Pedagogia da Autonomia



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Pedagogia-da-Autonomia-Paulo-Freire(1)
comunicados, escutar a indagação, a dúvida, a criação de quem  escutou. Fora disso, fenece a

com unicação.

Voltem os a um  ponto referido antes, m as sobre que preciso insistir. Um a das características da

experiência existencial no m undo em  com paração com  a vida no suporte é a capacidade que

m ulheres e hom ens criam os de inteligir o m undo sobre que e em  que atuam os, o que se deu

sim ultaneam ente com  a com unicabilidade do inteligido. Não há inteligência da realidade sem  a

possibilidade de ser com unicada.

Um  dos sérios problem as que tem os é com o trabalhar a linguagem  oral ou escrita associada ou

não à força da im agem , no sentido de efetivar a com unicação que se acha na própria

com preensão ou inteligência do m undo. A com unicabilidade do inteligido é a possibilidade que

ele tem  de ser com unicado m as não é ainda a sua com unicação.

Sou tão m elhor professor, então, quanto m ais eficazm ente consiga provocar o educando no

sentido de que prepare ou refine sua curiosidade, que deve trabalhar com  m inha aj uda, com

vistas a que produza sua inteligência do obj eto ou do conteúdo de que falo. Na verdade, m eu

papel com o professor, ao ensinar o conteúdo ou b, não é apenas o de m e esforçar para, com



clareza m áxim a, descrever a substantividade do conteúdo para que o aluno o fixe. Meu papel

fundam ental, ao falar com  clareza sobre o obj eto, é incitar o aluno a fim  de que ele, com  os

m ateriais que ofereço, produza a com preensão do obj eto em  lugar de recebê-la, na íntegra, de

m im . Ele precisa de se apropriar da inteligência do conteúdo para que a verdadeira relação de

com unicação entre m im , com o professor, e ele, com o aluno se estabeleça. É por isso, repito, que

ensinar não é transferir conteúdo a ninguém , assim  com o aprender não é m em orizar o perfil do

conteúdo transferido no discurso vertical do professor. Ensinar e aprender têm  que ver com  o

esforço m etodicam ente crítico do professor de desvelar a com preensão de algo e com  o

em penho igualm ente crítico do aluno de ir entrando com o suj eito em  aprendizagem , no processo

de desvelam ento que o professor ou professora deve deflagrar. Isso não tem  nada que ver com  a

transferência de conteúdo e fala da dificuldade m as, ao m esm o tem po, da boniteza da docência e

da discência.

Não é difícil com preender, assim , com o um a de m inhas tarefas centrais com o educador

progressista sej a apoiar o educando para que ele m esm o vença suas dificuldades na

com preensão ou na inteligência do obj eto e para que sua curiosidade, com pensada e gratificada

pelo êxito da com preensão alcançada, sej a m antida e, assim , estim ulada a continuar a busca

perm anente que o processo de conhecer im plica. Que m e sej a perdoada a reiteração, m as é

preciso enfatizar, m ais um a vez: ensinar não é transferir inteligência do obj eto ao educando m as

instigá-lo no sentido de que, com o suj eito cognoscente, se torne capaz de inteligir e com unicar o

inteligido. É neste sentido que se im põe a m im  escutar o educando em  suas dúvidas, em  seus

receios, em  sua incom petência provisória. E ao escutá-lo, aprendo a falar com ele.

Escutar é obviam ente algo que vai m ais além  da possibilidade auditiva de cada um . Escutar, no

sentido aqui discutido, significa a disponibilidade perm anente por parte do suj eito que escuta para

a abertura à fala do outro, ao gesto do outro, às diferenças do outro. Isto não quer dizer,

evidentem ente, que escutar exij a de quem  realm ente escuta sua redução ao outro que fala. Isto

não seria escuta, m as auto-anulação.

A verdadeira escuta não dim inui em  m im , em  nada, a capacidade de exercer o direito de

discordar, de m e opor, de m e posicionar. Pelo contrário, é escutando bem  que m e preparo para

m elhor m e colocar ou m elhor m e situar do ponto de vista das idéias. Com o suj eito que se dá ao

discurso do outro, sem  preconceitos, o bom  escutador fala e diz de sua posição com  desenvoltura.

Precisam ente porque escuta, sua fala discordante, em  sendo afirm ativa, porque escuta, j am ais é

autoritária.

Não é difícil perceber com o há um as tantas qualidades que a escuta legítim a dem anda do seu

suj eito.

Qualidades que vão sendo constituídas na prática dem ocrática de escutar.

Deve fazer parte de nossa form ação discutir quais são estas qualidades indispensáveis, m esm o

sabendo que elas precisam  de ser criadas por nós, em  nossa prática, se nossa opção político-

pedagógica é dem ocrática ou progressista e se som os coerentes com  ela. É preciso que saibam os




que, sem  certas qualidades ou virtudes com o am orosidade, respeito aos outros, tolerância,

hum ildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo, dispobilidade à m udança,

persistência na luta, recusa aos fatalism os, identificação com  a esperança, abertura à j ustiça, não

é possível a prática pedagógico-progressista, que não se faz apenas com  ciência e técnica.

Aceitar e respeitar a diferença é um a dessas virtudes sem  o que a escuta não se pode dar. Se

discrim ino o m enino ou m enina pobre, a m enina ou o m enino negro, o m enino índio, a m enina

rica; se discrim ino a m ulher, a cam ponesa, a operária, não posso evidentem ente escutá-las e se

não as escuto, não posso falar com  eles, m as a eles, de cima para baixo. Sobretudo, m e proíbo

entendê-los. Se m e sinto superior ao diferente, não im porta quem  sej a, recuso-m e escutá-lo ou


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