas holandeses 
do século XVII foi Rembrandt van Rijn 
(1606-1669). Como a maioria dos pintores
barrocos, foi influenciado pela pintura de 
Caravaggio e gostava de criar contrastes de luz e sombra. 
Nos retratos pintados por Rembrandt podemos vislum-
brar, para além da aparência e das feições, algo do íntimo 
de seus modelos. 
Holandeses no Brasil
Mercadores holandeses ávidos em participar do lucra-
tivo comércio do açúcar cultivado no Brasil e comerciali-
zado pelos portugueses atacaram com sucesso as vilas de 
Olinda e Recife, na capitania de Pernambuco. Permanece-
ram nessa região por 24 anos, aliando-se aos senhores de 
engenho e consolidando seu domínio.
O conde holandês Maurício de Nassau foi nomeado 
governador da região. Integrando a comitiva de Nassau, 
que chegou a Pernambuco em 1637, estavam os pintores
Albert Eckhout (1610-1666) e Frans Post (1612- 1680).
Eckhout tinha a missão de documentar a paisagem, a 
fauna, a flora e a população. Durante seus oito anos no Bra-
sil, produziu retratos etnográficos – figuras em tamanho 
natural dos habitantes locais – e naturezas mortas. Mau-
rício de Nassau presenteou seu primo Frederico III, rei da 
Dinamarca, com essas pinturas, que ainda hoje se encon-
tram naquele país.
Albert Eckhout. Natureza morta com abacaxi, melancia 
e outras frutas tropicais. Óleo sobre tela, meados do 
século XVII, 91 cm x 91 cm. Statens Museum for Kunst, 
Copenhague, Dinamarca.
Nas doze naturezas mortas pintadas por 
Eckhout, frutas e legumes tropicais são repre-
sentados em escala maior que a natural. Essas 
pinturas expressam o fascínio dos europeus pe-
las terras brasileiras.
Reprodução/Museu Real Mauritshuis, Haia, Holanda.
Reprodução/Museu Nacional da Dinamarca/Copenhague.
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Franz Post. Mauritiopolis, 1645. Gravura que ilustra livro de Barlaeus, estampa n. 35, exemplar pertencente à Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. 
Uma seleção dos desenhos de Frans Post foi usada para ilustrar um livro do humanista holandês Caspar Barlaeus (1584-1648) 
que conta os feitos de Maurício de Nassau durante seus oito anos de governo no Brasil. Esta estampa mostra Recife com de-
talhes. À direita está Olinda, sobre a colina. À frente, a ponte inaugurada em 1644, ligando Recife à ilha de Antônio Vaz. Ao 
fundo, o palácio de Maurício de Nassau. 
Como já se revelara bom paisagista em seu 
país de origem, Frans Post foi encarregado de 
documentar a topografia e a arquitetura. Mesmo 
depois de voltar à Holanda continuou pintando 
temas brasileiros, baseando-se nos desenhos que 
aqui esboçara. 
R
eprodução/Biblioteca Nacional, Rio de J
aneiro, RJ
.
O barroco no Brasil
Cenário histórico
No Brasil a colonização começou pelo litoral, onde foram 
edificados fortes e vilas em pontos estratégicos. Aos poucos, 
alguns desses núcleos tornaram-se centros comerciais im-
portantes, como Recife, Salvador e Rio de Janeiro. 
Os colonizadores portugueses, em atendimento aos 
preceitos da Contrarreforma de converter os índios ao 
cristianismo, empreenderam um programa de construção 
de igrejas e conventos que difundiu o barroco no país.
O barroco se manifestou no Brasil e na América Latina 
de maneira singular e marcante. Associado à religiosidade 
dos colonizadores, o estilo está presente principalmente 
nas igrejas e conventos edificados no Brasil a partir do sé-
culo XVII. Por sua grande capacidade de absorver carac-
terísticas das culturas locais, o barroco perdurou por lon-
go período, em contínua renovação, em todos os países 
latino-americanos.
Bahia
A cidade de Salvador, na Bahia, foi a primeira 
capital brasileira. Com a descoberta de ouro no 
interior da colônia, no final do século XVII, a ci-
dade se tornou o principal porto para a zona de 
mineração e grande praça de importação de afri-
canos escravizados. Em Salvador estão as igrejas 
mais ricas desse período.
O barroco que floresceu no Brasil não se limi-
tou a repetir os modelos europeus. Pelo contrá-
rio, o barroco colonial foi uma expressão cheia 
de espontaneidade e autenticidade.
Foi na escultura que ocorreu a contribuição 
mais original da cultura luso-brasileira para a 
arte barroca. O uso da talha em madeira no inte-
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Interior da igreja do convento de São Francisco, 1708-1740, 
Salvador, Bahia. Foto de 2008.
A igreja de São Francisco, em Salvador, é famosa 
por sua decoração interna exuberante. Todas as 
superfícies de seu interior são revestidas de en-
talhes de jacarandá cobertos com folha de ouro, 
que representam anjos, flores, frutas e animais. 
Vista de Ouro Preto, Minas Gerais, fundada em 1711. Foto de 2010.
A notícia da descoberta de ouro atraiu a Minas Gerais um súbito afluxo popu-
lacional de outras regiões do Brasil e também de Portugal. Rapidamente sur-
giram pequenas cidades, como Vila Rica, atualmente 

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