P. 31-50 contexto & educaçÃo editora Unijuí Ano 25 nº 84 Jul./Dez. 2010 Identidade Humana



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CONTEXTO & EDUCAÇÃO

que está no indivíduo” (2002, p. 167). Existe, igualmente, uma relação recursiva, 

no sentido de que os indivíduos produzem a sociedade, que por sua vez produz 

os indivíduos. Assim, produzimos a sociedade que nos produz; e, por fim, a 

relação dialógica confere ao indivíduo a situação de uma relação complementar 

e, ao mesmo tempo antagônica, entre ele e a sociedade. Indivíduo e sociedade 

formam polos dicotômicos, porém complementares. A ideia de um ser dialógico 

é inerente ao homem: uno/múltiplo, singular/plural, imanente/transcendente, 

sujeito/objeto, sapiens/demens.

Temos,  portanto,  uma  identidade  social,  tendo  em  vista  que  todo  ser 

individual só pode realizar-se num meio cultural, inserido em uma cultura que 

é expressa numa dada sociedade. Por essa razão o caldo de cultura da comple-

xidade individual, segundo Morin, forma a complexidade do ser social.

  Morin elabora um caminho-síntese da nossa identidade histórica que, 

segundo ele, foi sendo construída pela civilização humana ao longo dos tempos. 

Nossa identidade histórica possibilita compreender o percurso das grandes rea-

lizações do homem desde as sociedades mais arcaicas até o momento presente. 

Esse percurso é marcado pelos feitos decisivos que revelam não só o progresso 

humano, mas, igualmente, os recuos que o homem impôs à humanidade. 

Para os autores de Terra-Pátria, o século 14 de nossa era marca o começo 

de nossa identidade planetária. O fenômeno da planetariedade revela que “não 

apenas cada parte do mundo faz cada vez mais parte do mundo, mas o mundo 

enquanto todo está cada vez mais presente em cada uma de suas partes. Isso 

se verifica não só para as nações e os povos, mas também para os indivíduos” 

(Morin; Kern, 2000, p. 35). Doravante constataremos a mundialização das ideias, 

das guerras, dos negócios, das comunicações, das culturas, de forma cada vez 

mais evidente. As identidades forjadas ao longo desta saga humana permitem 

compreender que vivemos o presente como síntese de nosso passado histórico 

ao mesmo tempo em que já estamos formatando a nossa identidade futura



identidade humana

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Ano 25 • nº 84 • Jul./Dez. • 2010

Junto  a  outras  questões  cruciais  deste  século  que  consolida  e  amplia 

formas  planetárias  e  globalizadas  de  comunicação,  a  reflexão  sobre  a  iden-

tidade pessoal e dos diferentes povos emerge como um desafio fundamental 

para a civilização humana: Como, num contexto de sociedade cada vez mais 

globalizada podemos, ao mesmo tempo, respeitar as diferenças culturais e re-

conhecer o direito à diferença de modo a permitir o resgate e a construção da 

dignidade da humanidade? Um universalismo plural produz necessariamente 

um relativismo cultural? É possível constituir uma identidade planetária sem 

anular as diferenças?



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