Oscar Wilde para Inquietos



Baixar 0.53 Mb.
Pdf preview
Página1/4
Encontro12.08.2021
Tamanho0.53 Mb.
  1   2   3   4



1
Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe.
E
M TESE, VIVER É O QUE TODOS NÓS FAZEMOS
antes que a morte chegue. Porém, o
signi cado de “viver” varia enormemente de uma pessoa para outra, a ponto de,
segundo  a  loso a  de  Oscar  Wilde,  reduzir-se,  para  algumas,  a  um  mero
“existir”.
Se  uma  pessoa  apenas  trabalha,  paga  as  contas  e  vê  os  dias  passarem,  um
após  o  outro,  ela  utua  nas  águas  da  existência,  mas  não  mergulha  nas
profundezas da vida.
No livro Un haiku para Alicia (Um haicai para Alicia, numa tradução livre),
de Francesc Miralles, a jovem do título pergunta:
Alguma  vez  você  teve  a  tentação  de  VIVER?  Não  digo  viver  como  quem
a rma  “a  vida  é  assim”;  re ro-me  a  VIVER  em  letras  maiúsculas,  mais  do
que  a  rotina  de  “o  que  se  pode  fazer?”.  Não  quero  passar  pelo  mundo  na
ponta dos pés – manhã, tarde, noite, manhã; de segunda a sexta-feira, com
festa  no  sábado;  comer,  beber,  trabalhar  e  dormir.  [...]  Se  você  quiser  me
acompanhar,  repetirei  a  pergunta:  Alguma  vez  você  teve  a  tentação  de
VIVER?
Este livro começa com uma pergunta, caro leitor. Antigamente, para iniciar
uma conversa, as pessoas diziam: “Você estuda ou trabalha?” Oscar Wilde nos
apresenta uma questão muito mais profunda: VOCÊ EXISTE OU VIVE?


2
Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já
têm dono.
H
Á  MUITAS  PESSOAS  MUNDO AFORA
 levando  uma  vida  que  não  lhes  satisfaz,  às
vezes por seguir um caminho traçado pela família, às vezes por desejar atender
as expectativas da sociedade.
Oscar  Wilde  foi  um  mestre  do  individualismo.  E  quando  falo  em
individualismo não me re ro a dar as costas ao mundo, mas a se relacionar com
ele de forma autêntica, sendo o que de fato você é: uma pessoa única, genuína,
impossível de copiar.
Quando assumimos nosso papel,  ca muito mais fácil nos movimentarmos
pelos diversos cenários que o mundo proporciona a todo instante. Quando em
Roma, faça como os romanos, mas não deixe de ser você mesmo.
Descobrir quem somos e quais são nossas prioridades é uma das missões da
vida – provavelmente a mais importante de todas. Portanto, é preciso lutar pela
própria identidade.
Como já dizia Francisco de Quevedo no século XVII: “Se puderes, vive para
ti, pois, ao morreres, morrerás apenas para ti.”


3
Dinheiro não traz felicidade, mas dá uma sensação tão
parecida que é necessário um especialista para ver a
diferença.
Á
LEX
R
OVIRA
C
ELMA, AUTOR DE
Os sete poderes e coautor de A boa sorte, costuma
dizer  que  o  dinheiro  não  corrompe  uma  pessoa,  mas  ampli ca  suas  virtudes  e
seus defeitos. Uma pessoa de bom caráter que enriqueça ajudará o próximo, ao
passo  que  uma  pessoa  sem  escrúpulos  canalizará  o  dinheiro  para  atividades
destrutivas.
Em  outras  palavras:  o  dinheiro  não  é  bom  nem  ruim.  É  apenas  algo  que
podemos utilizar para o bem ou para o mal.
Seja  como  for,  o  dinheiro  pode  nos  fazer  enxergar  nossas  verdadeiras
prioridades.  Quando  uma  pessoa  previdente  recebe  um  montante  inesperado,
talvez  o  coloque  em  uma  poupança.  Se  for  alguém  que  priorize  os  prazeres  da
vida, é possível que a soma extra seja empregada em uma viagem. Caso se trate
de alguém que ponha a própria imagem em primeiro lugar, uma cirurgia plástica
pode  ser  o  destino  provável  do  dinheiro.  Uma  pessoa  acostumada  a  investir
tentaria multiplicar o que recebeu. Já quem se engaja em projetos bene centes
possivelmente irá destiná-lo a uma instituição de apoio aos menos favorecidos.
Resumindo: o que fazemos com o dinheiro reflete quem somos.


4
Todos estamos deitados na sarjeta, só que alguns
estão olhando para as estrelas.
E
STA CITAÇÃO FOI TIRADA DE
O leque de lady Windermere , uma obra de teatro de
Oscar  Wilde  que  estreou  em  Londres  em  1892.  Ela  nos  faz  lembrar  que,
independentemente  de  nossa  situação,  o  que  importa  é  a  perspectiva  que
mantemos.
Há pessoas que aparentemente têm tudo na vida – saúde, beleza, dinheiro,
liberdade  –  e  são  infelizes.  Isso  acontece  porque  elas  xam  a  atenção  naquilo
que lhes falta ou simplesmente não sabem o que querem da vida.
Outras, ao contrário, vivem situações penosas, mas são capazes de enxergar
um cantinho do jardim onde bate um raio de sol.
A  escritora,  lósofa  e  conferencista  norte-americana  Helen  Keller,  que
cou  cega  e  surda  ainda  muito  jovem,  explicava  assim  seu  segredo  para  nunca
deixar de ver as estrelas:
Abro as portas do meu ser a tudo o que é bom e as fecho cuidadosamente
diante do que é ruim. Essa força tão bela e persistente me permite enfrentar
qualquer  obstáculo.  Nunca  me  sinto  desanimada,  pensando  que  me  faltam
coisas boas. A dúvida e a insegurança são apenas o pânico gerado por uma
mente  fraca.  Com  um  coração  rme  e  uma  mente  aberta,  tudo  se  torna
possível.


5
A verdade raramente é pura
e jamais é simples.
A
MAIORIA DOS ATRITOS NASCE DO FATO
de uma pessoa acreditar que sua verdade
é  infalível  e  está  acima  da  verdade  dos  outros.  Essa  atitude  limita  nosso
comportamento a ações rígidas e nos torna insensíveis aos demais.
Seguir  pela  vida  carregando  certezas  indiscutíveis  é  a  melhor  maneira  de
terminar seus dias aborrecido com o mundo inteiro.
Para combater a tentação de cultivar uma mente estreita, Edward de Bono,
autor de Os seis chapéus do pensamento, recomenda:
Substituir a análise racional pela provocação. Em vez de determinar
como as coisas são, imagine como poderiam ser.
Ser espontâneo e “abrir comportas” para que as ideias  uam,  como
num brainstorming.
Dispensar  avaliações  ou  julgamentos  prévios,  ou  seja,  gerar  ideias
sem preconceitos.
Aceitar todos os caminhos possíveis e fugir dos rótulos ao exercitar
o pensamento.


6
O homem que se ocupa do passado não merece ter
um futuro.
U
MA TRADICIONAL  NARRATIVA  ZEN
 conta  que  um  homem  certo  dia  caminhava
pela selva quando deu de cara com um tigre feroz. Correu o máximo que pôde,
mas  logo  chegou  à  beira  de  um  precipício.  Desesperado,  escalou  uma  videira  e
cou pendurado sobre o abismo. Enquanto estava suspenso ali, duas ratazanas
apareceram e começaram a roer a árvore. De repente, o homem viu um cacho
de  uvas.  Arrancou-as  e  as  levou  à  boca.  Eram  as  mais  deliciosas  que  ele  já
provara na vida!
Essa  fábula  ilustra  quanto  é  difícil  nos  atermos  ao  presente.  Quem  passa  a
vida remoendo erros do passado e projetando os medos e desejos em relação ao
futuro  acaba  por  descobrir,  no  leito  de  morte,  que  a  única  coisa  que  possuía
eram os momentos que deixava fugir das mãos sem desfrutar.
Como  Oscar  Wilde,  tenha  consciência  de  que  o  passado  pode  nortear
decisões  extremamente  importantes,  desde  que  não  se  transforme  numa
sombra que obscureça o presente.


7
Não quero ir para o céu:
nenhum dos meus amigos está lá.
É
VÁLIDO ACREDITAR NA EXISTÊNCIA
de outra vida, na qual seremos compensados
pelos  sofrimentos  terrenos,  mas  isso  não  deve  servir  de  desculpa  para
perdermos a única vida que temos agora: esta.
Já  no  século  VI,  o  pensador  romano  Boécio  dizia  que  “um  homem  cujo
único  desejo  fosse  ir  para  o  céu  nunca  entraria  nele.  Há  um  trabalho  a  fazer
sobre a terra”.
Outras ideias desse autor clássico, que in uenciou toda a Idade Média com
sua obra A consolação pela filosofia, são:
O  cultivo  da  virtude  leva  à  sabedoria;  a  sabedoria  leva  à  bondade  e
esta, à felicidade.
O amor não obedece a nenhuma lei, porque ele mesmo é uma lei.
Nada é pobre ou miserável se não o encararmos assim.
Deus está em cada pessoa, embora nos apresente muitas dúvidas: Se
Ele existe, de onde vem o mal? Se não existe, de onde vem o bem?


8
Os que são amados pelos deuses
amadurecem sem envelhecer.
O
FILÓSOFO  DINAMARQUÊS
S
ØREN
K
IERKEGAARD,
que sem dúvida conhecia Oscar
Wilde,  re etiu,  entre  muitas  outras  coisas,  sobre  quais  atitudes  mantêm  o
espírito jovem e quais o desgastam.
Amadurecer  sem  envelhecer  é  uma  questão  de  se  voltar  para  o  momento
presente, deixando de lado perspectivas que nos limitam e nos fazem sofrer.
Kierkegaard expõe essa ideia a partir de uma lógica avassaladora:
Quem só espera o melhor envelhece por causa das decepções que a
vida lhe apresenta.
Quem  espera  sempre  o  pior  envelhece  depressa  por  conta  do
sofrimento.
Portanto,  o  segredo  é  não  se  entregar  hoje  a  preocupações  com  o
que  ainda  está  por  acontecer  e  dar  atenção  ao  que  se  passa  no
momento. O aqui. O agora.


9
Qualquer um pode fazer uma coisa.
O mérito está em fazer o mundo
acreditar que foi você quem a fez.
E
SCOLHEMOS  UM  CARRO  DE  DETERMINADO  MODELO,
 compramos  roupa  de  certa
grife, temos preferência por alguns artigos, mas marcas e selos de qualidade não
são  algo  exclusivo  a  produtos.  Vale  a  pena  nos  fazermos  algumas  perguntas:  E
eu, de que marca sou? O que “vendo” aos outros? Que imagem projeto?
Em  seu  livro Y  tú,  ¿qué  marca  eres?   (E  você,  de  que  marca  é?,  numa
tradução livre), a especialista em marketing Neus Arqués assegura que a marca
pessoal se constrói de dentro para fora, nunca o oposto. Não depende da roupa
que vestimos ou de imitar outras pessoas, mas de transmitir valores autênticos.
Portanto,  para  deixarmos  nossa  marca,  devemos  antes  fazer  um  exercício
de introspecção e descobrir o que há de mais genuíno em nós. Conhecer nossos
valores  e  virtudes  é  o  que  nos  torna  singulares  e  nos  permite  comunicar  essa
singularidade ao mundo.


10
Não sou jovem o suficiente
para saber tudo.
É
COMUM  DARMOS  À  EXPERIÊNCIA
 mais  crédito  do  que  ela  de  fato  merece.
Acumular  conhecimentos  não  signi ca  necessariamente  adquirir  sabedoria.
Muitas  vezes  resulta  justamente  no  contrário:  em  um  excesso  de  ltros,  o  que
dificulta que a pessoa veja a realidade.
Oscar Wilde nos convida a recuperar a espontaneidade que tivemos um dia,
quando  não  sabíamos  tantas  coisas  e,  portanto,  carregávamos  menos
preconceitos.
Algumas  sugestões  para  recuperar  esse  contato  mais  juvenil,  leve  e  direto
com o mundo:
Em  seu  tempo  livre,  evite  a  rotina  sempre  que  possível.  Varie  de
restaurantes, pratos, cinemas, músicas...
Pratique um esporte incomum.
Comece  a  ler  um  livro  que  não  tenha  sido  indicado  por  ninguém.
Dê a si mesmo o prazer de se surpreender.
Conheça pessoas que não pertençam a seu círculo de amigos.
Deixe o celular em casa por algumas horas.
Em vez de julgar, descubra.


11
Um sonhador é aquele que só ao luar
descobre seu caminho e que, como
punição, vê o dia amanhecer antes do
resto do mundo.
T
ODA  PESSOA  QUE TEM  GRANDES  PLANOS
 em  algum  momento  se  vê  percorrendo
caminhos  que  os  outros  temem  ou  até  mesmo  desconhecem.  Ela  troca  a
tranquilidade de estar em um grupo pela possibilidade de cruzar o deserto que a
separa de seu sonho. Depois retorna com os frutos colhidos na aventura.
Foi  esse  o  caso  de  Oscar  Wilde,  provocador  nato  e  sonhador  irredutível,
apesar do cinismo com que contemplava a sociedade.
O  sociólogo  italiano  Francesco  Alberoni  assim  quali ca  essa  espécie
ameaçada de extinção:
O sonhador incansável é um inventor de projetos, alguém que faz planos e
contagia  os  outros  com  seus  sonhos.  Não  é  um  cego,  nem  um
inconsequente.  Sabe  que  existem  di culdades  e  obstáculos  às  vezes
incontornáveis.  Tem  noção  de  que,  a  cada  10  tentativas,  nove  dão  errado.
Mas não se deprime. É um criador de possibilidades.
Esta é uma palavra mágica: POSSIBILIDADES. Quanto tempo faz que você
não presta atenção aos muitos caminhos que se abrem à sua frente?


12
Dinheiro é como adubo:
só serve quando espalhado.
M
UITAS  CRISES  ECONÔMICAS  SÃO  RESULTADO,
 entre  outros  fatores,  da  falta  de
circulação de uma coisa que perde seu valor quando fica parada: o dinheiro.
O  economista  Joan  Antoni  Melé  ressalta  que  o  dinheiro  mal  utilizado
favorece  o  medo,  a  cobiça  e  a  ânsia  de  poder  sobre  os  outros.  Em  seu  livro
Dinero  y  conciencia ,  Melé  lembra  que  há  pessoas  ricas  que  não  sabem  o  que
fazer com sua fortuna, enquanto muita gente que tem ideias e projetos deixa de
realizá-los por falta de recursos.
É  como  se  a  vida  distribuísse  as  capacidades  entre  os  seres  humanos  de
maneira diferente, para nos obrigar a trabalhar em equipe: uns trazem dinheiro
e outros, ideias.
Não que seja absolutamente impossível sobreviver sem dinheiro. Em 1996,
para  provar  que  conseguiria  essa  façanha,  Heidemarie  Schwermer  doou  seus
móveis, deixou a própria casa e cancelou o seguro de saúde. Passou a se alojar
em  apartamentos  emprestados  por  pessoas  que  estavam  viajando.  Para  se
sustentar,  voltou  ao  mais  antigo  sistema  econômico:  a  troca.  Um  ano  depois,
constatou  que  sua  maneira  de  se  relacionar  com  os  outros  tinha  se  tornado
mais enriquecedora. Seu lema: “Não ter nada e ser muito.”


13
O mais terrível não é termos nosso
coração partido (pois corações foram
feitos para ser partidos), mas transformar
nossos corações em pedra.
O
SCAR
W
ILDE AMOU  DE  CORPO  E ALMA
 porque  sabia  que  não  há  nada  que  se
compare a duas pessoas que buscam se conhecer, dois seres que saem à procura
do encontro, mesmo que, com isso, se exponham a riscos consideráveis.
Como disse mais de uma vez, há beleza nesse sofrimento. É também o que
a rmava o poeta, ensaísta e  lólogo italiano Giacomo Leopardi em um de seus
poemas mais conhecidos:
Os segredos do coração humano
são às vezes tão profundos
que não se podem penetrar facilmente;
por essa razão,
os melhores momentos de um amor
são aqueles em que te assalta
uma serena e doce melancolia;
quando choras
sem saber por quê;
quando calmamente te resignas
ante uma desventura sem saber qual é;
quando te deleitas com uma ninharia
e sorris com menos ainda...


Embora  deixemos  exposto  nosso  lado  mais  frágil  ao  nos  entregarmos  a
quem  amamos,  não  se  deve  temer  o  amor.  Como  dizia  Oscar  Wilde,  Deus  só
pode entrar em um coração partido.


14
O passado sempre poderia ser anulado.
O arrependimento, a negação
ou o esquecimento poderiam fazê-lo.
Mas o futuro era inevitável.
M
UITAS  PESSOAS  SE  REFUGIAM
 no  passado  por  medo  do  futuro.  Mas  é  difícil
desfrutar os prazeres da vida e construir a própria sorte quando se acredita que
apenas nuvens de tempestade estarão à espreita.
Todo medo é uma insegurança em relação ao que está por vir, mas, já que o
futuro  é  aquilo  que  ainda  não  aconteceu,  o  único  oráculo  con ável  para  cada
pessoa  é  ela  mesma.  Assim,  não  há  por  que  temer,  por  exemplo,  a  perda  do
emprego, do parceiro ou da parceira, uma vez que o que quer que aconteça não
cairá do céu: será o resultado de milhares de decisões que você mesmo toma a
cada dia.
Nossas  expectativas  condicionam  o  futuro  ao  regerem  nossas  atitudes
cotidianas, mas podemos ver o mundo de maneira positiva e substituir o medo
pela vontade de construir o que queremos ser.


15
Desculpe-me, não reconheci você:
eu mudei muito.
U
M ESCRITOR CONTEMPORÂNEO AFIRMOU
 que  ninguém  é  mais  diferente  de  outra
pessoa do que é  de  si  mesmo  nos  diversos  momentos  da  trajetória  pessoal.  Na
maioria dos casos, isso é verdade, pois o saudável é queimarmos etapas na vida,
amadurecendo e desenvolvendo novos interesses.
Contudo,  nem  todo  mundo  evolui  do  mesmo  modo.  Não  é  incomum  que,
anos  depois  de  ter  cumprido  certa  etapa  da  vida,  uma  pessoa  perceba  que  os
amigos  permanecem  naquela  fase  e  reclamam  pelo  fato  de  ela  haver  mudado.
De  repente,  pessoas  que  tinham  muito  em  comum  já  não  têm  sobre  o  que
conversar, exceto os “velhos tempos”.
É inútil manter uma amizade arti cialmente apenas por ser uma relação de
muitos  anos.  Isso  só  rouba  um  tempo  que  poderia  ser  dedicado  a
relacionamentos mais favoráveis ao momento que se está vivendo.
E  nada  impede  que,  no  futuro,  os  caminhos  de  velhos  amigos  voltem  a  se
cruzar.


16
Ser natural é a mais difícil das poses.
T
ER NATURALIDADE É UMA VIRTUDE
que possibilita nos mostrarmos como somos e
agirmos  de  acordo  com  nossa  natureza  e  modo  de  ser.  Embora  tudo  isso
dependa da espontaneidade, podemos reforçar esse encanto se...
Apreciarmos os prazeres simples.
Formos amáveis com tudo e todos à nossa volta.
Usarmos  roupas  confortáveis  e  discretas,  que  estejam  de  acordo
com nosso modo de ser e com o que cada ocasião requer.
Não tentarmos monopolizar as atenções.
Evitarmos  falar  o  tempo  todo  de  nós  mesmos,  de  nossos  êxitos  e
conquistas.
Não exaltarmos nem menosprezarmos os outros.
Formos generosos com a vida.
Sobre  a  naturalidade,  o  escritor,  lósofo  e  crítico  de  arte  espanhol  Eugeni
d’Ors  recomendava:  “Entre  duas  explicações,  escolha  a  mais  clara;  entre  duas
formas, a mais elementar; entre duas expressões, a mais breve.”


17
Nenhum homem é suficientemente rico
para comprar seu passado.
M
UITAS  PESSOAS  INVESTEM  SUA  ENERGIA
 em  longos  anos  de  psicanálise,  quando
deveriam  dedicá-la  a  encontrar  sua  missão  na  vida.  Investigar  a  fundo  aquilo
que  fomos  é  importante  quando  precisamos  superar  um  trauma,  mas  isso  não
faz com que a pessoa se sinta completa. Para nos sentirmos assim, é necessário
algo que nos motive. E então a vida ganha sentido.
Como um náufrago a quem nada restasse, Oscar Wilde fazia do entregar-se
aos prazeres um estilo de vida.
Também Nikos Kazantzakis, considerado por muitos o escritor grego mais
importante do século XX, via nos prazeres que nos cercam nosso maior tesouro:
“Como é humilde e simples a felicidade: um copo de vinho, castanhas assadas,
um  pequeno  braseiro,  o  som  do  mar...  A  única  coisa  necessária  para
experimentar a felicidade aqui e agora é ter um coração humilde e simples.” Em
seu túmulo austero, numa colina solitária na ilha de Creta, o epitá o diz: nada
anseio, nada temo, sou livre
.


18
Tudo no mundo está relacionado
a sexo, exceto o próprio sexo,
que está relacionado a poder.
O
SEXO É A ENGRENAGEM QUE MOVE O MUNDO,
mas também é a fonte de muitos
dissabores e decepções. Em suas obras de teatro, Oscar Wilde ironizava o falso
romantismo com que muitas vezes disfarçamos o que é apenas desejo.
Ele  não  foi  o  primeiro  a  assumir  essa  opinião,  mas  a rmava  que  estar
apaixonado  é  exagerar  a  diferença  entre  a  pessoa  amada  e  o  restante  da
humanidade.
Um  artista  contemporâneo  que  trata  com  humor  o  sexo  e  seus  disfarces  é
Woody  Allen.  Em  seu  lme  A  última  noite  de  Boris  Grushenko ,  uma  das
personagens faz o seguinte discurso sobre o amor:
Amar  é  sofrer.  Para  evitar  o  sofrimento,  não  se  deve  amar.  Mas,  então,
sofre-se por não amar. Portanto, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é
sofrer.  Ser  feliz  é  amar;  logo,  ser  feliz  é  sofrer.  Mas  o  sofrimento  deixa  a
gente infeliz, portanto para ser infeliz deve-se amar, ou amar para sofrer, ou
sofrer por excesso de felicidade. Espero que você esteja entendendo.
Se  você  não  quiser  cair  nessa  confusão,  saiba  distinguir  o  que  é  sexo  dos
sentimentos realmente sublimes.


19
É absurdo dividir as pessoas
em boas e más. Elas são apenas
encantadoras ou tediosas.
S
E  PARARMOS  PARA  PENSAR,  FICAREMOS
 angustiados  pela  quantidade  de  gente
maçante que nos rodeia. No trabalho, em nosso círculo de amigos,  até  mesmo
na família, há indivíduos que simplesmente jamais terão algo de interessante a
dizer.
Para compensar esse esforço, o segredo é usar seu tempo livre cercando-se
de  pessoas  que  façam  você  crescer  intelectualmente.  Ser  alguém  que  Oscar
Wilde chamou de “encantador” é ser o tipo de pessoa que:
Quando pergunta como o outro vai, não se distrai e deixa de prestar
atenção à resposta.
Em  vez  de  falar  sobre  si,  puxa  conversas  que  permitem  uma
verdadeira troca de ideias.
Não se queixa dos outros, nem faz críticas infundadas.
Sempre nos surpreende com alguma descoberta: um livro, um disco
que  ninguém  conhece,  um  lugar  do  mundo  para  onde  nunca
pensaríamos em viajar...
Tem  a  capacidade  de  nos  fazer  rir,  principalmente  quando  mais
precisamos.


20
Só existem duas regras para escrever:
ter algo a dizer e dizê-lo.
E
SSA  É  A  SÍNTESE  MAIS  BRILHANTE
 que  conheço  sobre  o  que  é  necessário  para
escrever,  um  prazer  quase  físico,  pois  nos  permite  reviver  as  mais  belas
experiências por meio de sua reconstituição no papel.
Outro  que  teorizou  brilhantemente  sua  paixão  pelas  palavras  foi  Ernest
Hemingway, que aconselhava os jovens escritores a focar “naquilo que há, e não
naquilo  que  não  há”,  uma  loso a  muito  útil  também  fora  do  papel.  Outros
conselhos do autor de O velho e o mar foram:
Para um autêntico escritor, cada livro deveria ser um novo começo
no qual ele busque algo que está além de seu alcance.
A  cesta  de  lixo  é  o  móvel  mais  importante  na  sala  em  que  um
escritor trabalha.
Um escritor se faz de dia, sobre o asfalto ou sobre a poeira, sofrendo
e  aproveitando,  odiando  e  amando  como  só  um  louco  ou  Deus
podem fazer.
Se  conseguir,  escreva  histórias  que  sejam  tão  improváveis  quanto
um  sonho,  tão  absurdas  quanto  a  lua  de  mel  de  um  grilo  e  tão
verdadeiras quanto o coração de uma criança.


21
A única diferença que existe entre um
capricho e uma paixão eterna é que o
capricho dura um pouco mais.
N
ÃO  É  PRECISO  PERTENCER À  REALEZA
 nem  ser  um  intelectual  excêntrico  como
Oscar  Wilde  para  sair  da  rotina  e  proporcionar-se  alguns  caprichos  de  vez  em
quando.  Desfrutar  bons  momentos  depende  apenas  de  ter  bom  gosto  e  saber
distinguir as oportunidades, tais como:
Assistir  a  um  lme  na  primeira  sessão,  com  a  sala  do  cinema
praticamente vazia.
Escolher  um  livro  de  culinária  e  preparar  pratos  exóticos  para
amigos queridos que não vê há tempos.
Dar-se  ao  luxo  de  ler  um  livro  que  nunca  esteve  e  provavelmente
jamais chegue à lista de mais vendidos.
Tocar um instrumento que não dominamos, pelo simples prazer de
experimentar.
Escrever um poema e enviá-lo por e-mail à pessoa que o inspirou.
Dormir  num  horário  em  que  a  maior  parte  das  pessoas  está
acordada.
Passar a noite assistindo a filmes antigos.
Improvisar ao menos uma vez.


22
Como não foi genial, não teve inimigos.
A
ESCRITORA
C
ARE
S
ANTOS
comentou  certa  vez  que  alguém  que  chegue  aos  30
anos  sem  alguns  bons  inimigos  é  uma  pessoa  digna  de  piedade,  pois  isso
significa que ela não conseguiu nada na vida.
Com uma perspectiva bastante diferente dessa, mas que a complementa, o
budismo nos ensina que o inimigo é nosso melhor mestre. Assim disse o Dalai-
Lama:
Nunca devemos usar nossos inimigos como desculpa para não praticarmos
a calma, nem dizer que eles são a causa de nossa irritação. Se não estamos
sendo  pacientes  é  porque  não  estamos  praticando  com  a nco.  Não
podemos  dizer  que  o  mendigo  é  um  obstáculo  à  generosidade,  já  que  é
justamente  sua  razão  de  ser.  Por  outro  lado,  as  pessoas  que  nos  irritam  e
põem  nossa  paciência  à  prova  são  relativamente  poucas.  E,  para
exercitarmos a paciência, precisamos de alguém que nos ofenda. Encontrar
um verdadeiro inimigo é tão incomum que deveríamos nos alegrar por tê-lo
e  apreciar  os  benefícios  que  ele  nos  oferece.  Ele  é  digno  de  respeito  pelo
simples fato de nos permitir praticar a paciência e merece ser o primeiro a
receber os méritos daquilo que nos possibilita alcançar.
Ecoando  essas  palavras,  o  poeta  Khalil  Gibran  assegurava  ter  aprendido  “o
silêncio com o falastrão, a tolerância com o intolerante e a amabilidade com o
grosseiro”.
Portanto, que esses mestres sejam bem-vindos.


23
Fazer parte da sociedade é uma amolação,
mas estar excluído dela é uma tragédia.
A
SSIM  COMO
D
ANIEL
G
OLEMAN SE DEDICOU
 ao  estudo  da  inteligência  emocional,
Karl  Albrecht  se  debruçou  sobre  a  inteligência  social.  Em  seus  trabalhos,  ele
distingue dois tipos de conduta, segundo a resposta que causam:
COMPORTAMENTOS  TÓXICOS  são  atitudes  nossas  que  fazem
com  que  os  outros  se  sintam  desvalorizados,  inadequados,
intimidados, furiosos, frustrados ou culpados.
COMPORTAMENTOS NUTRITIVOS são os que permitem que os
outros  se  sintam  valorizados,  capazes,  queridos,  respeitados  e
apreciados por nós.
Albrecht descreve ainda as cinco habilidades que caracterizam a inteligência
social:
Ser  capaz  de  entender  as  pessoas  e  seus  sentimentos  em  diferentes
situações.
Ser acessível, transmitir proximidade, confiança e amabilidade.
Ser  sincero  consigo  mesmo  e  com  os  outros,  pois  quem  é  el  a  si
mesmo ganha o respeito dos demais.
Saber  expressar  claramente  os  próprios  pensamentos,  opiniões,
ideias e intenções.
Ser capaz de conectar-se com o outro, de harmonizar pensamentos
e sentimentos nas relações interpessoais.


24
Se for dizer a verdade aos outros,
faça-os rir, do contrário eles o matarão.
E
SSA  CITAÇÃO  DO  CONTO
“O
 ROUXINOL  E  A  ROSA
”  destaca  a  importância  do
humor ao se transmitirem “notícias difíceis”, inclusive quando se trata de uma
conversa interior.
Groucho  Marx  resumia  o  humor  com  uma  fórmula  simples: tragédia  +
tempo  =  comédia.   É  comum  que  um  acontecimento  aparentemente  trágico  se
torne engraçado quando contemplado tempos depois. O segredo do humorista é
adiantar-se: ele torna a tragédia imediatamente risível.
Em sua obra El Buda de la Risa , o escritor Mario Satz, um dos pioneiros na
terapia do riso, apresenta uma lei que nos leva a re etir: “Um menino ri menos
do que um bebê; um adolescente, menos do que um menino; um adulto, menos
do que um adolescente; um ancião, menos do que um adulto.”
Então quer dizer que envelhecemos quando perdemos a capacidade de rir?
Muito provavelmente.
Centro de muitas polêmicas, Oscar Wilde não perdia uma oportunidade de
rir  das  misérias  humanas,  inclusive  das  dele.  Talvez  por  isso  tenha  sabido
manter um espírito jovem e rebelde até o fim de seus dias.


25
Quando me acontece pensar à noite em
meus defeitos, adormeço imediatamente.
O
PINTOR
E
UGÈNE
D
ELACROIX DIZIA
que o artista que busca a perfeição em tudo
não a consegue em nada. Com frequência, o afã pelo perfeccionismo chega a se
tornar  um  pretexto  para  carmos  de  braços  cruzados  –  como  não  podemos
fazer algo irretocável, simplesmente não o fazemos.
Aceitar a própria imperfeição, ao contrário, nos humaniza e nos mostra um
caminho a percorrer.
A  xação  por  sermos  perfeitos  pode  nos  tornar  mais  imperfeitos,  até.  As
pessoas perfeccionistas demais costumam cair na armadilha do próprio nível de
exigência  e  car  bloqueadas.  E  isso  por  um  motivo  muito  claro:  a  perfeição  é
um ideal inalcançável, do qual podemos apenas tentar nos aproximar.
Quando  aceitamos  algo  como  um  desa o  pessoal,  nos  aplicamos  em  obter
os  melhores  resultados  e  os  aceitamos  sem  frustração,  temos  o  prazer  de
apreciar  nosso  progresso.  Da  mesma  forma,  se  estivermos  conscientes  de
nossos  defeitos,  poderemos  dedicar  um  mês  a  cada  um  deles,  traçando
estratégias para vencê-los.
NUNCA SEREMOS PERFEITOS, MAS PODEMOS SER MELHORES.


26
Adoro os prazeres simples. Eles são o
último refúgio dos homens complicados.
E
M SEU LIVRO
O primeiro gole da cerveja e outros minúsculos prazeres ,  Philippe
Delerm, cuja obra foi rejeitada por editoras durante sete anos, fala de situações
do bem viver tão simples como...
pedalar sem pressa numa bicicleta
estar na escuridão de um cinema numa tarde de domingo
ir colher amoras no campo
folhear um romance na praia
pôr um casaco de lã quando as primeiras friagens chegam
distrair-se com um caleidoscópio
Os  “homens  complicados”  de  que  Wilde  fala  não  sabem  aproveitar  esses
prazeres,  porque  esperam  da  vida  grandes  acontecimentos  que  nunca  irão
chegar.
Há  muitas  terapias  ao  nosso  alcance:  revirar  o  passado,  fazer  ioga  ou
meditação,  usar  medicamentos...  mas,  se  não  soubermos  celebrar  as  pequenas
alegrias cotidianas, nunca conseguiremos perceber de fato os prazeres da vida.


27
Nós devíamos simpatizar
com a alegria. Quanto menos
falarmos das chagas da vida, melhor.
O
SOCIÓLOGO  FRANCÊS
G
UY
S
ORMAN
de ne  o  medo  da  vida  e  do  futuro  como
um dos grandes obstáculos que nos impedem de aproveitar os prazeres da vida.
Quando  focamos  as  alegrias  do  presente,  nossos  sentimentos  e  nossa
consciência se conectam ao bem-estar do momento e o futuro se apresenta leve
diante de nós.
Em  contraposição,  as  pessoas  que  veem  apenas  o  lado  sombrio  de  tudo
acabam  não  só  amargurando  seu  presente  como  também  prognosticando
desgraças.  Suas  expectativas  condicionam  seus  atos,  que  fazem  do  futuro
exatamente aquilo que haviam previsto. Esse ciclo é conhecido como “profecia
autorrealizável”.  Sorman  a  explica  citando  uma  das  obras  mais  célebres  de
Shakespeare:
Macbeth  é  um  el  súdito  de  seu  rei.  Um  dia,  lhe  predizem  que  ele  está
destinado a governar a nação. Quando o homem conta a profecia à esposa,
desperta sua ambição, que desencadeará a tragédia. Estando o rei hospedado
em  sua  casa,  a  mulher  convence  Macbeth  a  assassiná-lo.  Já  coroado,  lhe  é
revelada outra profecia: quem o sucederá no trono será seu  lho ou o de um
amigo. Shakespeare então fará com que tudo  ua em direção ao sangrento
nal  predito,  que  não  aconteceria  se  ninguém  houvesse  acreditado  nele  e
agido de forma a torná-lo possível.
Muitas  tragédias  têm  origem  numa  profecia autorrealizável  que  nos
condiciona e limita nossa liberdade de ação.



28
A tragédia da velhice não consiste em
ser velho, mas em ter sido jovem.
O
RETRATO DE
D
ORIAN
G
RAY,
provavelmente a obra-prima de Wilde, tem como
protagonista  um  belo  jovem  cujo  retrato  emoldurado  envelhece,  ao  passo  que
ele  mesmo  permanece  intocado  pela  ação  do  tempo.  Aos  poucos,  o  quadro
começa a refletir a decadência física e moral de Dorian.
Esfregou  os  olhos,  aproximou-se  do  quadro  e  o  examinou  de  novo.  Não
havia  sinais  de  nenhuma  mudança,  no  entanto  não  havia  dúvida  de  que  a
expressão  se  alterara.  Não  era  apenas  impressão  sua.  Estava  terrivelmente
óbvio.  Afundou  na  poltrona  e  começou  a  pensar.  De  repente,  veio-lhe  à
mente o que tinha dito no ateliê de Basil Hallward no dia em que o quadro
fora  concluído.  Lembrava-se  perfeitamente.  Havia  expressado  seu  desejo
doentio  de  que  ele  mesmo  pudesse  continuar  jovem  e  de  que  o  quadro
envelhecesse; de que sua beleza permanecesse inalterada e de que seu rosto
na  tela  suportasse  a  carga  de  suas  paixões  e  pecados;  de  que  a  imagem
pintada  carregasse  os  traços  do  sofrimento  e  do  pensamento  e  de  que  ele
mantivesse o frescor e o encanto quase conscientes de sua adolescência. Seu
desejo  não  poderia  ter  se  cumprido...  Coisas  assim  são  impossíveis.  Pensar
nisso  já  era  uma  monstruosidade.  No  entanto,  ali  estava  o  quadro  à  sua
frente, com um toque de crueldade na boca.
No  nal,  apesar  de  vivermos  num  mundo  em  que  tanto  se  busca  a
juventude  eterna,  como  na  história  de  Dorian  Gray,  continua  sendo  pior
esconder que simplesmente aceitar a idade.


29
Trabalho é aquilo que as pessoas fazem
quando não têm nada para fazer.
A
S CONDIÇÕES ADVERSAS DO MERCADO
fazem com que haja cada vez mais pessoas
com mais de um emprego ou que precisam continuar em casa suas jornadas de
trabalho.
Mesmo nos cargos de alta responsabilidade é comum levar tarefas para casa,
que  às  vezes  se  torna  um  prolongamento  do  escritório.  Para  quem  ainda  não
pode se livrar desse meio de sobrevivência que tanto incomodava Oscar Wilde,
aqui  vão  alguns  conselhos  para  encontrar  o  equilíbrio  entre  trabalho  e  vida
pessoal:
Estabelecer  limites  de  horário.   Ainda  que  nos  vejamos  obrigados  a
trabalhar  em  casa,  é  importante  xar  –  e  respeitar  –  um  período
para o lazer e a família.
Separar  espaços.  Se  você  trabalha  em  casa  e  não  dispõe  de  um
cômodo  para  isso,  restrinja  o  espaço  pro ssional  a  um  ambiente
apenas  e  não  permita  que  problemas  do  trabalho  saiam  dali  para
aterrissar na sala de estar, na de jantar ou – pior ainda – no quarto.
O hábito faz o monge.  É importante ter um traje para o  horário  de
trabalho  e  outro,  mais  confortável,  para  o  tempo  livre.  O  corpo
relaciona a mudança de roupa às fases de obrigação e de descanso.


30
A vantagem de brincar com fogo é
aprender a não se queimar.
P
ODE-SE  TER  MEDO  DE  TUDO,
 menos  do  próprio  medo.  Se  nos  dispusermos  a
encarar nossos temores, acabaremos por controlá-los.
É  por  esse  motivo  que  os  psicólogos  comportamentais  recomendam  a
exposição  progressiva  àquilo  que  se  teme.  Evitar  as  angústias  leva  ao  efeito
contrário: o medo é reforçado e pode trazer outros consigo.
Já que é difícil desfrutar o prazer de viver quando transformamos nosso dia
a  dia  em  um  campo  minado,  aqui  vão  alguns  conselhos  para  desarmar  os
medos:
Primeiro,  avalie  se  eles  têm  uma  base  racional  –  isto  é,  se  são
fundamentados  –  ou  se  não  passam  de  temores  nascidos  na  sua
própria mente.
Em  se  tratando  de  um  medo  fundamentado  –  por  exemplo,  uma
crise financeira –, pergunte-se se sua reação está sendo proporcional
à  situação  e,  mais  importante  ainda,  se  seu  alarme  tem  alguma
utilidade prática.


31
A experiência não tem nenhum
valor ético, é simplesmente o nome
que damos aos nossos erros.
M
UITAS  PESSOAS  CITAM
T
H OMAS
E
DISON
 e  os  milhares  de  lâmpadas  que  ele
queimou antes de obter a luz elétrica, mas há outros grandes “fracassados” que,
graças a seus erros, adquiriram uma valiosa experiência que os levou ao sucesso.
Entre eles:
Abraham  Lincoln  perdeu  cinco  eleições  antes  de  chegar  à
Presidência.
Henry  Ford  fracassou  em  duas  empresas  como  fabricante  de
automóveis antes de criar a Ford Motor Company.
Berry  Gordy,  fundador  da  Motown  Records,  fechou  sua  primeira
loja  de  discos  porque  o  negócio  não  ia  para  a  frente.  Esse  fracasso
lhe  valeu  lições  que  o  ajudariam  a  fundar  uma  das  gravadoras  mais
bem-sucedidas do século XX.
O  saudoso  poeta  uruguaio  Mario  Benedetti  analisa  belamente  as  vantagens
de equivocar-se... e ganhar experiência:
Fracassar é também um sinal
que é quase uma advertência
de que tínhamos algo para dar
talvez para perdê-lo em uma noite
[...] o fracasso faz bem, é um alarme


mostra-nos que somos vulneráveis
e com essa tutela nos dá forças
para retornarmos à vitória.


32
Alguns causam felicidade aonde quer que
vão; outros, sempre que se vão.
U
MA VEZ QUE VIVEMOS EM SOCIEDADE,
 a  felicidade  e  o  prazer  de  viver  dependem
dos companheiros de viagem que escolhemos em nossa trajetória.
É  importante  saber  escolher  as  amizades,  porque  existem  as  que  agregam
valor à nossa vida, ao passo que outras claramente o subtraem.
Em seu romance Antichrista, a escritora belga Amélie Nothomb retrata um
tipo  de  relação  desigual  e  destrutiva  mas  bastante  comum  na  adolescência,
época  em  que  precisamos  de  ícones  em  que  nos  inspirarmos.  Ela  narra  a
história de Blanche, uma estudante de filosofia solitária e tímida que é “adotada”
pela deslumbrante e sedutora Christa. Blanche é vítima de todo tipo de abuso e
humilhação por parte da outra, até decidir  nalmente rebelar-se. Então, o que
havia sido praticamente uma relação amorosa se transforma numa guerra.
Devemos nos precaver contra esse tipo de “vampiros energéticos”, por mais
atraentes  que  eles  possam  parecer  à  primeira  vista,  e  rodear-nos  de  pessoas
positivas.


33
A pontualidade é uma ladra do tempo.
C
OM  ESSA  FRASE  APARENTEMENTE  CONTRADITÓRIA,
 Oscar  Wilde  nos  adverte  da
relação  de  escravidão  que  estabelecemos  com  o  tempo.  Estamos  tão
preocupados em chegar na hora, cumprir os prazos e lotar nossas agendas que
muitas  vezes  esquecemos  que  o  tempo  é  um  trilho  no  qual  nossa  felicidade
também deve circular.
Em  uma  brilhante  fábula  sobre  o  assunto,  intitulada  Momo  e  o  senhor  do
tempo,  Michael  Ende  retratou  essa  relação  insana  que  mantemos  com  o
compasso da vida:
Momo correu os olhos pela sala e perguntou:
– É para isso que você tem tantos relógios, não? Um para cada homem?
–  Não,  Momo.  Esses  relógios  são  só  um  hobby  meu.  São  apenas
reproduções  muito  imperfeitas  de  algo  que  todo  homem  traz  no  peito.
Porque,  assim  como  vocês  têm  olhos  para  ver  a  luz  e  ouvidos  para  escutar
os sons, também têm um coração para perceber o tempo. E todo tempo que
não  se  percebe  com  o  coração  é  tão  perdido  quanto  as  cores  do  arco-íris
para  um  cego  ou  o  canto  de  um  pássaro  para  um  surdo.  Infelizmente,  há
corações cegos e surdos que, embora batam, não percebem nada.
Em  vez  de  contarmos  as  batidas  de  nosso  coração,  as  horas  e  os  dias  que
temos para fazer isto ou aquilo, seria melhor nos assegurarmos de que ele bata
pela causa certa e no nosso ritmo.


34
Meus próprios problemas
sempre me entediam mortalmente.
Prefiro os dos outros.
U
M DOS SEGREDOS DA FELICIDADE
que raramente é posto em prática é o seguinte:
quanto  menos  você  pensar  nos  próprios  problemas  e  necessidades,  maior  será
seu bem-estar.
Mas  o  que  fazer  para  não  pensar  em  seus  problemas  e  preocupações?
Simples:  trans ra  sua  atenção  para  as  outras  pessoas.  Se,  em  vez  de  car
remoendo  o  que  deu  errado  ou  o  que  lhe  falta,  você  se  colocar  a  serviço  do
próximo, sua ansiedade passará para segundo plano, podendo até desaparecer.
Quando  a  pessoa  desconsidera  o  ego,  ca  mais  leve.  Alguns  recursos  para
realizar essa transformação:
Escutar mais os outros do que a si mesmo.
Colocar sua energia em questões que bene ciem o grupo: uma ação
cultural, uma iniciativa solidária, uma festa-surpresa...
Parar  de  falar  de  seus  problemas,  já  que  isso  implica  repeti-los
também a si mesmo, o que só os reforça.
Em vez de se preocupar, se ocupar.
Ser  útil  aos  outros:  nada  traz  mais  satisfação  nem  reforça  mais  a
autoestima.


35
Tenho gostos extremamente simples:
só o melhor me satisfaz.
O
S  PRAZERES  MAIS  INTENSOS  QUE A VIDA
 nos  proporciona  são  grátis  ou  exigem
muito pouco dinheiro. Alguns deles:
Ouvir música.
Dar flores a quem não as espera.
Ver o pôr do sol.
Dançar pela casa.
Ler um romance que não conseguimos largar.
Preparar um prato diferente.
Visitar um amigo de surpresa.
Tomar banho de mar à luz da lua.
Cuidar de um bebê.
Estrear uma roupa íntima.
Conversar com o vizinho.
Escutar o ruído das plantas depois de regá-las.
Mergulhar numa piscina em um dia de muito calor.
Acariciar um gato e ouvi-lo ronronar.
Comemorar o dia de hoje.


36
Perdoe sempre seu inimigo.
Não há nada que o enfureça mais.
N
ADA NOS PROPORCIONA MAIS ALÍVIO
do que perdoar uma ofensa que vinha nos
corroendo.  Quando  deixamos  de  lado  o  ressentimento,  sentimos  que  estamos
repentinamente liberados.
Para  conseguir  isso,  não  devemos  perdoar  por  nos  considerarmos
superiores,  mas  por  assumirmos  que  tudo  acontece  tal  como  deve  acontecer.
Cada  pessoa  se  encontra  em  um  estágio  diferente  de  evolução  espiritual,
portanto age dentro de suas limitações.
Todos  damos  o  que  temos  –  seja  muito  ou  pouco  –  segundo  nossas
possibilidades. Cada um está  onde  tem  de  estar  e  oferece  o  que  pode  oferecer.
Por  isso,  não  há  nada  a  perdoar.  No  máximo,  podemos  ajudar  os  outros  a
avançar um pouco em seu caminho para o crescimento pessoal.
Na realidade, quem age mal está pedindo nossa ajuda. E, na escola da vida,
não há ofensas, apenas lições. Então deveríamos agradecer a esses indivíduos a
oportunidade  que  nos  dão  de  sermos  melhores  e  nos  tornarmos  úteis.  Ao
ajudar, crescemos espiritualmente junto com a pessoa.
Como  disse  Oscar  Wilde:  “Procure  me  amar  quando  eu  menos  merecer,
porque será quando mais precisarei.”


37
O sofrimento é o meio pelo qual
existimos, porque é o único responsável
por termos consciência de existir.
Q
UANDO  DEIXAMOS  DE  NOS  LAMENTAR
 e  seguimos  nosso  rumo  apesar  das
dificuldades, praticamos aquilo que atualmente se denomina resiliência.
Uma  das  primeiras  pessoas  a  falar  em  resiliência  foi  a  psicóloga  Emmy
Werner, que em 1955, quando boa parte da população de Kauai vivia no limite
da  pobreza,  começou  a  estudar  o  comportamento  das  crianças  daquela  ilha
havaiana. Muitas delas tinham pais alcoólatras ou vinham de famílias marcadas
por doen​ças mentais e desemprego.
Entre  essas  crianças  que  cresciam  em  circunstâncias  adversas,  Werner
percebeu  que  dois  terços  desenvolviam  personalidades  destrutivas  ou
irresponsáveis:  gravidez  precoce,  alcoolismo  na  juventude  e  desemprego  na
idade  adulta.  Mas  o  outro  terço  não  sucumbia  àquele  ambiente  tóxico  e  era
capaz de realizar-se pessoal e pro ssionalmente. As pessoas deste último grupo
foram ditas resilientes.
O  que  caracteriza  um  indivíduo  resiliente  é  seu  afã  de  progredir  e  de  lutar
por  seus  objetivos  mesmo  em  um  ambiente  hostil.  Em  vez  de  entregar-se  à
queixa, ele se empenha em construir o próprio futuro.


38
Só se põe a vida a perder
quando ela para de evoluir.
A
CAPACIDADE DE SÍNTESE É UMA
 habilidade  especial  relacionada  à  inteligência  e
muitas  vezes  ignorada.  O  matemático  é  capaz  de  extrair  de  uma  enxurrada  de
algarismos  a  fórmula  fundamental  que  explica  seu  funcionamento.  Da  mesma
forma, os personagens de um bom escritor sintetizam modelos com os quais os
leitores  se  identi cam.  O  orador  pro ssional,  por  sua  vez,  analisa  cada
audiência e então decide como focar seus comentários.
Esse é o segredo do desenvolvimento artístico e intelectual, mas também da
inteligência  cotidiana.  Para  encontrar  a  solução  de  um  problema  é  preciso
avaliá-lo objetivamente, ou seja, captar o que há de fundamental nele.
Um  exemplo  prático  seria  o  de  uma  pessoa  que  nunca  consegue  levar
adiante seus relacionamentos amorosos, mas, ainda assim, não busca entender
seus  erros.  Alguém  com  pouca  ou  nenhuma  capacidade  de  síntese  atribuirá  o
problema  à  falta  de  sorte  ou  a  um  comportamento  inadequado  da  outra  parte.
Não será capaz de perceber o que as situações vividas tiveram em comum e de
efetuar as mudanças necessárias para que elas não se repitam.
As pessoas que não aprendem com os próprios erros  cam estagnadas e se
veem  repetindo  várias  vezes  as  mesmas  experiências.  Para  desenvolver  nossas
capacidades,  o  segredo  é  sintetizar,  aprender  com  as  falhas  cometidas  e  seguir
em frente.


39
Às vezes podemos passar anos sem
realmente viver, e de repente toda a nossa
vida se concentra em um só instante.
J
AMES
J
OYCE  FALAVA  DE  “EPIFANIA”,
 momentos  em  que  atingimos  uma  profunda
compreensão  da  realidade  e  o  mundo  dá  a  impressão  de  parar.  Fenômenos
assim podem acontecer, por exemplo:
Ao depararmos com um trecho de um livro que nos faça vibrar.
Ao experimentarmos o prazer de um sabor novo.
Ao  contemplarmos  uma  paisagem  pela  janela  do  carro  ou  de  um
trem.
Ao ouvirmos uma canção que desperte sentimentos adormecidos.
Ao sentirmos um aroma que nos recorde a infância.
Quando  conseguimos  abraçar  o  instante,  sem  expectativas,  ocorre  aquilo
que  o  budismo  denomina  “satori”,  a  iluminação.  É  um  momento  de  completa
lucidez, no qual o indivíduo entende a essência das coisas e de si mesmo.
É então que conseguimos que a vida se concentre em um só instante.


40
Com liberdade, flores, livros e a lua, quem
não seria completamente feliz?
I
NSTRUÇÕES PARA SER FELIZ:
1. Comemore cada manhã como um presente inesperado.
2. Não se aborreça até o meio-dia (e, quando o meio-dia chegar, proponha-
se a mesma coisa até a noite).
3. Alegre-se com a felicidade dos outros como se fosse a sua.
4. Agradeça tudo o que seus sentidos captarem.
5. Deixe o passado nos álbuns de fotos.
6. Aceite-se como é.
7. Não perca tempo amando quem não corresponde a seus sentimentos.
8. Distribua sorrisos e palavras de ânimo. Tudo isso voltará para você.
9. Evite julgar. Os preconceitos nascem dos prejulgamentos.
10. Aposte todas as suas fichas no dia de hoje.
11. O que lhe sobrar, invista em sonhar com o amanhã.


41
Nos tempos atuais, os jovens pensam que
o dinheiro é tudo, algo que comprovam
quando ficam mais velhos.
N
OSSA  RELAÇÃO  COM  O  DINHEIRO
 muitas  vezes  ultrapassa  o  plano  econômico
para atingir nosso estado de espírito. De acordo com a forma como as pessoas
se  relacionam  com  a  riqueza,  o  jornalista  cultural  David  Barba  de ne  dois
grupos:
Esbanjamento.  Para  os  que  movimentam  o  dinheiro  de  forma
perdulária,  ele  é  um  símbolo  masculino,  patriarcal.  Por  isso  há
mulheres que se livram dele com tanta facilidade: ele lhes queima as
mãos.
Neurose de pobreza.  No outro extremo, temos pessoas que tratam o
dinheiro como se ele fosse algo impuro, que pudesse maculá-las. São
indivíduos  que  se  negam  a  manejá-lo  com  inteligência,  porque  no
fundo não querem que as coisas corram bem. Desejam permanecer
santos,  sentem  que  precisam  viver  na  pobreza,  por  isso  o  dinheiro
os evita.


42
Convém ser moderado em tudo,
até na moderação.
B
UDA  NOS  ORIENTA  A  VIVER  LONGE
 dos  extremos,  inclusive  do  extremo  da
prudência.  Embora  Oscar  Wilde  não  tenha  sido  exatamente  um  homem
comedido, no aforismo acima ele aponta para a  loso a que o poeta chinês Li
Mi-an resumiu magistralmente:
O melhor costuma ser, neste mundo,
descobrir o que está entre os extremos;
o meio a meio, fórmula mágica,
dará mil e mil satisfações [...].
Sábio em uma metade, em outra fidalgo,
vive pelo meio o esforço e o repouso.
Sem te isolares, não dês confiança de mais.
Procura ter de tudo em tua casa,
sem nada de ostentoso nem arrogante [...].
Quando te embriagares, faz isso sempre pela metade.
A flor meio aberta é mais bonita,
com meia vela seguem bem os navios
e à meia-rédea trotam os cavalos.
O caminho do meio que Buda pregava não implica renunciar aos prazeres,
mas eliminar os que nos prejudicam. Se soubermos encontrar o equilíbrio entre
o excesso e a renúncia, transformaremos nossa vida em um caminho agradável
e sem sobressaltos.


43
Deem-me o supérfluo, pois o necessário
qualquer um pode ter.
S
EGUNDO  ESTUDO  REALIZADO  NOS
 Estados  Unidos,  quando  o  pneu  do  carro  de
uma pessoa bonita fura,  mais  de  66%  dos  pedestres  se  detêm  para  ajudá-la,  ao
passo  que,  se  a  pessoa  não  estiver  dentro  dos  padrões  de  beleza  considerados
ideais, a porcentagem de ajuda é de menos de 50%.
Demonstrou-se  também  que  uma  pessoa  bonita  é  atendida  mais
prontamente  em  lojas  e  considerada  mais  convincente  diante  do  júri  de  um
tribunal.
Portanto, a aparência, algo tão super cial, age diretamente em situações de
grande  importância.  E  isso  não  se  limita  à  estética  das  pessoas.  Como  explica
Piero  Ferrucci  em Belleza  para  sanar  el  alma ,  também  buscamos  o  belo  nos
objetos que nos rodeiam: “Quando a beleza nos preenche, ainda que só por um
momento,  toda  angústia,  todo  medo,  tristeza  ou  ferida  desaparecem,  ou  pelo
menos são vistos de maneira diferente.”
Nesse sentido, cuidar de nosso físico e nos rodearmos de beleza ao decorar
a casa ou o local de trabalho são atitudes que ajudam a minimizar os problemas
e a nos sentirmos mais otimistas e ativos.


44
Estou convencido de que Deus fez um
mundo diferente para cada homem, e de
que é nesse mundo, que está dentro de
nós mesmos, que devemos tentar viver.
A
CEITAR QUE CADA PESSOA TEM SEU MUNDO
e que todas as opiniões são subjetivas
nos ajuda a viver com leveza e a não fazer drama quando discordam de nós.
Há uma interessante narrativa da tradição zen sobre o assunto. Três amigos
que  saíram  a  caminhar  avistaram  ao  longe  um  homem  sozinho,  sentado  em
uma ladeira.
–  Certamente  se  perdeu  e  está  esperando  que  alguém  passe  por  ali  para
pedir informações – declarou um dos amigos.
– Acho que ele se sentou para descansar – disse outro.
– Nenhum de vocês está certo – interveio o terceiro. – Sem dúvida ele está
esperando um amigo que lhe fará companhia.
Continuaram  discutindo,  enquanto  se  aproximavam  do  desconhecido.  Ao
chegarem a ele, o interrogaram:
– Você se perdeu? – perguntou um.
– Não – respondeu o homem.
– Sentiu-se mal? – indagou o outro.
– Não – voltou a dizer o desconhecido.
– Está esperando algum amigo? – questionou o terceiro.
– Não – repetiu o homem.
Desconcertados, os três perguntaram ao mesmo tempo:
– Então, o que faz aqui?


O desconhecido sorriu e, sem perder a calma, disse:
– Simplesmente estou.


45
Se somos tão inclinados a julgar os outros,
é porque tememos por nós mesmos.
H
Á UM VELHO DITADO QUE AFIRMA QUE
“quem critica se confessa”. Julgar é ruim
não  apenas  por  gerar  ressentimento  e  outros  con itos,  mas  também  pelo  fato
de dar início em nossa mente a uma sequência de três fases destrutivas:
A  primeira  é  o  JULGAMENTO.  Como  todos  somos  diferentes,  ao
julgar  os  atos  de  alguém  é  inevitável  encontrarmos  coisas  que  não
nos agradam.
Como  temos  di culdade  em  admitir  que  o  mundo  é  visto  de
maneiras diferentes segundo o ponto de observação, aquilo que não
nos  agrada  –  ou  não  compreendemos  –  no  outro  desencadeia  a
segunda fase, a ACUSAÇÃO.
A acusação origina a terceira fase, a VINGANÇA, que pode ser sutil
a ponto de passar despercebida até mesmo da pessoa que a pratica.
Para  o  Dr.  John  Demartini,  educador  e  especialista  em  comportamento
humano,  os  antídotos  para  esse  mecanismo  são  o  perdão  e  a  gratidão:  “O
perdão  é  um  passo  para  a  gratidão  quando  você  consegue  compreender  mais
profundamente os fatos vividos. Sua ausência pode levar à imobilidade espiritual
se você persistir em se manter vítima ou algoz das circunstâncias.”


46
A melhor maneira de livrar-se
da tentação é ceder a ela.
T
ODOS  OS  QUE  SABEM  EXTRAIR
 o  máximo  da  vida,  como  Oscar  Wilde  em  sua
atribulada existência, no  nal chegam ao mesmo resultado: não se arrependem
do que fizeram, mas daquilo que desejavam ter feito e não realizaram.
E m A  lição  nal,  Randy  Pausch,  professor  universitário  que  recebeu  um
diagnóstico de câncer em estágio terminal, explica como conseguiu realizar seis
sonhos  de  infância  nos  seis  últimos  meses  de  vida:  estar  em  gravidade  zero,
jogar  num  time  de  futebol  americano  pro ssional,  assinar  um  verbete  numa
enciclopédia,  atuar  em Jornada  nas  estrelas ,  ganhar  um  bichinho  de  pelúcia  e
fazer parte da equipe criativa da Disney.
Graças  à  Nasa,  ele  experimentou  25  segundos  de  gravidade  zero.  A
enciclopédia World  Book   o  convidou  a  escrever  um  verbete  sobre  realidade
virtual. Ele colaborou com a Disney e foi convidado a participar do treinamento
de  um  time  de  futebol  americano.  Também  interpretou  um  pequeno  papel  no
último filme da série Jornada nas estrelas.
Na mensagem  nal deixada a seus alunos, contudo, Pausch os alertou sobre
não  esperar  o  m  para  sair  em  busca  dos  sonhos.  Eles  jamais  deveriam  ser
abandonados. Quem realmente aproveita a estada na Terra vive cada dia como
se fosse o último.


47
Nunca viajo sem meu diário.
Sempre deveríamos levar algo
admirável para ler no trem.
P
ARA  QUEM  NÃO  TEM  DINHEIRO
 nem  vontade  de  procurar  um  psicanalista,
escrever um diário é uma excelente maneira de explorar seu interior e descobrir
desejos e motivações dos quais nem sequer tem consciência.
Embora  a  febre  dos  blogs  pareça  ter  roubado  o  espaço  do  diário
encadernado que se fechava com chave, a magia da caneta e do papel persiste.
Se você quer manter um diário:
1.  Comprometa-se  a  uma  frequência  mínima:  por  exemplo,  todas  as  tardes
de domingo, dedique uma hora a escrever.
2.  Após  anotar  a  data,  deixe  que  a  caneta  corra  livremente  para  expressar
seus sentimentos.
3. Depois de escrever um texto, coloque ao lado da data um título que mais
tarde permita localizar facilmente seu assunto.
4. Releia algumas páginas de vez em quando. Esse é o prazer de um diário!
5. Não se envergonhe do que sentiu. Essas emoções levaram você a ser quem
é.


48
Dever é o que esperamos do
comportamento dos outros.
F
REQUENTEMENTE ESQUECEMOS QUE
nossa principal obrigação é sermos  éis a nós
mesmos,  pois  quanto  mais  nos  sentirmos  donos  de  nossa  vida,  menos
precisaremos impor, obrigar e exigir.
Tomar as rédeas da própria vida signi ca pensar por si mesmo, sentir por si
mesmo, decidir por si mesmo e assumir as consequências de todos os seus atos.
Significa sermos responsáveis e portanto...
livres do peso da opinião dos outros e donos da própria sorte.
conscientes  de  que  a  felicidade  dos  outros  não  depende  de  nós,
desde  que,  como  prega  o  budismo,  nossos  atos  não  os  impeçam  de
ser felizes.
capazes  de  ajudar  as  pessoas  à  nossa  volta  a  evoluir,  em  vez  de
censurá-las por meio de críticas e desprezo.
escultores  que  fazem  da  vida  a  melhor  obra  de  arte  (como  a rmou
Oscar Wilde).
desobrigados de esperar dos outros aquilo que não exigimos de nós
mesmos.


49
Nada pode curar a alma,
exceto os sentidos.
A
PESAR DE PODERMOS ALIMENTAR
todos os cinco sentidos com experiências belas
e  prazerosas,  a  maioria  das  pessoas  privilegia  alguns  deles  em  detrimento  dos
demais.
Há  quem  passe  a  maior  parte  do  tempo  livre  escutando  música  de  olhos
fechados. Existem pessoas que leem um livro atrás do outro e se esquecem das
demais artes que poderiam lhes tocar a alma. Há ainda os a cionados das artes
plásticas e os que são amantes da boa mesa e preferem um banquete à mais bela
exposição.
Para  aproveitar  tudo  o  que  há  de  melhor  na  vida,  é  preciso  observar  quais
sentidos alimentamos mais e equilibrar os que estão menos estimulados.
O  escritor  e  pensador  alemão  Johann  Wolfgang  von  Goethe,  também
viajante e literato, dava a seguinte receita para a felicidade plena:
Toda  pessoa  deveria  diariamente  escutar  um  pouco  de  música  delicada,  ler
um trecho de boa poesia e ver um quadro de bela feitura. Dessa maneira, as
preocupações da vida cotidiana não aniquilariam a capacidade que Deus pôs
na alma humana de perceber a beleza.


50
O cinismo consiste em ver as coisas como
realmente são, não como deveriam ser.
À
S  VEZES  OS  CÍNICOS  TÊM  A  HABILIDADE
 de  enxergar  aquilo  que  o  restante  das
pessoas se nega a ver.
Na  Grécia  clássica,  “cinismo”  se  referia  a  uma  escola  que  pregava  uma
existência frugal. Seus adeptos consideravam o mundo civilizado um mal em si
mesmo  e  acreditavam  que  para  alcançar  a  felicidade  era  preciso  viver  em
harmonia  com  a  natureza.  Era  uma  loso a  muito  mais  de  acordo  com  o
aforismo de Oscar Wilde  do  que  com  o  sentido  negativo  que  o  termo  assumiu
atualmente.
Com  suas  críticas  em  relação  ao  modo  de  vida  daquela  época,  os  lósofos
cínicos criaram postulados que ainda hoje são válidos:
Todo ser humano tem o necessário para ser feliz, ainda que não se
dê conta disso.
A meta mais elevada de toda pessoa é alcançar a independência e a
liberdade de pensamento.
Uma vez que as preocupações materiais restringem nossa liberdade,
quem tem menos necessidades é mais feliz.


51
Há coisas que são preciosas justamente
porque duram pouco.
U
MA  ATITUDE  FUNDAMENTAL  DAS  PESSOAS
 que  sabem  aproveitar  a  vida  é  a  de
desfrutar o efêmero, os prazeres passageiros, sem pensar em sua perda. Por trás
dessa conduta está a  loso a japonesa do wabi-sabi, que rege o amor por tudo o
que é provisório e imperfeito.
Andrey  Juniper,  especialista  no  assunto,  explica  esse  conceito  estético  e
losó co que é tão sublime e natural: “O wabi-sabi utiliza a fugacidade da vida
para  transmitir  uma  sensação  de  melancólica  beleza  e  fazer  compreender  a
efemeridade de todas as coisas.”
Quem não sabe apreciar o que é passageiro di cilmente poderá desfrutar a
vida, porque ela é  feita  de  episódios  efêmeros.  De  fato,  as  melhores  coisas  que
nos acontecem – o primeiro beijo, por exemplo – têm o espírito do wabi-sabi.
Lamentar-se  do  fato  de  não  poder  prolongar  ou  reter  essas  experiências
apenas impede que você aproveite o que é mais precioso.


52
Para a maioria de nós, a verdadeira
vida é a que não levamos.
O
DRAMA  DE  MUITAS  PESSOAS  É  ESPERAR
 que  aconteça  algo  diferente  ou  especial
que  lhes  permita  VIVER,  com  maiúsculas.  No  entanto,  é  justamente  essa
atitude passiva que impede que a vida desejada chegue.
É o que ilustra o romance O deserto dos tártaros , de Dino Buzzati. Nele, um
o cial que anseia por glória espera inde nidamente, em uma fortaleza, o ataque
de bárbaros que nunca se realiza.
O  anseio  por  uma  “vida  autêntica”  se  mostra  desde  o  dia  em  que  o
personagem deixa o lar em busca de sua obsessão:
Recém-nomeado o cial, Giovanni Drogo partiu da cidade, certa  manhã  de
setembro, para dirigir-se à fortaleza Bastiani, seu primeiro destino.
Tinha  pedido  que  o  despertassem  antes  de  o  dia  clarear,  e  vestiu  pela
primeira  vez  o  uniforme  de  tenente.  Depois  se  olhou  no  espelho  à  luz  de
uma  lâmpada  a  óleo,  mas  não  encontrou  a  alegria  que  havia  esperado.  Na
casa  reinava  um  grande  silêncio,  ouviam-se  apenas  leves  ruídos  num
aposento vizinho: sua mãe estava se levantando para se despedir dele.
Era o dia esperado havia anos, o início de sua vida autêntica.
Em  vez  de  trancar-se  em  uma  fortaleza,  vendo  o  tempo  passar,  olhe  ao
redor e deguste os frutos de cada momento da vida.


53
É monstruosa a forma como as pessoas
criticam as outras pelas costas, dizendo
coisas absoluta e completamente verídicas.
E
SSE PENSAMENTO DE
O
SCAR
W
ILDE
 é  uma  poderosa  maneira  de  nos  blindarmos
contra as críticas que tanto nos ferem. Dividimos nosso tempo e nosso espaço
com pessoas muito diferentes de nós. Isso em si já é uma garantia de que alguns
de nossos atos não serão compreendidos.
As  pessoas  hipersensíveis  acabam  por  agravar  os  atritos  comuns  do  dia  a
dia.  Segundo  a  terapeuta  Marina  B.  Rolandelli,  esse  problema  tem  origem  na
infância e se intensifica ao longo das diferentes etapas da vida:
Quando  criança,  o  hipersensível  constrói  um  mundo  de  fantasias  porque
percebe  uma  realidade  que  o  fere  e  lhe  provoca  angústia  e  medo.  Na
adolescência, sente-se incompreendido e sozinho porque não encontra com
quem  compartilhar  suas  emoções.  Na  maturidade,  ele  também  sofre  nos
relacionamentos  amorosos:  nunca  está  satisfeito  com  as  demonstrações  de
afeto do outro, mostra-se inseguro, monopolizador, carente e ciumento.
Um pouco da atitude autossu ciente de Oscar Wilde serve para estabelecer
uma distância segura entre nós e as opiniões alheias, permitindo-nos assim que
vivamos mais tranquilos.


54
O mundo é um palco,
mas seu elenco é um horror.
N
O DIA A DIA, MUITAS VEZES NOS VEMOS
obrigados a representar papéis diferentes
em função do lugar e da situação em que nos encontramos: acalmar um cliente
aborrecido  não  é  o  mesmo  que  conversar  com  o  funcionário  da  mercearia  do
bairro ou almoçar com os colegas de trabalho.
Quando  nos  sentimos  atores  no  grande  cenário  do  mundo,  podemos  pôr
em  prática  o  método  do  grande  ator  e  diretor  russo  Stanislavski,  que  se  baseia
na assimilação do personagem representado.
Esse  mestre  da  interpretação  aconselhava  o  ator  a  não  imitar  os  gestos  do
avarento,  mas  sim  a  sentir  a  avareza  dentro  de  si,  porque  dessa  maneira  sua
atuação seria perfeitamente natural e convincente.
Como na complexidade do cotidiano somos obrigados a representar muitos
papéis, é necessário que “entremos” neles para que o espetáculo da vida flua.
Se  atuarmos  de  fora,  sem  captar  a  essência  do  personagem,  só
conseguiremos o que Stanislavski dizia aos seus alunos: “Não acreditei, você não
me convenceu.”


55
Só existe no mundo uma coisa pior do
que falarem de nós. É não falarem.
Q
UANDO SE FALA DA NECESSIDADE DE CAPTAR
 a  atenção  do  público,  arte  na  qual
Oscar  Wilde  era  um  mestre,  com  frequência  é  citado  o  famoso  incidente  do
“sapato de Kruschev”.
Aconteceu  em  12  de  outubro  de  1960,  durante  a  reunião  plenária  número
902  da  Assembleia  Geral  das  Nações  Unidas.  Aborrecido  com  o  fato  de  o
público não estar prestando atenção ao seu discurso, o enfurecido líder da então
União Soviética, Nikita Kruschev, tirou um sapato e bateu com ele na tribuna.
Dizem que a ideia lhe ocorreu depois de dar um soco na mesa durante uma
resposta  furiosa  dirigida  ao  representante  das  Filipinas,  o  que  fez  com  que  seu
relógio  de  pulso  caísse.  Ao  se  agachar  para  recolhê-lo,  Kruschev  viu  seus
sapatos e decidiu pegar um deles e usá-lo como “arma dissuasiva”.
Sem  dúvida,  foi  uma  solução  teatral  e  ao  mesmo  tempo  e ciente  –  do
contrário,  não  estaríamos  falando  dela  –,  que  sem  dúvida  teria  encantado  o
próprio Oscar Wilde.


56
É muito difícil não ser injusto
com quem amamos.
P
OUCOS ACONTECIMENTOS TÊM O PODER
 tão  grande  de  acabar  com  o  dia  de  uma
pessoa quanto as discussões domésticas.
Um  estudo  recente  revelou  que  o  motivo  do  rompimento  da  maioria  das
relações amorosas não são as grandes diferenças entre o casal, mas o acúmulo
de  pequenas  discussões  diárias.  Ao  que  parece,  ainda  que  os  parceiros  tenham
muitas  a nidades,  a  relação  não  resiste  ao  desgaste  dos  atritos  cotidianos,  que
acabam por cavar um abismo entre os dois.
Por que é tão difícil nos entendermos, mesmo quando estamos dispostos a
isso? Os  estudiosos  concordam  em  que  muitos  atritos  nascem  da  falta  de
empatia.  Quando  alguém  é  incapaz  de  se  colocar  no  lugar  do  outro  e  de
entender  a  situação  dele,  essa  rigidez  cria  uma  muralha  que  impede  o
intercâmbio verdadeiro.
Por  trás  desses  temperamentos  rígidos,  que  parecem  estar  sempre  em
guerra contra o mundo, costuma existir uma grande insegurança. Ao duvidarem
de seus valores e objetivos, essas pessoas se agarram à própria identidade e não
permitem que outros lhes apresentem sua visão do mundo.
Como  assinala  Oscar  Wilde,  é  com  as  pessoas  mais  próximas  que  somos
mais  intransigentes  e,  portanto,  mais  injustos.  Se  você  quer  evitar  con itos
desnecessários e deseja que seus laços afetivos permaneçam, ofereça às pessoas
de seu círculo íntimo toda a empatia possível.


57
Só os superficiais chegam
a conhecer a si mesmos.

C
ONHECE-TE A TI  MESMO.”
 Esta  frase,  atribuída  a  Sócrates,  estava  inscrita  na
entrada do templo de Delfos. Seu objetivo era incitar os visitantes a reconhecer
os limites de sua índole, assim como a não almejar o que pertence aos deuses.
Estar consciente da própria ignorância é condição indispensável para atingir
a  verdadeira  sabedoria.  Alguns  conselhos  para  quem  quer  alcançar  o
autoconhecimento:
Explorar  seu  interior,  onde  se  encontra  tudo  aquilo  de  que
necessitamos para viver com plenitude.
Ser honesto consigo mesmo e com os demais.
Viver consciente dos próprios atos e de suas consequências.
Ser coerente com sua natureza, sem tentar parecer o que não é.
Da  mesma  forma,  em  vez  de  se  prender  às  diferenças  super ciais,  que  só
servem  para  distanciar  as  pessoas,  é  importante  ver  o  que  se  tem  em  comum
com  os  outros.  Essa  é  uma  lição  universal  que  nos  ajuda  a  caminhar  pelo
mundo.


58
Quando as pessoas concordam comigo,
tenho sempre a impressão de que devo
estar enganado.
S
OMOS  BASTANTE  DESPREPARADOS
 para  aceitar  críticas.  Quando  elas  chegam,  é
comum  respondermos  com  agressividade  ou  então  deixarmos  claro  que  as
desprezamos, que não as assumimos.
O  ideal  é  saber  ouvir  e  avaliar  uma  crítica  tendo  em  mente  a  pessoa  que  a
fez e sua intenção em relação a nós. A que vem de um ente querido não tem o
mesmo peso que as feitas por um colega de trabalho, um chefe ou um simples
conhecido.
Venham  de  quem  vierem,  é  preciso  responder  adequadamente  a  elas.
Portanto, diante de uma crítica:
Analise o que está sendo dito e tire suas próprias conclusões.
Não contra-ataque nem fique na defensiva.
Peça sugestões caso acredite que a pessoa possa ajudar.
Ignore o que for mero fruto de inveja ou vingança.
Nunca responda com outra crítica.
Uma  crítica  pode  ser  um  bom  ponto  de  partida  para  uma  mudança
benéfica.


59
Só podemos dar uma opinião imparcial
sobre as coisas que não nos interessam;
sem dúvida, por isso mesmo, as opiniões
imparciais carecem de valor.
O
SC AR
W
ILDE  NÃO  SE  INCOMODAVA
 com  as  opiniões  dos  outros,  justamente
porque as considerava impregnadas dos interesses e preconceitos alheios.
Embora  ele  gostasse  de  criar  polêmica  sobre  qualquer  questão,  eram  os
assuntos  difíceis  de  comprovar  (como  a  existência  de  Deus,  por  exemplo)  os
que  mais  o  atraíam.  Talvez  não  houvesse  nada  mais  relaxante  para  Wilde  que
falar de algo sobre o que ninguém pudesse comprovar ter razão.
Sobre  essa  questão,  há  uma  pequena  história  de  Bertolt  Brecht
especialmente enriquecedora:
Alguém perguntou ao Sr. Keuner se existia um deus.
O Sr. Keuner respondeu:
– Eu o aconselho a pensar se seu comportamento mudaria de acordo com
a  resposta  a  essa  pergunta.  Se  permaneceria  o  mesmo,  podemos  deixar  a
questão  de  lado.  Se  mudaria,  posso  ajudá-lo  dizendo  que,  já  que  assim  o
decidiu, você precisa de um deus.


60
Em assuntos de vital importância, o
essencial é ter estilo, não sinceridade.
O
ESTILO  É  A  COMUNHÃO  ENTRE  NOSSO
 interior  e  nosso  exterior.  Sem  essa
harmonia, ele não existe.
Anna  Wintour,  editora-chefe  da  revista  Vogue,  assim  o  de ne:  “O  estilo
pessoal tem a ver,  em  última  instância,  não  com  o  amor  pela  própria  imagem,
mas com a consideração pelos outros, junto com uma autoconfiança saudável.”
Dez dicas para se ter estilo:
1. Conhecer os pontos fortes da própria personalidade.
2. Valorizar o que você é, em vez de se vangloriar do que finge ser.
3. Ser humilde sem falsa modéstia.
4. Ter uma atitude positiva.
5. Ser amável com os outros.
6. Dialogar com educação e inteligência.
7. Ser solidário.
8. Mostrar flexibilidade quanto às opiniões dos outros.
9. Saber lidar com momentos de crise.
10. Nunca se queixar em público.


61
As desventuras são suportáveis porque
vêm de fora, são meros acidentes. É no
sofrimento causado pelas nossas próprias
faltas que sentimos a ferroada da vida.
E
M UM DOS MELHORES CONTOS
de Graham Greene, um vilão sai livre e sorridente
de  seu  julgamento,  depois  de  conseguir  que  as  provas  que  o  incriminavam
fossem  consideradas  insu cientes.  Entretanto,  ao  atravessar  a  rua,  morre
atropelado.  Em  suas  últimas  palavras,  pouco  antes  de  fechar  os  olhos  para
sempre,  ele  agradece  por  ter  sido  a  providência  divina  a  condená-lo,  não  os
votos  de  um  júri:  “Odeio  ser  julgado  pelos  outros,  pre ro  que  sejam  as
circunstâncias a me julgar.”
Muitos  de  nós,  talvez  por  causa  do  excesso  de  zelo  de  nossos  pais,  nos
acostumamos a ser desculpados de qualquer falta e a receber mais amor do que
merecemos.  Então  temos  di culdades  em  aceitar  que  um  estranho  nos  ponha
em nosso devido lugar.
Aprender a aceitar julgamentos sobre si mesmo é um gesto de sabedoria.


62
Escolho meus amigos pela beleza,
meus conhecidos pelo caráter
e meus inimigos pela inteligência.
N
OSSAS EXIGÊNCIAS EM RELAÇÃO
às pessoas dependem do lugar que elas ocupam
em  nossas  vidas.  Os  amigos  estão  em  fotos  de  nossos  álbuns  de  família;  dos
conhecidos, às vezes nem ao menos nos lembramos.
Aos  conhecidos,  desculpamos  sua  informalidade.  Dos  amigos,  aqueles  que
convidamos  para  jantar,  esperamos  que  nos  proporcionem  uma  conversa
agradável e que tenham boa educação.
Por  m,  dos  inimigos,  como  aconselha  Oscar  Wilde,  esperamos  que
demonstrem inteligência, para não sentirmos que entramos em um embate sem
adversário à altura.


63
A vida não é complicada, nós é que somos.
A vida é simples e o simples
é sempre correto.
P
ASCAL  NOS  ACONSELHAVA  A  NÃO  SAIRMOS
 do  nosso  quarto  se  quiséssemos  ser
felizes.
Ao  mesmo  tempo  que  o  contato  com  o  mundo  oferece  aprendizados  e
prazeres,  também  leva  a  desencontros  e  incompreensões.  Seja  como  for,  no
nal, sempre saímos à rua – e lá as coisas não são tão fáceis. Sempre ocorrem
imprevistos  que  põem  à  prova  nossos  nervos  e  nossa  capacidade  de  agir  com
objetividade e sem dificultar ainda mais as coisas.
Nossa  tendência  a  criar  obstáculos  nos  leva  a  complicar  tudo.  Entretanto,
como nos lembra Oscar Wilde, a vida é muito mais singela do que imaginamos.
Os problemas mais complexos costumam ter as soluções mais simples. Um dos
segredos da felicidade é não permitir que sua mente dificulte o que é fácil.


64
Definir é limitar.
A
MÁXIMA  BÍBLICA
 “Não  julguem  e  vocês  não  serão  julgados”  nos  lembra  que,
diferentemente do olhar divino, o nosso não é onipresente e, portanto, não nos
capacita  a  emitir  julgamentos  justos.  Só  quem  vê  a  realidade  como  um  todo
pode  compreender  e  avaliar  os  atos  dos  outros.  As  próprias  Escrituras  nos
advertem de que a pessoa que tem uma viga no olho não deveria julgar o cisco
no do irmão.
Contudo,  julgar  é  uma  atitude  inerente  ao  ser  humano.  Quando  somos
apresentados  a  alguém  ou  presenciamos  um  acontecimento,  inevitavelmente
emitimos  um  juízo  de  valor.  Saber  o  que  pensamos  sobre  alguém  ou  alguma
coisa  nos  proporciona  segurança  e  nos  permite  conduzir  nossas  reações  (em
hebraico, a origem do termo “julgar” é justamente “dirigir” ou “guiar”).
Ao  quali carmos  uma  pessoa  de  honesta  ou  corrupta,  valiosa  ou
dispensável,  na  realidade  estamos  decidindo  como  iremos  nos  relacionar  com
ela.  Da  mesma  forma,  quando  consideramos  que  determinada  situação  é
perigosa, nossa reação a ela é condicionada por essa opinião.
Portanto,  julgar  nos  proporciona  a  sensação  de  estarmos  pisando  em
terreno  rme. Ao mesmo tempo, porém, pode nos afastar do mundo. A partir
do  momento  em  que  rotulamos  algo,  deixamos  de  observar  o  que  acontece  e
passamos a nos fixar somente na etiqueta.


65
O fato de um homem morrer
por uma causa não diz nada a
respeito do valor dela.
D
IZEM QUE UM PRESO DA PENITENCIÁRIA
de O’Mare, na Irlanda, pediu um prato de
lagosta pouco antes de ir para a cadeira elétrica. Os carcereiros lhe perguntaram
por  que  ele  havia  pedido  aquele  prato.  Ele  respondeu  que  era  o  mesmo  que
James  Cagney  tinha  escolhido  no
lme Heróis  esquecidos ,  ao  saber  que
morreria.
Conheci  um  senhor  que  apreciava  muito  a  cazalla,  uma  aguardente
fortíssima  fabricada  em  Cazalla  de  la  Sierra,  vilarejo  da  província  de  Sevilha.
Quando  ele  morreu,  foi  uma  grande  tristeza  para  a  família.  Igualmente  triste,
porém,  foi  o  fato  de,  apesar  de  ter  bebido  durante  mais  de  60  anos  e,  no  m,
morrido de cirrose, ele jamais ter desfrutado um bom vinho ou um bom licor.
Quanto  a  mim,  bebo  uísque  desde  minha  juventude  e  acho  que  não  teria
nada a reclamar se amanhã mesmo chegasse a minha hora.
Já  que  vamos  mesmo  morrer,  que  ao  menos  seja  com  o  sabor  que
escolhermos  na  boca  ou  deixando  um  registro  póstumo  que  diga  claramente:
até em nosso último instante, soubemos estar à altura do grande papel que nos
foi  atribuído  neste  “conto  narrado  por  um  idiota”,  como  William  Shakespeare
descrevia a vida.


66
O tolo nunca se recupera de um sucesso.
Q
UANDO UM SUCESSO NOS SOBE À CABEÇA,
corremos o risco de perder... a própria
cabeça. Isso acontece por sermos jovens demais, ou imprudentes demais, ou por
sentirmos necessidade de fortalecer nossa autoestima. Ou ainda, simplesmente,
por  estarmos  há  muito  tempo  esperando  que  algo  assim  aconteça  e  não
querermos deixar que acabe.
Andy  Warhol  dizia  que,  mais  cedo  ou  mais  tarde,  a  fama  chega  para
qualquer pessoa, mas dura apenas 15 minutos.
O  sucesso  é  tão  fácil  e  tão  complicado  quanto  ganhar  na  loteria:  há  quem
consiga logo na primeira tentativa e quem jamais receba um centavo, apesar de
jogar sempre. Na loteria, o que vale é o acaso; no sucesso pro ssional, valem a
persistência e o talento.
Muitos  talentos  são  desperdiçados  por  falta  de  persistência,  assim  como
muitas pessoas se esforçam em atividades para as quais não foram feitas.
Seja  como  for,  a  diferença  entre  o  sucesso  tolo  e  o  inteligente  é  que  o
primeiro  só  acontece  uma  vez,  é  fruto  do  acaso  e  passageiro,  enquanto  o
segundo pode se repetir sempre, porque é resultado da atitude pessoal.


67
Quando a pessoa está apaixonada,
começa por enganar a si mesma e acaba
enganando os outros. Isso é o que o
mundo chama de romance.
P
ARA  MUITA  GENTE,  O AMOR  É  UMA APOSTA:
 tudo  ou  nada.  Quem  joga  assim  está
equivocado. E no eixo desses enganos gira um bom número de obras literárias.
Dom  Quixote  dedicava  cada  uma  de  suas  façanhas  a  Dulcineia,  uma  pobre
camponesa  que  ele  havia  idealizado  mas  com  quem  nunca  chegou  a  se  casar;
outros  personagens  mais  sinistros,  como  o  protagonista  de O  vermelho  e  o
negro,  de  Stendhal,  ngem  estar  apaixonados  porque  com  isso  esperam  obter
poder e dinheiro.
Os  lósofos  orientais  nos  aconselham  a  ver  o  amor  como  um  jardim  que
deve ser cultivado todos os dias, seja inverno ou verão. Sua forma de entender o
amor é muito semelhante a ver uma planta crescer.
Já  nós,  ocidentais,  preferimos  histórias  mais  intensas  e,  se  possível,
dramáticas: os amores impossíveis de Romeu e Julieta  ou as paixões a itivas de
O morro dos ventos uivantes.
Mas  certamente  o  amor,  o  verdadeiro  amor,  é  uma  história  ainda  sem
registros. Os romancistas ocidentais o transformam em um espetáculo público e
os  “jardineiros”  orientais,  em  uma  experiência  íntima.  Uns  o  vivem  de  forma
breve  e  intensa,  às  vezes  trágica  até,  ao  passo  que  outros  se  conformam  em
vivê-lo de maneira suave e plena.
Cabe a cada pessoa escolher qual é a melhor opção para si.


68
O que nos absolve é a confissão,
não o padre.
N
O  FIM  DE  SUA  VIDA,
O
SC A R
W
ILDE
 foi  rejeitado  pela  sociedade  e  levado  a
julgamento,  acusado  de  manter  relações  homossexuais  com  um  jovem.
Enganado  por  ele  e  mandado  para  a  prisão,  em  1897  lhe  escreveu  uma  das
cartas mais bonitas da história moderna.
Publicado sob o título De profundis, o texto assim se dirige ao jovem:
Ainda  estou  muito  longe  do  verdadeiro  caráter  da  alma,  como  demonstra
claramente  esta  carta,  com  seu  espírito  vacilante  e  incerto,  seu  sarcasmo  e
sua amargura, seus propósitos e sua incapacidade de cumpri-los, mas não se
esqueça da terrível escola em que faço minha aprendizagem. Mesmo sendo
eu incompleto e imperfeito, de mim você ainda tem muito a receber. Veio a
mim para aprender os prazeres da vida e da arte. Talvez me tenha sido dada
a chance de lhe ensinar algo muito mais maravilhoso: o sentido da dor e sua
beleza.
Encontrar um sentido para a dor é, segundo a logoterapia, um bálsamo para
a  própria  dor.  Se,  além  disso,  soubermos  revestir  de  beleza  essa  consciência,
então  transformaremos  cada  momento  difícil  em  uma  experiência  sensível  e
enriquecedora.


69
Gosto de escutar a mim mesmo.
É um dos meus maiores prazeres.
Converso comigo com frequência e sou
tão inteligente que às vezes não entendo
uma só palavra do que digo.
O
ESCRITOR  HONDURENHO
A
UGUSTO
M
ONTERROSO
 dizia  que,  para  saber  o  que
pensava,  tinha  que  escrever.  Já  o  lósofo  austríaco  (depois  naturalizado
britânico)  Ludwig  Wittgenstein  acreditava  que,  apesar  de  ser  fácil  saber  o  que
dizemos, seria difícil explicar por que o dizemos.
Poderíamos situar Oscar Wilde entre os dois. Ele sabia escolher as palavras
apropriadas,  embora  nem  sempre  as  utilizasse  para  ns  práticos.  Foi  um
apaixonado  pela  beleza  e  teve  um  trágico  m,  rechaçado  pela  sociedade  e
condenado  à  prisão.  Em  sua  obra,  soube  contar  com  graciosidade  até  as
histórias mais sinistras, como a de Dorian Gray, mas também soube jogar com
as  palavras,  provocando  mal-entendidos  e  escândalos  quando  atacava  os
costumes estabelecidos e defendia os hábitos incomuns.
Graças à beleza indiscutível de sua alma e à sua grande inteligência, até hoje
o  consideramos  um  gênio.  Em  seus  textos,  não  só  percebemos  como  a
combinação de palavras pode ser bela, como também nos damos conta de que o
pensamento  só  é  livre  quando  não  carrega  o  peso  dos  lugares-comuns  e  das
visões preestabelecidas.
Às vezes, não entender nada – nem mesmo as próprias palavras – é o mais
sensato ante o absurdo de certas situações.


70
Uma ideia que não seja perigosa
não merece ser chamada de ideia.
A
LGUMAS  PESSOAS  QUE  AFIRMAM
 não  terem  ideias  e  planos  de  renovação  na
verdade  escondem  uma  necessidade  de  se  manterem  estáveis  que  é
profundamente humana – por mais absurdo que seja buscar estabilidade em um
mundo instável.
Nossa  sociedade  se  sustenta  no  movimento:  o  dinheiro  muda
constantemente de mãos, os computadores  cam obsoletos a cada dois anos, os
modismos  se  sucedem  à  velocidade  da  luz.  É  por  medo  de  falhar  ou  de  tomar
decisões equivocadas que muitas vezes não arriscamos trazer à tona novas ideias
e abandonar antigos conceitos.
Mas  o  medo  do  fracasso  é  pior  do  que  o  próprio  fracasso,  porque  este  ao
menos nos permite aprender e evoluir.
Paulo Coelho assim reflete sobre o temor de correr riscos:
A pessoa que tem medo de assumir riscos é digna de piedade. Talvez nunca
se decepcione nem se desiluda, talvez não sofra como os que perseguem um
sonho. Mas, quando olhar para trás, a única coisa que terá na vida serão as
batidas do próprio coração.


71
Nos melhores dias da arte,
não existiam críticos de arte.
H
Á  PESSOAS  MOVIDAS  PELA AMARGURA
 e  pela  descon ança  –  e  é  isso  o  que  elas
comunicam aos outros.
Dale  Carnegie,  autor  de Como  fazer  amigos  e  in uenciar  pessoas ,  dava  o
seguinte conselho: “Antes de criticar o próximo, fale de seus próprios erros.”
O afã dos críticos de arte em impor suas avaliações já foi motivo de diversas
histórias  curiosas.  Um  exemplo  famoso  foi  o   do  que  aconteceu  aos  pintores
impressionistas,  que  não  foram  autores  do  termo  que  de niu  seu  movimento
estético.  Conta-se  que  o  crítico  Louis  Leroy,  ao  ver  a  obra  Impressão,  sol
nascente, de Monet, assim se pronunciou:
Ao  contemplar  a  obra,  pensei  que  meus  óculos  estivessem  sujos:  o  que
aquela  tela  representava?  O  quadro  não  tinha  direito  nem  avesso...
Impressão!  Claro  que  impressiona:  qualquer  papel  pintado  em  estado
embrionário está mais concluído do que essa marinha.
Assim  foi  que  o  termo  “impressionismo”  passou  a  ser  o  nome  do
movimento. Mais tarde, o próprio Louis Leroy se gabaria desse fato.


72
A educação é algo admirável,
mas é bom recordar que nada que valha
a pena saber pode ser ensinado.
A
EDUCAÇÃO  NOS  TRANSFORMA  EM  SERES  CIVILIZADOS,
 mas  também  pode  nos
escravizar.  Por  isso,  toda  leitura  deve  ser  feita  com  uma  dose  de  crítica.  Se
lemos  os  clássicos,  não  é  para  viver  como  os  grandes  pensadores  de  séculos
atrás, mas para viver melhor nos tempos de hoje.
Assim como a admiração que temos por um mestre ceramista não nasce do
fato  de  ele  manipular  o  barro  com  desenvoltura,  mas  sim  por  dar-lhe  forma,
não admiramos um sábio por aquilo que ele aprendeu, mas pelo muito que pode
ensinar.  A  educação  deveria  consistir  em  algo  assim:  uma  longa  viagem  que


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal