Pedagogia da Autonomia



Baixar 1.06 Mb.
Pdf preview
Página28/30
Encontro11.02.2022
Tamanho1.06 Mb.
#21570
1   ...   22   23   24   25   26   27   28   29   30
Pedagogia-da-Autonomia-Paulo-Freire(1)
treinador, de transferidor de saberes, de exercitador de destrezas.

Os saberes de que este educador "pragm ático” necessita na sua prática não são os de que venho

falando neste livro. A m im  não m e cabe falar deles, os saberes necessários ao educador

“pragm ático” neoliberal m as, denunciar sua atividade anti-hum anista.

O educador progressista precisa estar convencido com o de suas conseqüências é o de ser o seu

trabalho um a especificidade hum ana. Já vim os que a condição hum ana fundante da educação é

precisam ente a inconclusão de nosso ser histórico de que nos tornam os conscientes. Nada que

diga respeito ao ser hum ano, à possibilidade de seu aperfeiçoam ento físico e m oral, de sua

inteligência sendo produzida e desafiada, os obstáculos a seu crescim ento, o que possa fazer em

favor da boniteza do m undo com o de seu enfeam ento, a dom inação a que estej a suj eito, a

liberdade por que deve lutar, nada que diga respeito aos hom ens e às m ulheres pode passar

despercebido pelo educador progressista. Não im porta com  que faixa etária trabalhe o educador

ou a educadora. O nosso é um  trabalho realizado com  gente, m iúda, j ovem  ou adulta, m as gente

em  perm anente processo de busca. Gente form ando-se, m udando, crescendo, reorientando-se,




m elhorando, m as, porque gente, capaz de negar os valores, de distorcer-se, de recuar, de

transgredir. Não sendo superior nem  inferior a outra prática profissional, a m inha, que é a prática

docente, exige de m im  um  alto nível de responsabilidade ética de que a m inha própria

capacitação científica faz parte. É que lido com  gente. Lido, por isso m esm o, independente-

m ente do discurso ideológico negador dos sonhos e das utopias, com  os sonhos, as esperanças

tím idas, às vezes, m as às vezes, fortes, dos educandos. Se não posso, de um  lado, estim ular os

sonhos im possíveis, não devo, de outro, negar a quem  sonha o direito de sonhar. Lido com  gente e

não com  coisas. E porque lido com  gente, não posso, por m ais que, inclusive, m e dê prazer

entregar-m e à reflexão teórica e crítica em  torno da própria prática docente e discente, recusar a

m inha atenção dedicada e am orosa à problem ática m ais pessoal deste ou daquele aluno ou aluna.

Desde que não prej udique o tem po norm al da docência, não posso fechar-m e a seu sofrim ento

ou à sua inquietação porque não sou terapeuta ou assistente social.

Mas sou gente. O que não posso, por um a questão de ética e de respeito profissional, é pretender

passar por terapeuta. Não posso negar a m inha condição de gente de que se alonga, pela m inha

abertura hum ana, um a certa dim ensão terápica.

Foi convencido disto que, desde j ovem , sem pre m archei de m inha casa para o espaço

pedagógico onde encontro os alunos, com  quem  com parto a prática educativa, Foi sem pre com o

prática de gente que entendi o que-fazer docente. De gente inacabada, de gente curiosa,

inteligente, de gente que pode saber, que pode por isso ignorar, de gente que, não podendo passar

sem  ética se tornou contra ditoriam ente capaz de transgredi-la. Mas, se nunca idealizei a prática

educativa, se em  tem po algum  a vi com o algo que, pelo m enos, parecesse com  um  que-fazer de

anj os, j am ais foi fraca em  m im  a certeza de que vale a pena lutar contra os descam inhos que

nos obstaculizam  de ser m ais. Naturalm ente, o que de m aneira perm anente m e aj udou a m anter

esta certeza foi a com preensão da História com o possibilidade e não com o determ inism o, de que

decorre necessariam ente a im portância do papel da subj etividade na História, a capacidade de

com parar, de analisar, de avaliar, de decidir, de rom per e por isso tudo, a im portância da ética e

da política.

É esta percepção do hom em  e da m ulher com o seres “program ados, m as para aprender” e,

portanto, para ensinar, para conhecer, para intervir, que m e faz entender a prática educativa

com o um  exercício constante em  favor da produção e do desenvolvim ento da autonom ia de

educadores e educandos. Com o prática estritam ente hum ana j am ais pude entender a educação

com o um a experiência fria, sem  alm a, em  que os sentim entos e as em oções desej os, os sonhos

devessem  ser reprim idos por um  de de ditadura reacionalista. Nem  tam pouco com preendi a

prática educativa com o um a experiência que faltasse o rigor em  que se gera a necessária

disciplina intelectual.

Estou convencido, porém , de que a rigorosidade séria disciplina intelectual, o exercício da

curiosidade epistem ológica não m e fazem  necessariam ente um  se am ado, arrogante, cheio de

m im  m esm o. Ou, em  palavras, não é a m inha arrogância intelectual a que fala de m inha

rigorosidade científica. Nem  a arrogância é sinal de com petência nem  a com petência é causa



arrogância. Não nego a com petência, por outro lado, de arrogantes, m as lam ento neles a

ausência de sim plicidade que, não dim inuindo em  nada seu saber, os faria m elhor. Gente m ais

gente.




Baixar 1.06 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   22   23   24   25   26   27   28   29   30




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal