Perspectivas da era vitoriana: sociedade, vestuário, literatura e arte resumo



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PERSPECTIVAS DA ERA VITORIANA: SOCIEDADE, VESTUÁRIO, LITERATURA E ARTE
Resumo: O presente artigo deseja refletir como a chamada Era Vitoriana no século XIX, tanto na Europa quanto no Brasil, demonstrava uma postura social, do vestuário, literária e da arte que apresentava um embate entre o pudico e ação arguta. A cada momento do artigo o leitor poderá aproveitar durante a leitura cada um desses matizes. Destarte, este estudo faz parte dos estudos da História Cultural e demonstra a dinâmica dos eixos selecionados dentro da narrativa historiográfica.

Palavras-chave: Era Vitoriana; Sociedade Vitoriana, Moda Vitoriana, Literatura e Arte Vitoriana.
Abstract: This article want to reflect how the call Victorian Era in the nineteenth century, both in Europe and in Brazil, showed a social posture, clothing, literary and art which featured a clash between the prudish and shrewd action. Every time the article the reader can enjoy while reading each of these hues. Thus, this study is part of the studies of Cultural History and demonstrates the dynamics of the selected axis within the historiographical narrative.

Keywords: Victorian Era; Victorian Society; Victorian Fashion; Literature and Victorian Art



O período vitoriano, como ficou conhecido esse hiato de tempo que abarcou quase completamente o século XIX, recebe essa denominação devido ao longo reinado da Rainha Vitória. Apesar dos marcos, estabelecidos pelo início e fim de seu governo – 1837 a 1904 –, não se pode definir com clareza seus reais limites temporais ou geográficos. Eles se expandem para muito além das fronteiras do vasto império britânico, além de se constituir em um sinônimo do próprio século XIX. A sociedade vitoriana exerceu influência sobre boa parte do mundo ocidental, nesse período, desde o estilo de vida até a arte e a indústria.
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Figura 1: Vestido de luto (originalmente era preto, tendo perdido a cor devido à sua antiguidade) usado pela Rainha Vitória no seu primeiro Conselho Privado, em 20 de junho de 1837, dia de sua ascensão ao trono.

Época de muitas realizações em vários campos do saber humano foi o palco do início das grandes exposições universais, verdadeiros prodígios da arte e da ciência. A primeira delas ocorreu em Londres, no ano de 1851, epicentro do império de Vitória. Sua criação deve-se ao próprio Príncipe Albert, consorte da rainha, que, um ano antes, advogou a necessidade de uma exibição que celebrasse os progressos da indústria britânica.

Mas, a era vitoriana foi, antes de tudo, um período de enormes contradições. Ao lado dos grandes progressos técnicos e industriais, assiste-se a um triste espetáculo de doenças, violência e morte. Foi também um período quando se exerceu um forte controle sobre o comportamento sexual de homens e mulheres. Mais especialmente sobre as mulheres. Apesar de a monarca representar a ideia de uma mulher chefe de Estado, os papéis sexuais eram rigidamente definidos. A mulher deveria reinar no lar e nele somente. A própria Vitória, triste contradição, era uma feroz defensora da submissão feminina e dos limites a serem impostos à atuação das mulheres na sociedade.

O período posterior à Revolução Francesa marcou uma época de crescente confinamento das mulheres ao reduto doméstico, que iria se prolongar por todo o século XIX. Ela se torna o símbolo da fragilidade que deveria ser protegido do mundo exterior, público. E, assim, se torna também o símbolo próprio do privado em oposição ao espaço público, destinado aos homens (HUNT, 1991).

Também na literatura, muito pródiga em obras hoje consideradas clássicas, reflete-se esse paradoxo entre luz e sombra. Surgem romances e contos que celebram esse lado oculto, esse duplo que se esconde nos recônditos da psique humana. As últimas décadas do século registram as primeiras experiências da psicanálise de Freud, que começava a desvendar os segredos da mente. Obras como “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, “O médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson, e “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, “As aventuras de Sherlock Holmes” de Arthur Conan Doyle revelam os horrores que se escondem sob uma aparência externa polida, contida, controlada (SCHMITT, 2008).

A literatura, espelho da sociedade, denunciava assim os limites impostos por uma sociedade extremamente fiscalizadora da moral e dos bons costumes. E isso é real também para o lugar das mulheres na sociedade vitoriana. Edith Wharton, escritora norte-americana, foi autora de romances e contos que apontavam para os limites da atuação feminina na sociedade da época e criticava sagazmente as questões relacionadas ao casamento: o mercado de matrimônios, a sexualidade, o puritanismo das relações e as traições conjugais (WHARTON, 1995). Uma das obras da autora, “A época da inocência”, retrata uma sociedade nova-iorquina aristocrática e profundamente rígida com relação aos papéis sociais (WHARTON, 2000).

Cabe lembrar que os primeiros discursos acerca da necessidade de conter os impulsos sexuais desde a infância também se originaram nesse século, frutos do pensamento médico e educacional vigentes. Os cuidados com o corpo e a saúde preconizavam o controle das paixões e o adestramento das vontades. A educação escolar, praticada nos internatos femininos e masculinos, condenava a prática do onanismo como origem de doenças físicas e psicológicas, bem como vigiava as amizades e os comportamentos noturnos dos alunos (VICENT-BUFFAULT, 1996).

Esse quadro de controle social desembocava, não raras vezes, em atos de grande violência. Exemplo disso é a proliferação, até então inédita, de prostíbulos por todas as grandes cidades da Europa. O “mal necessário”, visto como uma forma de proteger as esposas virtuosas dos acessos apaixonados de seus maridos, impunha às mulheres “caídas” uma vida de miséria, abandono, violência e exclusão social. Essas mulheres eram confinadas em “casas de tolerância” constantemente fiscalizadas pelas autoridades públicas e visitadas por médicos, para tentar evitar que as doenças venéreas não se proliferassem (ENGEL, 1989). Da mesma forma, os crimes hediondos, cometidos entre 31 de agosto e 9 de novembro de 1888, pelo célebre assassino serial Jack, o Estripador, atestam o grau de selvageria a que estavam expostas as prostitutas do distrito de White Chapel, reduto de miséria e violência, no centro mesmo do império vitoriano.

No lado oposto encontravam-se as mulheres virtuosas: esposas, mães, filhas e irmãs. Sobre elas pairavam os olhares da sociedade vitoriana, vítimas do controle absoluto sobre os instintos e consideradas indivíduos que necessitavam de constante tutela.

Nesse contexto, o vestuário feminino era, portanto, um local privilegiado para esse tipo de controle. Mas não isento de contradições e excessos, como veremos. Segundo Henri Zerner, “se as vestes existem, em princípio, para proteger e ocultar o corpo, elas servem também para revelá-lo e dar-lhe contornos. De fato, a representação do corpo vestido transmite uma experiência da carne de maneira muito mais viva do que o nu, que sempre é mais ou menos ideal” (ZERNER, 2012, p. 107-8)

Assim, é também contraditória a relação dos vitorianos com a roupa. Ou a falta delas. O século XIX tratou de cobrir o corpo, mas, ao mesmo tempo, foi o século quando mais se cultivou o nu. Foi a época da pudibundaria* por excelência2. Na vida cotidiana, por outro lado, o corpo nunca foi tão zelosamente ocultado, sobretudo o corpo da mulher. Não apenas se oculta o corpo, como também parece que se assiste aí a uma cultura da feiúra física, ao menos na esfera masculina (ZERNER, 2012).

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