Pensando a política nacional



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Encontro14.12.2019
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Pensando a política nacional...

  • Quando olhamos para a classe política e as motivações eleitorais do brasileiro, percebemos que falta a nossa população (eleitores e eleitos) uma verdadeira consciência política, baseada na clareza sobre as responsabilidades governamentais, sobre o significado de democracia, enfim... Esta falta não deve ser encarada somente como fruto da baixa escolaridade ou de intenções perversas daqueles que governam. Trata-se de um problema muito maior...

Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, 1936

O que define o brasileiro?

  • Sérgio Buarque era um neo-weberiano e escreveu seu livro no governo Vargas. Seu objetivo era entender a característica fundamental do brasileiro, sua identidade mais profunda. Sua conclusão: a cordialidade.
  • Ética cordial em oposição à ética protestante.

O Homem Cordial

  • Cordial vem de “Cor”, que significa “coração”. Não se trata de um elogio, mas de uma disposição própria para a vida em sociedade, pautada pela emoção e não pela razão.
  • “Formado nos quadros da estrutura familiar, o brasileiro recebeu o peso das ‘relações de simpatia’, que dificultam a incorporação normal de outros agrupamentos. Por isso, não acha agradáveis as relações impessoais, características do Estado, procurando reduzi-las ao padrão pessoal e afetivo.”

A confusão entre o “público” e o “privado”

  • Vida social: lógica familiar; aversão às formalidades; sociabilidade baseada na intimidade; valorização do status.
  • Vida no trabalho: desvalorização do trabalho em si, mas principalmente dos trabalhos manuais; malandragem, “jeitinho brasileiro”.

Vida pública (política)

  • Personalismo/populismo; fisiologismo; nepotismo.
  • Tais aspectos estão no governo, mas também estão na vida em sociedade, nas relações pessoais, profissionais, etc... Ou seja, a corrupção no Brasil é um problema estrutural.

HANNAH ARENDT (1906-1975)

  • Filósofa e cientista politica alemã. Judia.
  • Arendt dedicou-se à maneira como os fatos históricos geralmente são distorcidos quando apropriados pela política e usados como ferramentas para justificar decisões políticas específicas
  • Os eventos ocorrem e são registrados como história, mas...
    • Podem justificar uma ação política particular
    • Garantir a revelação dos fatos num momento mais conveniente
    • Assegurar a resposta desejada em momentos de crise (eleições, guerras...)
    • Reescrever a história para favorecer certas pessoas ou priorizar certos fatos
  • Portanto, a verdade sobre os eventos é conjuntural. Os “fatos” mudam, de acordo com a conveniência de quem os narra.

Banalidade do mal

  • Nesse sentido, segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica, não é natureza, é político e histórico, produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional para isso - em razão de uma escolha política.
  • Para esta formulação teórica, Arendt acompanhou o julgamento de Adolf Eichmann, o general nazista responsável pela logística e execução do plano “solução final”, parte do III Reich alemão. Capturado na Argentina e julgado em Israel, foi condenado a morte por 15 crimes, dentre eles o crime contra a humanidade.
  • Hannah faz uma análise filosófica de sua personalidade e de seus argumentos: “só cumpri ordens”, “seria desonesto não executar o trabalho que me foi dado”.
  • Ela descreve não somente o desenrolar das sessões, mas faz uma análise do "indivíduo Eichmann". Segundo ela, Adolf Eichmann não possuía um histórico ou traços antissemitas e não apresentava características de um caráter distorcido ou doentio. Agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores, movido pelo desejo de ascender profissionalmente, na perfeita lógica burocrática.
  • Disso, ela conclui que:
    • O caráter conjuntural dos “fatos” pode promover uma “negação da consciência, do próprio pensamento”
    • A banalidade do mal (violência, tortura, terror) é precisamente o “mal inquestionado”, já que as consciências são negadas
    • O totalitarismo, portanto, promove a desumanização de todos os envolvidos, pelo uso que faz dos fatos.



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