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Arte - Volume único
Shakespeare e o teatro elisabetano
Ilustração representando o teatro Globe visto do alto. Construído em 1599, o 
teatro foi destruído pelo fogo em 1613. Em 1997 foi feita uma reconstrução 
moderna, o Shakespeare’s Globe, no bairro londrino de Southwark. 
O palco era retangular. Diante deles ficavam os que pagavam um cen-
tavo para entrar. Ali se acotovelavam marinheiros, artesãos, a criada-
gem e outros trabalhadores. Quem podia pagar mais, comprava um lugar 
melhor: as classes poderosas dividiam-se nas galerias que cercavam o 
tablado. A rainha tinha lugar cativo. Os jovens cortesãos chegavam a sentar 
no palco: era chique chegar atrasado e acomodar-se ao lado da cena, com a 
peça já começada.
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| CApÍtulo 12 | RenAsCimento |
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Reis, nobres e famílias poderosas povoam 
as peças de Shakespeare. Seus monarcas estão 
inseridos em um mundo complexo, sabem das 
consequências de suas ações e vivem a se ques-
tionar. Shakespeare compreende que há um ser 
humano por trás da coroa. Existem reis bons e 
reis maus; ser rei simplesmente não basta. Ao 
longo de sua carreira, Shakespeare escreveu, 
além de tragédias, diversos dramas históricos 
contando passagens não só da história da Ingla-
terra, mas também da Grécia clássica e de Roma.
No entanto, se os aristocratas quase sempre 
aparecem como figuras centrais das tramas, são 
constantemente apoiados por personagens popu-
lares, descritos com a mesma riqueza de detalhes 
que os nobres. Nas comédias de Shakespeare, 
cresce a participação das camadas populares: 
sem o artesão que é transformado em burro não 
seria possível a história de Sonho de uma noite 
de verão
. Nos dramas e tragédias, esses perso-
nagens também existem – Julieta não realizaria 
sua empreitada sem a ajuda da ama; em Rei 
Lear
, a ação é comentada constantemente pelo 
bobo da corte.
Todos se viam representados no palco e, 
através dessa representação, sentiam a comple-
xidade da condição humana, de agir no mundo
de questionar-se sobre ele. No palco, o indiví-
duo se afirmava – e afirmar o homem como cen-
tro era uma mudança radical.
Shakespeare frequentava a corte, envolvia-se 
nas intrigas, compreendia os jogos políticos. As 
peças eram feitas desse rico cenário em transfor-
mação. Por isso eram centradas na ação, que se 
desenvolvia em diferentes lugares. Em Hamlet
por exemplo, a ação passa da vigia dos guar-
das ao salão do palácio, para, na cena seguinte, 
acompanhar um exército nos campos da Dina-
marca e voltar ao protagonista, agora num ce-
mitério.
Falando assim, imaginamos cenários sun-
tuosos; mas não era esse o caso. As peças 
quase não contavam com cenários. Para dar 
conta de sua dimensão grandiosa, muito do 
ambiente em que a ação se desenvolvia era 
apenas narrado, para que o público o criasse 
com sua imaginação. 
Shakespeare misturava, no linguajar de seus 
personagens, a alta poesia e a fala corriqueira 
da população. Esse jogo, aliás, era uma de suas 
características fundamentais: suas peças preci-
savam abarcar os gostos de uma plateia muito 
diversificada.
Nas peças do período elisabetano havia vi-
talidade de personagens contraditórias e palpá-
veis, diálogos rápidos, enredos bem construí-
dos. Cada peça constrói para si um universo, 
e o povoa com personagens dignos de serem 
lembrados. Dois amantes não se amam da mes-
ma forma desde Romeu e Julieta.
O grupo paulistano Ornitorrinco 
representa Sonhos de uma noite de 
verão, em Nova York, em 1991. 
As peças de Shakespeare têm 
sido encenadas em todo o mundo 
desde o século XVII. A montagem 
de 
Sonhos de uma noite de verão 
pelo grupo brasileiro Ornitorrin-
co fez enorme sucesso interna-
cional em 1991.
Mário F
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Pesquisa 
as múltiplas
leituras de Shakespeare
shakespeare foi um homem de seu tempo. sua obra faz parte do processo de transição da idade média para o mundo moderno. 
suas peças representam com precisão o individualismo e o humanismo que caracterizaram esse período.
por isso, ao remontar suas peças nos dias de hoje, muitos encenadores modificam as ideias originais, na tentativa de debater 
o tempo presente, o nosso tempo, a partir da dramaturgia de shakespeare.

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