Oscar e lina: dois olhares sobre o brasil



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MAM Bahia - 1959

Na Bahia no ano de 1959 Lina é convidada a dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia pelo então governador da Bahia Juracy Magalhães e fora afastada em 1964 por exigência da mídia e da oligarquia local.

A então provinciana Bahia começava a tomar contato com a mais avançada arte realizada no Ocidente, como as princesinhas de Degas, Modiglianis e Van Goghs, assim como Lina que paralelamente a isso investigava a Arte Popular baiana, conseqüentemente brasileira.

Neste momento, instrumentada de aguçada percepção (poucos no país tiveram uma visão tão rica de cultura) transpõe para o Nordeste brasileiro os ensinamentos de Antonio Gransci que detectou no bloco agrário meridional italiano, uma resistência cultural de não-alienação digna de uma “estratégia conscientemente revolucionária”.

Lina começa a destravar o velho complexo de vira-lata nacional, caçando em nossa arte mais “popular” as riquezas que a velha Europa almejava. Ela foca uma análise fora do contexto do folclore. Faz uma leitura anti- paternalista e tenta sair da dualidade entre arte popular e arte erudita. O que vale para ela neste momento é focar sua atenção num filó realizado com lata antiga de óleo como um ato de resistência de consumo, o que ela chamou de “Design no Impasse”. Neste ponto Lina radicaliza uma visão de Design onde se antes imperava um design “libertador” de fora pra dentro numa visão européia como um artefato e uma alavanca de consumo. Neste período e local o Design se sobressai justamente contra esta visão como uma questão existencialista de sobrevivência de uma cultura dentre o mar de objetos impostos.

Lina transporta-se para o sertão baiano junto com escultor Mario Cravo Jr. a fim de conhecer mais a realidade do nordeste; fora ver de perto qual era a produção individual onde gostava de dizer, morava a liberdade do artista, mas principalmente na existência coletiva onde ela dizia morar a “verdadeira liberdade”. Viu de perto os filós, os ex-votos (peças de madeira realizadas e/ou encomendadas para pagar uma promessa), cerâmica, colchas de retalho, peças de couro, carrancas e enfim, toda a produção de uma “massa que inventa, que traz uma contribuição indigesta, seca, dura de digerir”.

A sua própria arquitetura na Bahia neste momento se utiliza desta mesma análise quando executa com peças de carro de boi para realizar os encaixes da escada principal. Outra visão curiosa do período é como ela inaugura no país uma análise própria para reformas de bens tombados por patrimônio, como veremos posteriormente no SESC Pompéia, no Polytheama de Jundiaí, na prefeitura de São Paulo entre outros.




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