P. 31-50 contexto & educaçÃo editora Unijuí Ano 25 nº 84 Jul./Dez. 2010 Identidade Humana



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CONTEXTO & EDUCAÇÃO

são de conceber, inseparavelmente, a dialógica

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 da unidade e da diversidade 



humanas. Por isso, ao escrever sobre a identidade humana o autor recorre às 

mais diferentes fontes e áreas do conhecimento humano: a Filosofia, Literatura, 

Religião,  História, Antropologia,  Sociologia,  Psicologia,  enfim,  aos  grandes 

tratados que abordam a gênese e a evolução do homem. Morin, no entanto, para 

a compreensão da origem das culturas no planeta como múltiplas e dispersas, 

vai se socorrer especialmente das ciências biológicas, nas quais encontra as 

raízes da nossa Antropologia. 

O homem dá início à constituição de sua identidade a partir do momento 

em que entra em contato com o mundo, transforma a natureza e produz dife-

rentes culturas.

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 As suas características próprias, o modo de pensar, ser e agir 



desenvolvem-se  no  decorrer  das  suas  ações  cotidianas  em  meio  à  realidade 

cultural em que se insere. Segundo Morin (2002, p. 64), “A cultura constitui a 

herança social do ser humano: as culturas alimentam as identidades individuais 

e sociais no que elas têm de mais específico. Por isso, as culturas podem mostrar-se 

incompreensíveis ao olhar das outras culturas, incompreensíveis umas para as 

outras”. 

A cultura de cada civilização é determinante no processo de construção 

dos traços fundamentais que marcam a humanidade. É no interior de um contexto 

sociocultural que constituímos nossa identidade cultural. Nas palavras de Hall 

(2006, p. 8), a identidade cultural é constituída por “aqueles aspectos de nossas 

identidades que surgem de nosso ‘pertencimento’ a culturas étnicas, raciais, 

lingüísticas, religiosas e, acima de tudo, nacionais”. É graças a esse processo 

que a civilização humana atual se compõe de múltiplas identidades culturais.

2

  A dialogia é um princípio cognitivo fundamental da teoria da complexidade que permite uma 



maior aproximação do real como algo composto por posições antagônicas, concorrentes e, ao 

mesmo tempo, complementares. O pensar dialógico religa posições opostas e ambivalentes em 

vez de ignorá-las ou negá-las.

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  A cultura e as manifestações culturais representam uma síntese de toda a atividade histórica de 



um povo, de uma civilização, enfim, da história das experiências criativas do ser humano e da 

construção da humanidade. Cultura é o modo peculiar de viver e de se manifestar de um povo. A 

família e, sobretudo, a educação escolar, exercem um papel central no processo de aprendizagem, 

de endoculturação e, portanto, são os principais agentes moldadores da cultura.




identidade humana

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Ano 25 • nº 84 • Jul./Dez. • 2010

Os traços mais marcantes da identidade de cada um, portanto, são forjados 

no seio de cada cultura e de cada civilização, compondo, dessa forma, identi-

dades múltiplas e diferenciadas. Nossa identidade não é produto genuinamente 

inato. Na relação com os outros seres humanos e com as outras culturas nós 

nos tornamos, concomitantemente, semelhantes e distintos. Nos traços de cada 

homem genérico estão, também, os traços de sua especificidade.

O homem não nasce pronto, aprende no e com o mundo, influenciado 

que é pela cultura, religião, crenças e outras formas culturais. Nós não nascemos 

humanos, nós nos tornamos humanos na convivência com os outros; a nossa 

identidade humana, portanto, é uma conquista a ser perseguida. Aprendemos a 

superar os obstáculos, a processar os conceitos e a construir as pontes que nos 

possibilitam compreender o mundo e a nós mesmos. Contemplar a identidade 

humana de cada um significa, portanto, resgatar aquilo que o faz semelhante e, 

ao mesmo tempo, diferente dos demais.

As  relações  do  homem  com  o  mundo  intensificam-se  ao  longo  do 

processo de estruturação de sua vida, ou seja, quando nasce, ainda criança, o 

homem é visto como um ser dependente e indefeso. Em contato com o mundo 

por intermédio do convívio familiar realiza as primeiras descobertas, aprende 

linguagens e constrói significados que produzem a evolução da espécie e, por 

conseguinte, as transformações da natureza e do mundo. 

Morin  (2002)  observa  que  a  nossa  identidade  humana  é  constituída 

numa  relação  dialógica  da  tríade  indivíduo/espécie/sociedade.  Por  natureza 

e por definição, escreve o autor, o ser humano é algo muito complexo e para 

compreendê-lo na sua profundidade é necessário não apenas inseri-lo numa 

cultura,  numa  história,  mas,  fundamentalmente,  incorporá-lo  numa  trindade 

humana. Qual seria essa trindade?

O ser humano define-se, antes de tudo, como trindade indivíduo/sociedade/

espécie: o indivíduo é um termo dessa trindade. 




celso José mArtinAzzo



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