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3. Considerações Finais 

Ao conceder espaço nas páginas para as narrativas daqueles que foram vítimas da 

falta  de  acesso  ao  aborto  e  daqueles  que  lutam  por  condições  dignas  e  legais  para  a 

realização do procedimento, o livro tornar-se um espaço de reconhecimento e legitimação 




 

Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 

42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Belém - PA – 2 a 7/09/2019

 

 



 

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dessas narrativas; com isso, uma outra história é contada. Se a questão da falta de acesso 

ao aborto é genérica, a forma de abordagem nem por isso é universal. Muito ao contrário, 

já dissemos, o livro é um arranjo de narrativas, verbo-visuais, singulares. A experiência 

de um é diferente da experiência do outro e o respeito a essas diferenças é fundamental 

para a descolonização da prática da história.  

Distintas  realidades  emergem  no  livro  rompendo  com  o  silêncio  e  com  o 

imaginário propagado na fala do presidente americano que, em seu papel de autoridade 

do Estado, legitima a perpetuação da colonização de uns por outros que se outorgam o 

pressuposto  de  superioridade  enquanto  espécie.  Esse  imaginário,  que  se  pretende 

hegemônico  e  universalista,  atua  de  forma  quase  imperceptível  nas  camadas  mais 

profundas sociedade, colonizando corpos e saberes ao ser, também, elemento fundador 

de uma prática da história pretensamente objetiva, linear, universal, mantenedora de um 

certo regime dominação social, no qual o aborto é tabu (tal como o próprio traço sobre o 

nome aborto, na capa do livro, evidencia), é matéria de proibição e/ou controle. 

Com  isso,  podemos  dizer  que  a  abordagem  da  autora,  e  as  operações  artísticas 

decorrentes de seu posicionamento, realizam, no livro, uma prática política da história. 

Pois, ao promover a visibilidade de determinadas histórias de vida, colocando em cena 

não só a absurdidade da colonização, mas também os desejos de autodeterminação que 

foram  ou  ainda  são  silenciados,  realizam  uma  ação  de  política  visa  fazer  justiça  às 

mulheres vítimas dos processos de dominação social abordados no livro.  

A  história  do  aborto  é,  portanto,  retomada,  respeitando  a  singularidade  dos 

testemunhos e a heterocronicidade da questão, e contada tendo como pressuposto de base 

a igualdade dos corpos, isto é, a autodeterminação do corpo da mulher. A salvação, nos 

lembra Benjamin, é ação do presente. On Abortion, podemos então dizer, estabelece uma 

nova  ligação  entre  passado  e  presente,  desempenhando  um  papel  artístico-político  de 

resistência e luta contra imaginários colonizadores em vista de futuros de mais igualdade 

e autodeterminação dos corpos. 

 




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