P. 31-50 contexto & educaçÃo editora Unijuí Ano 25 nº 84 Jul./Dez. 2010 Identidade Humana



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CONTEXTO & EDUCAÇÃO

Cada um desses termos contém os outros. Não só os indivíduos estão na es-

pécie, mas também a espécie está nos indivíduos; não só os indivíduos estão 

na sociedade, mas a sociedade também está nos indivíduos, incutindo-lhes, 

desde o nascimento deles, a sua cultura (Morin, 2002, p. 51-52).

Morin (2002, p. 94) adverte que “o indivíduo não é noção primeira nem 

última, mas uma noção central da trindade humana”. Mesmo contendo a multi-

plicidade o indivíduo permanece como um sujeito único e, desta forma, continua 

o autor (p. 95), “os outros moram em nós; nós moramos nos outros...”. O sujeito 

não existe e não se constrói descolado do mundo. Nele está presente o outro 

que o desafia, que o convida a existir, que o ensina e aprende e se faz existir no 

contato com esse outro, ou seja, formamos e somos formados por fragmentos 

que encontramos nos outros e no mundo, por aquilo que permitimos ao outro 

conhecer em nós e vice-versa.

Não basta, portanto, pretender responder às perguntas: Quem sou eu? 

Ou, quem somos nós? É necessário ampliar o grau de preocupação para outras 

questões de maior dimensão, por exemplo: Como conviver com indivíduos que 

formam uma espécie comum? Qual modelo de civilização nós constituímos e 

queremos construir para viver em sociedade?

A sociedade em que nos inserimos possui inúmeros valores, os quais são 

modificados e repensados no decorrer de nossas vivências culturais. Em contato 

com a diversidade cultural o homem assimila os sentidos, valores e saberes 

fazendo uso de sua racionalidade, inserindo-se, dessa forma, num processo de 

aquisição e definição de suas características pessoais e formação dos aspectos 

que compõem sua identidade por meio das inter-relações. 

O homem é racional (sapiens), louco (demens), produtor, técnico, constru-

tor, ansioso, extático, instável, erótico, destruidor, consciente, inconsciente, 

mágico, religioso, neurótico; goza, canta, dança, imagina, fantasia. Todos 

esses traços cruzam-se, dispersam-se, recompõem-se, conforme os indiví-

duos, as sociedades, os momentos, aumentando a inacreditável diversidade 

humana... Mas todos esses traços aparecem a partir de potencialidades do 

homem genérico, ser complexo no sentido em que reúne traços contraditórios 

(Morin, 2002, p. 63-64).



identidade humana

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Ano 25 • nº 84 • Jul./Dez. • 2010

Logo, o ser humano é uma espécie biossocial que se organiza em es-

truturas sociais, que pertence ao universo e evolui junto com ele: cooperação e 

competição – família, comunidade, instituições – dão origem a uma cultura de 

grupo e em meio a essa cultura, a fim de compreender e manipular o mundo, 

produz e desenvolve conhecimentos, pesquisas científicas e novas tecnologias 

como projeto comum da humanidade. Esse processo evolutivo se dá por con-

tinuidades e descontinuidades de formas culturais. É nesse sentido que “[...] 

os antropólogos falam de um traço fundamental da condição humana que é a 

variabilidade e, por conseguinte, uma variabilidade múltipla de adaptação. Assim, 

a cultura é o modo de viver de um povo” (Sidekun, 2006, p. 105). Este autor 

concebe a cultura “como um processo de humanização do mundo e da própria 

história humana, bem como a instauração da consciência histórica” (p. 101). 

Por essa razão, segundo ele, a cultura representa uma síntese de toda atividade 

histórica do ser humano. 

Em Morin nossa identidade biológica e social liga-se à nossa identidade 

humana e planetária, revelando-se a cultura o capital humano fundamental. Bio-

logicamente o ser humano nasce e se desenvolve como um ser ainda não feito, 

cabendo à cultura a tarefa de moldar o homem enquanto indivíduo e enquanto 

membro de uma espécie e de uma sociedade. A herança social do ser humano 

é  transmitida  pela  cultura.  Nesse  sentido,  as  culturas  alimentam  e  moldam 

as identidades individuais e sociais naquilo que elas têm de mais profundo, 

contraditório e específico. Morin (2002, p. 36) assim se expressa: “A cultura é 

o que permite aprender e conhecer, mas também é o que impede de aprender 

e de conhecer fora dos seus imperativos e das suas normas, havendo, então, 

antagonismo entre o espírito autônomo e sua cultura”.

As abordagens e considerações desencadeadas em relação ao estudo do 

homem revelam que a cultura abrange o conjunto das manifestações humanas. 

Morin (2002, p. 35) escreve que a cultura é

[...] constituída pelo conjunto de hábitos, costumes, praticas, savoir-faire

saberes, normas, interditos, estratégias, crenças, idéias, valores, mitos, que 

se perpetua de geração em geração, reproduz-se em cada indivíduo, gera 



celso José mArtinAzzo



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